Gerenciamento do uso de antimicrobianos em Hospitais

Publicado em 27/06/2022 15:56Modificado em 16/01/2026 15:44
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Avaliação Nacional dos Programas de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGA) em hospitais brasileiros

Diretriz Nacional para Implantação de Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos em Serviços de Neonatologia e Pediatria – 2025

Em alusão Dia Nacional do Controle das Infecções Hospitalares, 15 de maio, a Anvisa publica a Diretriz Nacional para Implantação de Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos em Serviços de Neonatologia.

O uso inadequado e excessivo de antimicrobianos é um dos principais fatores no agravamento da preocupante emergência global da resistência aos antimicrobianos (RAM) no mundo. Registros de dados de 204 países apontam que o número de mortes associadas à RAM já alcançou 4,95 milhões em 2019, sendo considerada a terceira causa de óbitos, ficando atrás apenas da doença isquêmica do coração e acidente vascular cerebral.

Antimicrobianos são amplamente utilizados em neonatologia e pediatria, o que aumenta as chances de desenvolvimento de bactérias multirresistentes, sepse tardia, enterocolite e mortes neonatais. A administração de antimicrobianos em recém-nascidos, crianças e adolescentes apresenta especificidades clínicas e farmacológicas que impactam diretamente as estratégias de gerenciamento do uso desses medicamentos.

Em adição, na pediatria, as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são complicadoras no tratamento da criança hospitalizada, aumentando a morbidade e mortalidade, tempo de internação, custos e sofrimento para a criança e sua família.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que as infecções bacterianas causam aproximadamente 25% dos 2,8 milhões de mortes neonatais anuais, além de deficiências de desenvolvimento neurológico de longo prazo nos sobreviventes. No Brasil, os registros de óbito por sepse neonatal indicam aproximadamente 3.000 crianças mortas por ano. Em 2021, na cidade de São Paulo, estimou-se que a infecção foi responsável por 27,5% dos óbitos neonatais.

Esse cenário torna indispensável o gerenciamento do uso dos antimicrobianos, principalmente na população infantil uma vez que a administração desses medicamentos em recém-nascidos, crianças e adolescentes apresenta especificidades clínicas e farmacológicas que impactam diretamente as estratégias de gerenciamento. A gestão do uso de antimicrobianos, por meio de um Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGA), tem entre seus objetivos a mudança sustentável de comportamento nas práticas de prescrição desses medicamentos, abrangendo, desde o diagnóstico correto, até sua administração segura.

Embora a implementação do PGA tenha avançado significativamente entre pacientes adultos, sua aplicação na população infantil — em especial entre recém-nascidos prematuros — ainda enfrenta importantes desafios, exigindo adaptações que considerem as particularidades clínicas e farmacológicas dessa faixa etária.

Assim, a Anvisa publicou Diretriz Nacional para Implantação de Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos em Serviços de Neonatologia e Pediatria – 2025 (https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/prevencao-e-controle-de-infeccao-e-resistencia-microbiana/gerenciamento-de-antimicrobianos-em-servicos-de-saude/DiretrizNacionalPGAPEDeNEO15.05.2025.pdf) com o objetivo de oferecer orientações referentes ao planejamento, execução e avaliação das intervenções para o gerenciamento de antimicrobianos em unidades neonatais e pediátricas. Associada a isso, estabelecer uma visão abrangente das competências necessárias ao time responsável e com o propósito de subsidiar a prescrição e o uso criterioso desses fármacos, com recomendações adaptadas às especificidades da neonatologia e pediatria, que exigem abordagens diferenciadas.

Falar sobre gerenciamento de antimicrobianos, principalmente para a população infantil, é falar sobre qualidade na assistência e sobre a vida humana.

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