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PATRIMÔNIO MUNDIAL
Iphan promove oficina para alinhar gestão do Cais do Valongo (RJ)
Foto: Ana Carla Pereira/Iphan
Neste sábado (6/12), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu a oficina “Internaliza Valongo”, realizada no armazém Docas André Rebouças, na região da Pequena África (RJ). O encontro reuniu membros do Comitê Gestor do Sítio Arqueológico Cais do Valongo em uma jornada de trabalho dedicada a refletir e planejar os próximos passos da governança do local, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A abertura do evento foi conduzida pela superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Wanzeller, e pela diretora da Casa da Tia Ciata, Gracy Mary Moreira, que dividem a presidência do Comitê Gestor. Segundo Gracy, a oficina nasceu de uma sugestão da sociedade civil, que propôs a realização de um seminário interno sobre o Cais do Valongo e o dossiê apresentado para seu reconhecimento pela Unesco.
“O evento tem como objetivo esclarecer o papel do Comitê Gestor, o conceito de Patrimônio Mundial e os encaminhamentos das comissões temáticas que fazem parte do colegiado”, explicou a diretora da Casa da Tia Ciata.
Os debates tiveram início com a palestra da historiadora e representante do Arquivo Nacional, Mônica Lima, intitulada “O Cais do Valongo: histórias, contextos e processo de patrimonialização”, que apresentou um panorama histórico fundamental para orientar os alinhamentos ao longo do dia.
A programação também dedicou espaço à pactuação da agenda de gestão de 2026, baseada em diagnósticos sobre o funcionamento do comitê, seu regimento interno, a atualização dos membros do colegiado e o monitoramento do plano de gestão. A partir das discussões da oficina, será elaborada uma matriz de responsabilidades que orientará a consolidação e o acompanhamento das ações voltadas ao sítio.
Na ocasião, a superintendente Patricia Wanzeller pontuou que a quarta oficina-geral do Comitê foi um momento fundamental para que o grupo avance na organização e no planejamento das ações.
"Trata-se também de uma oportunidade necessária para revermos as atribuições e os valores que norteiam o Comitê, garantindo que o objetivo central de sua criação não se perca: proteger o patrimônio da Pequena África, evitando processos de gentrificação, a descaracterização territorial e a perda de identidade", avaliou ela.
Ainda segundo a superintendente, é imprescindível reafirmar que o Valongo, assim como todo o território da Pequena África, constitui um vasto e sensível sítio arqueológico, que deve ser respeitado, preservado e reverenciado como tal.
"Devemos honrar a memória de todas as pessoas escravizadas que ali desembarcaram e cujas histórias foram silenciadas pela narrativa oficial. A fidelidade a essa memória é o que deve orientar cada decisão e cada ação do Comitê", finalizou Wanzeller.
Sobre o Cais do Valongo
O Cais do Valongo foi o principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, um marco histórico cuja relevância ultrapassa fronteiras. Localizado no centro do Rio de Janeiro, o local teve seus vestígios revelados em 2011, durante as obras do Porto Maravilha, e foi cadastrado pelo Iphan como sítio arqueológico.
Em 2017, sua importância para a história e a memória da população negra levou à inscrição do Cais do Valongo na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. O reconhecimento ressalta seu valor universal excepcional, tanto como testemunho da violência da escravidão quanto como símbolo de resistência e da contribuição das populações africanas e de seus descendentes para a formação cultural, social e econômica do Brasil.
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Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br
Ana Carla Pereira – carla.pereira@iphan.gov.br