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ENCONTROS ESTADUAIS DE SAÚDE
Em defesa do SUS, Rio de Janeiro mobiliza centenas durante Encontro Estadual de Saúde
Foto: Daniel Spirin
Num movimento de grande participação popular e engajamento, o estado do Rio de Janeiro recebeu, nesta terça-feira (25/03), um dos maiores encontros de mobilização em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Com mais de 600 participantes reunidos no auditório do Windsor Guanabara Hotel, o Encontro Estadual de Saúde – RJ serviu como etapa preparatória estratégica para a 18ª Conferência Nacional de Saúde, sob o lema “SUS, Democracia e Soberania: Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil”. O evento gerou debates necessários sobre o financiamento público, a gestão participativa e a urgência de fortalecer o Controle Social para garantir uma saúde universal e equitativa.

O propósito central do encontro no território fluminense foi fortalecer o debate público sobre o financiamento e a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). A programação foi estruturada em torno de três eixos fundamentais: a garantia de mais recursos para a saúde, o fortalecimento do controle social e a ampliação do acesso por meio de modelos de atenção integrais e resolutivos. Para além da discussão técnica, o encontro destacou o papel dos Conselhos de Saúde como bases da gestão democrática, promovendo um diálogo entre quem planeja as políticas e quem utiliza o sistema na ponta.
Democracia como coluna central da Saúde Pública
O encontro começou com uma apresentação cultural que retratou parte da história da constituição do SUS. A esquete “Zé do Caroço”, apresentada pelo Grupo Bacurau, trouxe a realidade das comunidades para o centro do debate, lembrando que a mudança política nasce da organização dos territórios.

- Foto: Daniel Spirin
O propósito central do encontro no território fluminense foi fortalecer o debate público sobre o financiamento e a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). A programação foi estruturada em torno de três eixos fundamentais: a garantia de mais recursos para a saúde, o fortalecimento do controle social e a ampliação do acesso por meio de modelos de atenção integrais e resolutivos. Para além da discussão técnica, o encontro destacou o papel dos Conselhos de Saúde como bases da gestão democrática, promovendo um diálogo entre quem planeja as políticas e quem utiliza o sistema na ponta.
Democracia como coluna central da Saúde Pública
O encontro começou com uma apresentação cultural que retratou parte da história da constituição do SUS. A esquete “Zé do Caroço”, apresentada pelo Grupo Bacurau, trouxe a realidade das comunidades para o centro do debate, lembrando que a mudança política nasce da organização dos territórios.

- Foto: Daniel Spirin
O propósito central do encontro no território fluminense foi fortalecer o debate público sobre o financiamento e a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). A programação foi estruturada em torno de três eixos fundamentais: a garantia de mais recursos para a saúde, o fortalecimento do controle social e a ampliação do acesso por meio de modelos de atenção integrais e resolutivos. Para além da discussão técnica, o encontro destacou o papel dos Conselhos de Saúde como bases da gestão democrática, promovendo um diálogo entre quem planeja as políticas e quem utiliza o sistema na ponta.
Democracia como coluna central da Saúde Pública
O encontro começou com uma apresentação cultural que retratou parte da história da constituição do SUS. A esquete “Zé do Caroço”, apresentada pelo Grupo Bacurau, trouxe a realidade das comunidades para o centro do debate, lembrando que a mudança política nasce da organização dos territórios.

- Foto: Daniel Spirin
A experiência acumulada também teve voz através de Rosemary Mendes Rocha, suplente da presidência do Conselho Estadual de Saúde (CES-RJ). Servidora pública há 39 anos, Rosemary emocionou os presentes ao declarar que “o território tem voz, o território tem dor, o território tem sonhos e alguém precisa escutar”. Ela definiu a essência da militância sanitária: “O SUS é cotidianamente um movimento de resistência”. Já Patrícia Santana, representante da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio, elogiou a postura combativa do conselho fluminense: “Este conselho é um conselho combativo que luta pelo que acredita”. Santana ainda orientou os gestores locais sobre a importância técnica do planeamento, advertindo que “tudo que vocês cobram para que o SUS exerça tem que estar no plano municipal de saúde”.

