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TRASNFORMAÇÃO DIGITAL
Oficina formativa entre SEIDIGI e CNS fortalece saúde digital como eixo estratégico
Foto: Ascom/CNS
Ampliar o diálogo entre a Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS), assegurando o alinhamento institucional e fortalecendo a atuação da Câmara Técnica de Saúde Digital e Comunicação em Saúde ((CTSDCS). Esse foi o objetivo da Oficina Formativa sobre saúde digital, realizada em parceria entre o CNS e a SEIDIGI, nessa quinta-feira, (5/2).
A atividade teve como foco a apropriação dos temas da saúde digital e da informação pela Mesa Diretora do CNS e pela coordenação da Câmara Técnica, contribuindo para qualificar os debates e fortalecer o funcionamento das reuniões da CTSDCS. A participação do CNS reafirma o compromisso conjunto com um debate sobre saúde digital que seja democrático, transparente, participativo e alinhado aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Secretária de Informação e Saúde Digital do Brasil, Ana Estela Haddad, destacou que a criação da Câmara Técnica de Comunicação e Saúde Digital pelo Conselho Nacional de Saúde representa um marco simbólico e político, por expressar o reconhecimento, por parte do controle social, da centralidade da saúde digital nas transformações em curso no SUS. Ela ressaltou que a presença do colegiado de gestão na oficina reflete a importância estratégica do encontro, especialmente diante dos desafios identificados, e afirmou que a consolidação das novas políticas depende da apropriação social desses processos. “As políticas só terão sustentabilidade se a sociedade, a partir da participação e do controle social, se reconhecer nelas como algo próprio”, afirmou.
Na avaliação Secretária da SEIDIGI, a Câmara Técnica cumpre um papel fundamental como espaço de assessoramento ao Pleno do Conselho e de reverberação institucional das entidades, fortalecendo a construção coletiva da Política Nacional de Informação e Saúde Digital. Ela explicou que o caráter formativo da oficina foi uma oportunidade de promover um mergulho amplo, abrangente e aprofundado em todas as ações que hoje compõem a agenda da saúde digital, estruturadas a partir da primeira etapa de constituição da SEIDIGI. Ao final, agradeceu a realização da oficina e o apoio institucional ao processo, destacando que o reconhecimento e a apropriação desse movimento são essenciais para consolidar tanto a Câmara Técnica quanto a própria secretaria.
Construção coletiva e fortalecimento institucional
A presidenta do CNS, Fernanda Magano, ressaltou a importância da construção coletiva e da parceria institucional como base para o fortalecimento do controle social na agenda da saúde digital. Ela destacou ser essencial garantir uma saúde digital com centralidade política, visibilidade pública e acesso ampliado para toda a população brasileira. “Essa ação parceira é fundamental para que a saúde digital chegue a todas as pessoas, com a importância e a visibilidade que ela merece”, afirmou.
Ela destacou a importância da oficina como espaço de alinhamento, construção de consensos e fortalecimento institucional, projetando a necessidade de avançar na consolidação de estruturas mais robustas no âmbito do Conselho.
Cristiane Santos, chefe da assessoria de participação social e diversidade, do gabinete do ministério da Saúde, destacou a centralidade da saúde digital como eixo estratégico para o fortalecimento do SUS. Ela ressaltou o entusiasmo do governo com a chegada dos kits de telesaúde aos municípios e enfatizou o papel das inovações tecnológicas no cuidado, especialmente nas agendas de saúde da mulher e saúde mental, impulsionadas pelas deliberações da Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.
Ela também reforçou a importância de que a transformação digital dialogue diretamente com a experiência concreta da população usuária do sistema. “A gente que não é do sistema, nem é da saúde, mas é usuária do SUS, só quer saber em que lugar está na fila, para poder organizar a vida, seja para uma cirurgia, uma consulta ou um exame”, afirmou, destacando que a interoperabilidade dos dados e as novas ferramentas digitais trazem esperança de mais transparência, organização e acesso real aos direitos em saúde.
Para a coordenadora da CTSDCS, Débora Melecchi, a parceria com o controle social é essencial e faz sentido diante do acúmulo construído nos debates das comissões.
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) tem se empenhado no fortalecimento da Câmara Técnica de Saúde Digital e Comunicação em Saúde. Esse esforço se reflete desde a elaboração cuidadosa do edital, pensado para assegurar a participação do controle social e a incorporação de diferentes saberes. A Câmara Técnica atua como instância de assessoramento ao CNS.
Nesse sentido, a participação na câmara técnica é importante como um espaço qualificado de contribuição e intervenção nas pautas sobre Saúde Digital e Comunicação em Saúde, fortalecendo o processo decisório.
A conselheira Shirley Moraes, coordenadora adjunta da CTSDCS, fez um balanço da atuação da Câmara desde sua criação, prevista na 17ª Conferência Nacional de Saúde. Instituída pela Resolução CNS nº 751/2024, a CTSDCS é um espaço de assessoramento técnico e político, vinculado às Comissões Intersetoriais de Saúde Suplementar (CISS) e de Ciência, Tecnologia e Assistência Farmacêutica (CICTAF).Sua criação responde à necessidade de qualificar a atuação do controle social diante dos desafios impostos pela transformação digital na saúde e na comunicação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Saúde digital como política pública estruturante
A Estratégia de Implementação da Saúde Digital se consolida como eixo estruturante da transformação do SUS, ao compreender a digitalização não como solução tecnológica pontual, mas como política pública capaz de redesenhar o modelo de cuidado em todo o território nacional.
O foco está na inclusão, na ampliação do acesso e na qualificação da atenção à saúde, especialmente em áreas remotas, onde as desigualdades históricas de acesso aos serviços são mais intensas. A proposta aponta para um modelo de atendimento integrado, que articula tecnologias digitais e rede física de serviços, fortalecendo a atenção presencial e ampliando sua capacidade de resposta.
Nesse processo, a soberania digital se afirma como norte estratégico, orientando a evolução dos sistemas mesmo diante de dependências tecnológicas iniciais. A perspectiva é transformar unidades básicas e postos de saúde em centros de cuidado integrado, conectados a redes de apoio remoto, capazes de articular tecnologia, território e cuidado humanizado em uma mesma lógica de atenção.
Elisângela Cordeiro
Conselho Nacional de Saúde