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MMA atualiza lista nacional de plantas ameaçadas de extinção
Entre os destaques da atualização está o pau-brasil (Paubrasilia echinata), que passou de “Em Perigo” para “Criticamente em Perigo” de extinção - Foto: Luciano Candisani/ICMBio
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atualizou a Lista Nacional Oficial das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Publicada pela Portaria GM/MMA nº 1.783, de 26 de outubro de 2026, a relação reúne 3.730 espécies e orienta ações para evitar o desaparecimento de plantas brasileiras.
As listas nacionais de espécies ameaçadas são um dos principais instrumentos jurídicos e científicos para a conservação da biodiversidade no país. Elas orientam políticas públicas, a criação e a gestão de áreas protegidas, o licenciamento ambiental e ações de recuperação das espécies e dos ambientes onde vivem.
Entre os destaques da atualização está o pau-brasil (Paubrasilia echinata), que passou de “Em Perigo” para “Criticamente em Perigo”, indicando maior risco de extinção na natureza. Também entraram na lista uma sempre-viva (Paepalanthus rupestris), uma planta carnívora (Philcoxia minensis) e uma subespécie do pequizeiro (Caryocar brasiliense subsp. intermedium), todas classificadas como “Em Perigo”.
A nova relação tem 521 espécies a mais que a publicada em 2022. Foram incluídas 595 e retiradas 74. O aumento está relacionado à ampliação das avaliações científicas e à obtenção de novos dados, e não significa, por si só, que todas essas espécies tenham sofrido piora recente.
Entre as que saíram da lista está a imbuia (Ocotea porosa). As retiradas também refletem avanços no conhecimento e não representam, necessariamente, recuperação das populações.
Duas espécies possivelmente extintas
Duas espécies da Mata Atlântica foram classificadas como “Criticamente em Perigo (Possivelmente Extinta)”. Uma delas é Symplocos rizzinii, árvore com registros na Serra da Mantiqueira. A outra é Plinia rogersiana, do mesmo gênero da jabuticaba, com ocorrência em São Paulo.
A classificação não confirma a extinção. Ambas deverão ser alvo de novas buscas em campo para verificar se ainda existem na natureza.
Como o risco é avaliado
O Brasil adota os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), referência mundial na avaliação do risco de extinção. Os pesquisadores analisam o tamanho e a redução das populações, a distribuição geográfica, a fragmentação dos ambientes e os efeitos de ameaças como desmatamento, incêndios, poluição, expansão urbana e exploração ilegal.
As espécies ameaçadas são distribuídas em três categorias, conforme a gravidade do risco. São elas Vulnerável (VU), com risco elevado de extinção na natureza, Em Perigo (EN), com risco muito elevado, e Criticamente em Perigo (CR), com risco extremamente elevado.
Na lista atualizada, 838 espécies estão classificadas como Vulneráveis, 2.162 como Em Perigo e 730 como Criticamente em Perigo, incluindo as duas consideradas possivelmente extintas.
Mata Atlântica e Cerrado
A Mata Atlântica e o Cerrado apresentam as maiores proporções de espécies ameaçadas entre as avaliadas, com 38% e 35%, respectivamente. Na Amazônia, essa proporção é de 18%. Os percentuais se referem às espécies analisadas, e não à totalidade da flora de cada bioma.
Ciência e proteção
As avaliações foram coordenadas pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), com a participação de 507 pesquisadores. O número de espécies avaliadas passou de 7.524, em 2022, para 9.420, um crescimento de aproximadamente 25%.
Além de orientar ações de conservação, a lista fundamenta medidas de proteção e restrições a atividades como coleta, corte e comercialização, com exceções e condições previstas na legislação.
A publicação completa o ciclo de atualização das listas nacionais, que, em 2026, também contemplou a fauna e, pela primeira vez, os fungos.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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