Notícias
Gestão do Trabalho
Mesa Nacional de Negociação Permanente reforça importância da implementação da Carreira Única Interfederativa no SUS
CNS presente na 100ª Reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS. Crédito da foto: Ascom/CNS
A história da saúde pública brasileira ganhou mais um capítulo que simboliza uma conquista importante para o controle social do Sistema Único de Saúde (SUS). A realização da centésima reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS (MNNP-SUS) nesta segunda-feira, 15 de junho, em Brasília, consolida um ciclo de lutas e pactuações democráticas que atravessa três décadas de história.
O encontro de abertura da reunião foi acompanhado por gestores, entidades representativas, trabalhadores da saúde e integrantes de mesas de negociações estaduais e municipais de todo o país, que celebraram a aprovação das diretrizes nacionais para a estruturação, pactuação, implementação, financiamento e acompanhamento da Carreira Única Interfederativa do SUS.
A proposta da Carreira Única ganhou força definitiva com a recente homologação da Resolução nº 799/2026 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que transformou o Protocolo nº 012/2025 da Mesa em diretriz oficial de Estado. Trata-se do desenho de uma nova proposta focada em superar a precarização dos vínculos de trabalho e garantir a fixação de profissionais de saúde em regiões de maior vulnerabilidade social.
A conquista de uma carreira que integra os trabalhadores da União, dos estados e dos municípios sob parâmetros nacionais mínimos é um pleito que ecoa desde a 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986. Contudo, foi a estreita interação entre o Conselho Nacional de Saúde e a Mesa de Negociação que permitiu transformar a proposta em resoluções concretas, como reforçou a presidenta do CNS, Fernanda Magano.
“A resolução n.º 799/2026 abre caminho para os próximos passos e chegar à centésima reunião da Mesa Permanente reafirma que o SUS só se fortalece quando há diálogo real e respeito a quem faz a saúde acontecer na ponta. A Carreira Única Interfederativa, chancelada pelo CNS, é uma resposta histórica contra a terceirização desenfreada e a desigualdade regional de salários”, declarou.
Fernanda também ressaltou a importância de pautar a Carreira Única e o fortalecimento da MNNP durante a 18ª Conferência Nacional de Saúde. “Aprovar documentos consistentes sobre a carreira única para subsidiar o diálogo com o Congresso Nacional é fundamental”, afirmou.
A resolução aprovada pelo colegiado do CNS no início de 2026 e homologada pelo ministro da saúde, Alexandre Padilha, estipula pilares fundamentais, tais como: o ingresso prioritário por concurso público, a progressão funcional atrelada à qualificação continuada, a criação de mecanismos protetivos contra o assédio, e o princípio da mobilidade federativa, que permitirá ao servidor transitar entre diferentes esferas e localidades sem a perda de seus direitos e progressões na carreira.
Três décadas de MNNP: valorização de quem cuida do SUS
Para compreender a importância da 100ª reunião é preciso revisitar a trajetória da Mesa Nacional de Negociação Permanente. Concebida no início dos anos 1990 para dirimir conflitos e pactuar condições de trabalho entre a bancada dos gestores (públicos e filantrópicos) e a bancada dos trabalhadores, a MNNP foi instituída pelo Conselho Nacional de Saúde em 1993 (Resolução nº 52).
Em 2023, o CNS promoveu sua reconstrução e reinstalação em 2023 por meio da Resolução nº 708, após um período de severo desmonte e paralisação dos canais de participação social. A partir da retomada das atividades da Mesa, uma série de protocolos passou a ser desenhado sob o conceito do trabalho decente e seguro, culminando nas regras estruturantes da Carreira Única.
“É muito simbólico estarmos na centésima reunião da Mesa e isso só é possível pelo entendimento da democracia, da participação popular e da construção coletiva. Ter essa vinculação da Mesa ao CNS permite maior viabilidade de retomada da mesa”, declarou Felipe Proenço, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES/MS).
Irene Rodrigues, coordenadora da bancada da mesa dos trabalhadores na MNNP-SUS destacou como é importante olhar para trás e reconhecer como a mesa produziu em prol dos trabalhadores do SUS, em especial a carreira única, que segundo Irene, tem como objetivo a fixação de profissionais em todos os lugares, “já que não adianta ter especialista se não houver atenção básica fortalecida com trabalhadores comprometidos e fixação de médicos, enfermeiros, odontólogos e equipes técnicas. Precisamos ter uma equipe que se sinta parte do SUS. Este é o desafio da mesa de negociação nos últimos tempos”, declarou.
Natália Ribeiro
Conselho Nacional de Saúde