Prioridades 2025
1. Adoção ética e inclusiva da Inteligência Artificial na educação básica: compartilhamento de padrões
A Educação Digital tem sido uma prioridade no BRICS, com avanços desde a Declaração de Nova Déli (2016), que promoveu o uso de tecnologias para melhorar o ensino, capacitar professores e fortalecer a gestão educacional. Em 2018, na Cidade do Cabo, foi proposta uma pesquisa comparativa sobre ensino a distância, iniciativa que ganhou relevância com a pandemia de COVID-19, impulsionando reuniões regulares de especialistas a partir de 2021. Em 2024, os Ministros da Educação dos BRICS, reunidos em Kazan, apoiaram a proposta da China para um Memorando de Entendimento sobre cooperação em educação digital, visando equidade educacional, melhor qualidade de ensino, capacitação de professores e transformação digital.
Como primeiro passo, o Brasil se dispôs a organizar um seminário para integrar discussões sobre a adoção ética e inclusiva da Inteligência Artificial na educação básica, reunindo representantes de diferentes frentes de trabalho do BRICS.
2. Rede de Universidades do BRICS (BRICS NU): consolidando a expansão dos temas e das instituições envolvidas
A Rede de Universidades do BRICS (BRICS Network University) promove colaboração no ensino superior, focando em pesquisa, inovação e mobilidade acadêmica, com seis áreas temáticas iniciais: Ciências da Computação e Segurança da Informação; Estudos dos BRICS; Energia; Ecologia e Mudanças Climáticas; Recursos Hídricos e Controle da Poluição; e Economia.
Em 2024, Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia aderiram à iniciativa, que expandiu seus temas para incluir matemática, ciências naturais, sociais e humanas, agricultura sustentável e saúde. Também foi criada uma revista acadêmica para fortalecer o intercâmbio científico.
Em 2025, a prioridade é consolidar essa expansão em temas e participação institucional.
3. Avaliações como pilar para o reconhecimento transfronteiriço
Diante da intenção de construir os meios que permitam maior cooperação mútua, os BRICS têm debatido, nos últimos anos, formas de avançar no reconhecimento de qualificações acadêmicas entre seus membros. A mobilidade de estudantes e profissionais tem crescido ao redor do mundo, e particularmente entre os países que conformam o agrupamento. Esse crescimento amplia a demanda por processos eficazes e transparentes de reconhecimento de qualificações. A adoção de convenções internacionais, a formação de redes regionais de informação sobre sistemas educacionais, o uso de diferentes tecnologias digitais, além da formalização de acordos dupla (ou múltipla) titulação e de programas conjuntos, têm contribuído nesse sentido.
Em 2025, a presidência de turno do Brasil propõe os seguintes passos sucessivos:
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Aprofundar ainda mais o conhecimento sobre os sistemas de avaliação existentes nos países do BRICS, compreendendo quais estratégias de medidas são utilizadas e como elas informam decisões de política educacional, considerando inclusive o ingresso dos novos membros do agrupamento.
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Aprender com os indicadores desenvolvidos em diferentes contextos nacionais, a fim de que cada país possa avaliar o interesse em adaptar boas práticas e lições aprendidas dos outros.
Com isso, espera-se contribuir para um futuro de comparabilidade entre os sistemas de reconhecimento.
4. Aumentando o percentual de estudantes do ensino médio matriculados na educação profissional e tecnológica
Criada em 2022, a Aliança de Cooperação em Educação e Formação Técnica e Profissional (EPT) tem como objetivo estabelecer uma plataforma multilateral para a troca de experiências políticas e boas práticas, ao mesmo tempo em que incentiva a cooperação direta entre redes e instituições de EPT. Atenção especial será dada à inclusão dos novos membros dos BRICS nos chamados para atividades conjuntas.
Líderes de instituições de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) dos países do BRICS se reunirão em Brasília, em junho, para fortalecer vínculos diretos, interagir com Ministros da Educação e Altos Funcionários, e realizar uma visita técnica a um dos Institutos da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Brasil.
As discussões entre os representantes vão abordar as metas nacionais para a ampliação da matrícula de estudantes do ensino médio na educação profissional, bem como as estratégias adotadas pelos países do BRICS para atingir esses objetivos.