Ainda no período manhã, a coordenadora Vânia Bretas reforçou que “não existe saúde pública de qualidade sem a participação ativa da população”. A conselheira nacional Valquíria Alves recordou a máxima de Sérgio Arouca: “Democracia é saúde, saúde é democracia”. O grito uníssono da plenária por estabilidade profissional: “Concurso público é agora!” ecoou no salão nobre. Entre as participações populares, uma mensagem lida por Rosemary Mendes resumiu o clamor do encontro: “Não há soberania nacional sem um SUS 100% público, gratuito e universal”.
A fala do ministro Alexandre Padilha
Um dos momentos centrais foi a exibição de um vídeo com a mensagem do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. No vídeo, o ministro enfatizou a mudança de paradigma na gestão federal, afirmando que “o Ministério da Saúde hoje não fica fechado em gabinetes em Brasília; nós estamos descendo aos territórios para ouvir o que cada um de vocês tem para apresentar”. O conteúdo audiovisual também celebrou marcos históricos, como o alcance de 14,7 milhões de cirurgias em 2025.
Financiamento e valorização do trabalho
No período da tarde, os debates giraram em torno de questões estruturantes. Solange Belchior, conselheira estadual de saúde do RJ, ao coordenar a mesa temática, definiu os objetivos da gestão: “Saúde com mais recurso, mais participação social, mais acesso e trabalhadores valorizados”. Eliane Cruz, chefe de gabinete do Ministério da Saúde, demonstrou transparência ao afirmar: “A gente não vem aqui falar sem esperar ouvir críticas… temos compromisso com o que estamos fazendo”. Ela destacou os esforços orçamentários do governo atual, mencionando que “o Lula trouxe 40 milhões de volta do que o Bolsonaro tirou” para a saúde. Eliane também alertou para o perigo do negacionismo, defendendo que só há conferência se houver democracia.

- Foto: Daniel Spirin
Paulo Garrido, conselheiro nacional pela Fiocruz, expressou a sua satisfação com a mobilização fluminense: “É uma honra, um desafio sempre estar retomando aqui e ver este encontro tão valoroso no Rio”. Regina Bueno, educadora popular e conselheira estadual do RJ, partilhou a sua vocação: “O que eu mais adoro fazer na minha vida é ser educadora popular em saúde”. Já André Ferraz, conselheiro do CES-RJ, trouxe um debate técnico e político sobre o “Protocolo da Carreira Única”, explicando que “a proposta do protocolo da carreira única também está atrelada com a criação do fundo nacional tripartite para o trabalho no âmbito do SUS”. Ele reforçou a necessidade de combater a precarização, afirmando que “não dá para discutir SUS sem discutir as pessoas que fazem esse sistema acontecer”.

Tribuna livre
Os debates também trouxeram a voz direta de quem vivencia o controle social na ponta. Dentre os diversos participantes da tribuna, Daniele Moretti, conselheira nacional e estadual de saúde do RJ, pelo segmento dos usuários e representante da CTB, iniciou sua intervenção com um desabafo necessário sobre a importância da presença física nos espaços de decisão, lamentando o esvaziamento do plenário naquele momento e reforçando que a luta pelos “órfãos” do sistema exige compromisso integral de todos os representantes. Em uma linha de cobrança institucional, Carlos Alberto, vindo de Duque de Caxias, trouxe a urgência da resolutividade ao questionar quando as discussões de gabinete se transformarão em vitórias concretas para os três segmentos da saúde, enfatizando que a unidade é a única forma de garantir a efetivação do que é construído coletivamente.
A defesa da estabilidade como garantia de um serviço público de qualidade foi o ponto central da fala do participante Pedro, que se posicionou contra as reformas que ameaçam o funcionalismo, pontuando que enfrentar o fim da estabilidade é, na verdade, proteger o próprio atendimento ao cidadão de interferências políticas sazonais. Complementando essa visão de um sistema inclusivo e respeitoso, Franklin Félix, representante do Ministério da Saúde, encerrou as participações destacando a dimensão ética e social do cuidado, ao afirmar a importância histórica de se lutar por um SUS laico, capaz de acolher todas as pessoas em sua pluralidade, sem distinções de credo ou origem, consolidando o sistema como o maior instrumento de justiça social do país.
Compromisso com o futuro e mobilização para abril
O encontro encerrou com a leitura da “Carta de Compromissos em Defesa do SUS”, que sintetiza os eixos prioritários: financiamento adequado, fortalecimento do controlo social e ampliação do acesso resolutivo através da atenção primária. O documento também introduziu a justiça socioambiental como pauta central para enfrentar as crises climáticas. A pedido da plenária, a carta incluiu explicitamente a defesa do “concurso público” como forma de garantir uma gestão pública estatal e valorizada.
Como desdobramento prático, o Conselho Nacional de Saúde e o Conselho Estadual de Saúde do RJ convocaram todos os municípios para realizar Audiências Públicas no dia 07 de abril, Dia Mundial da Saúde, visando conectar as lutas locais ao movimento nacional. O evento, que terminou com a animada apresentação da Escola de Samba Império de Charitas, cantou que a defesa do SUS é a defesa da própria vida e soberania brasileira.
Daniel Spirin Reynaldo
Rede Colaborativa
Ascom CES-RJ