Missão de Apoio à Implementação destaca avanços do Projeto ASL Brasil em 2025

Nos dias 10 e 11 de dezembro, foi realizada, em formato remoto, a Missão de Apoio à Implementação do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), que reuniu mais de 60 representantes de instituições parceiras. Participaram do encontro o Banco Mundial; o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); as agências executoras CI-Brasil, FUNBIO e FGV Europe; além do ICMBio, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), das secretarias estaduais de Meio Ambiente do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia, e de coletivos locais de governança dos territórios prioritários: o Fórum Território Médio Juruá (FTMJ) e o Mosaico do Baixo Rio Negro (MBRN).
O encontro consolidou um balanço dos avanços alcançados pelo projeto ao longo de 2025, evidenciando maior integração entre gestão, execução técnica, governança territorial e gestão financeira. As apresentações mostraram resultados consistentes nas agendas de restauração, gestão de Unidades de Conservação (UCs), fortalecimento da sociobioeconomia e apoio às organizações comunitárias nos territórios amazônicos.
Restauração avança e supera metas previstas
Na agenda de restauração, Carolina Henriques Campos, chefe de Divisão de Projetos e Parcerias do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), destacou a execução de oito contratos em 2025 — dois de regeneração natural assistida e seis de restauração ativa — em 11 Unidades de Conservação.
As ações vêm cumprindo ou superando as metas estabelecidas, com destaque para as iniciativas realizadas na Estação Ecológica de Jaru, na Floresta Nacional do Bom Futuro, no Parque Nacional dos Campos Amazônicos, na Floresta Nacional do Jamari, no Parque Nacional da Serra do Pardo e no Parque Indígena do Xingu.
Apesar de desafios climáticos pontuais, como alagamentos que impactaram temporariamente a Resex do Rio Iriri, Carolina ressaltou a capacidade de adaptação das ações. “Através do Projeto ASL Brasil, o ICMBio já pôde alcançar mais de 43 mil hectares entre restauração e regeneração assistida, o que demonstra a efetividade da estratégia e o amadurecimento da execução nos territórios”, afirmou.
Para o analista ambiental do Instituto, Alexandre Bonesso Sampaio, os avanços vão além dos números. “O apoio do ASL possibilitou estabelecer parcerias sólidas e frutíferas, com ganhos visíveis na gestão das Unidades de Conservação apoiadas. Os resultados vão além da meta estabelecida em hectares a serem restaurados, representam um legado estrutural para os territórios”, reforçou.
Melhorias de gestão em Unidades de Conservação
Os resultados apresentados pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) indicaram avanços expressivos na gestão das áreas protegidas apoiadas pelo projeto. 103 Unidades de Conservação registraram algum grau de melhoria ou consolidação da gestão, o que corresponde a aproximadamente 53 milhões de hectares com gestão fortalecida ao longo do período analisado – entre 2017 e 2025. Esses resultados são fruto do apoio do Projeto ASL Brasil ao Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), que apoia a gestão de 120 unidades de conservação.
Esse fortalecimento reflete tanto a evolução dentre as categorias de efetividade quanto a manutenção de níveis elevados de gestão, demonstrando a contribuição do ASL para a estabilidade e a resiliência das UCs na Amazônia.
Sociobioeconomia e governança territorial ganham escala
O fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis também foi destacado durante a missão, especialmente a cadeia do pirarucu manejado. Segundo Milena Azevedo, secretária-executiva do Fórum do Território Médio Juruá (AM), o apoio do ASL foi importante para aprimorar a estruturação da atividade. “O projeto fortaleceu a cadeia do pirarucu ao apoiar o monitoramento comunitário de lagos, estruturar o entreposto com a entrega da câmara frigorífica e garantir mais segurança para a comercialização legal, reduzindo a pressão sobre os lagos e criando bases para novos avanços”, afirmou.
A participação dos territórios evidenciou ainda avanços na organização social, inclusão de mulheres e jovens e fortalecimento da governança comunitária. Para a liderança do Mosaico do Baixo Rio Negro (AM), Francisco Borges, conhecido como Peba, o projeto tem impacto direto na participação social. “O ASL tem sido fundamental para fortalecer redes locais, ampliar a escuta e garantir que as comunidades participem das decisões. Isso transforma realidades”, destacou.
Ele também destacou a importância da escuta ativa e da formação de novas lideranças nos conselhos de UCs. “O mais difícil é manter a rede viva. Mas, quando o projeto nos apoia para sentarmos à mesa e sermos ouvidos, avançamos muito.”
Integração institucional e amadurecimento da gestão
A missão também avaliou melhorias nos processos de gestão financeira, aquisições e salvaguardas. As agências executoras apresentaram avanços na rastreabilidade, no monitoramento de indicadores e na articulação entre instituições.
Para Henrique Santiago, coordenador técnico do ASL Brasil no MMA, o projeto entra em uma nova fase. “Há uma melhoria visível na forma como gerimos o projeto. Temos muitos aprimoramentos necessários, mas avançamos no cumprimento de indicadores técnicos, com recorde de execução financeira anual desde 2018 e na comunicação e articulação com estados e territórios prioritários. Esses avanços se reflete em entregas que apoiam conservação, fortalecimento de políticas públicas, e reforço de investimentos que cheguem efetivamente aos territórios”, afirmou.
Na avaliação do Banco Mundial, o fortalecimento territorial é um dos principais diferenciais do ASL. “Ver as comunidades se apropriando das ações e participando ativamente do projeto mostra que os resultados estão chegando aonde realmente importam: no território”, destacou Maria Bernadete Ribas Lange, especialista ambiental sênior da instituição.
A Missão de Apoio à Implementação do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) ocorre semestralmente e integra a governança do Projeto ASL Brasil, com o objetivo de ajustar estratégias e garantir a efetividade das ações. Carlos Eduardo Marinelli, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA e supervisor do projeto, reforçou o caráter estratégico da missão. “Cada missão é um aprendizado. O ASL avança porque existe confiança entre as instituições e compromisso real com a Amazônia. Nosso foco agora é consolidar o que amadureceu e ampliar o diálogo com os territórios, pois o projeto é uma construção coletiva”, concluiu.
O Projeto ASL Brasil
O Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) é uma iniciativa do Governo Federal, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e implementado pelo Banco Mundial (BM).
O ASL Brasil é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio da Secretaria Nacional de biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO), e tem como agências executoras a Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil), o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV Europe). Sua operacionalização ocorre em parceria com órgãos federais, estaduais e municipais de Meio Ambiente dos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia e coletivos locais de governança territorial.