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Saúde sem boato
É falso que consumo de própolis tenha eficácia contra mosquitos da dengue
Circulam nas redes sociais posts alegando que o consumo de gotas de própolis poderia afastar o mosquito Aedes Aegypti
Publicado em
06/04/2026 12h31
Circulam nas redes sociais posts alegando que o consumo de gotas de própolis poderia afastar o mosquito Aedes Aegypti, pois o produto seria expelido pelo suor e serviria como repelente para o inseto. É falso.
Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
"Atenção amigos(as)!!!Estou repassando uma sugestão para ajudar afastar o mosquito causador da dengue, zica e chicungunha.
Me pareceu muito coerente.
Uma médica do Hospital do Câncer de Barretos de SP, dra Lilian, falou que é simples: ‘Própolis’."
Tomando 5 gostas é o suficiente. Ele é expelido pelas glândulas sudoríparas, ou seja, pelo suor e afugenta o mosquitinho. Quem puder repasse para amigos e familiares. É uma solução simples, barata e pode salvar muitas vidas
– Legenda do post que circula nas redes sociais
Não existem evidências científicas que comprovem que o própolis seja eficaz como repelente contra o mosquito transmissor da dengue. Segundo a professora Lucia Rossetti Lopes, do Departamento de Farmacologia da Universidade de São Paulo (USP), não há estudos na literatura científica que indiquem que o própolis atue como repelente natural.
“Não existe nenhuma evidência de que a própolis tenha algum efeito repelente sobre o mosquito. O uso de repelentes químicos ainda é o meio mais indicado para combater o mosquito”, afirmou a docente em nota encaminhada à Lupa.
Essa mensagem desinformativa circula nas redes sociais desde 2016. O conteúdo afirma que uma médica do Hospital do Câncer de Barretos (SP) teria recomendado o uso do própolis. A receita seria o consumo diário de apenas 5 gotas da substância, que seria suficiente para ser expelida pela pele, repelindo o Aedes Aegypti.
No entanto, ainda naquele ano, o próprio hospital negou, em nota, a autoria da orientação. “O Hospital de Câncer de Barretos vem a público esclarecer que a mensagem referente ao uso do própolis como método para afastar o mosquito Aedes Aegypti, que está circulando nas redes sociais e em aplicativos de conversa instantânea, não é orientação da instituição e de nenhum de seus colaboradores”, disse no comunicado publicado em 2016.
“Informamos ainda que as medidas mais eficazes para evitar a proliferação do mosquito causador da dengue, zika vírus e chikungunya são o não acúmulo de água parada em recipientes expostos e o uso de repelentes de insetos aprovados pela ANVISA”, completou a instituição.
Em 2017 e em 2019, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também contestou um outro conteúdo desinformativo que alegava que o própolis teria efeito repelente contra o mosquito transmissor da dengue. “A indicação do uso de própolis para combater o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya não tem fundamentação científica”, concluiu a entidade.
No uso popular, o própolis é utilizado para fins anti-inflamatórios e cicatrizantes e, no repositório PubMed, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, existem estudos com esse foco.
Editado por
Evelin Mendes
Fonte
Lupa