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SEGURANÇA HÍDRICA
Mesmo com melhora recente, principais reservatórios do Sudeste operam abaixo do esperado
Monitoramento indica recuperação gradual nos reservatórios, mas cenário ainda exige atenção na gestão hídrica (Foto: Alesp)
Brasília (DF) – O monitoramento dos principais sistemas hídricos que fornecem água para as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro segue sendo intensificado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Os dados mais recentes disponíveis no Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) apontam que ambos os sistemas ainda operam com volumes abaixo das médias históricas para o período, apesar de uma discreta recuperação no armazenamento.
Cantareira: recuperação contínua, mas abaixo do ideal
O Cantareira, principal manancial que abastece cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), apresenta sinais de melhora no volume de água armazenado ao longo das últimas semanas. Dados oficiais indicam que, em 31 de março de 2026, o Sistema opera com 43,62% do seu volume útil total, segundo informações publicadas pela ANA em sua Sala de Situação.
O sistema é responsável por abastecer cerca de 9 milhões de pessoas e é formado pelos reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, monitorado diariamente por meio do SAR. Apesar da recuperação, o nível ainda é considerado abaixo do esperado para o início do período seco. "As instituições acompanham os dados de níveis, vazões e armazenamento do manancial de modo a subsidiar decisões operativas. As agências reforçam a importância da adoção de medidas operacionais de gestão da demanda pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no âmbito dos serviços de abastecimento de água, assim como recomendam a adoção de medidas pelos demais usuários para preservar o volume de água nos reservatórios", afirma a diretora da ANA, Ana Carolina Argolo.
Paraíba do Sul: volumes ainda abaixo da média histórica
No caso do Reservatório Equivalente da Bacia do Paraíba do Sul, que é integrado pelos reservatórios de Paraibuna e Santa Branca, os dados da ANA apontam que o volume em 2026 está entre os 13 menores registrados desde 1998 para esta data do ano, representando um quadro de atenção para a gestão hídrica da bacia.
Segundo o SAR, os reservatórios que compõem o sistema – como Paraibuna, Santa Branca e Jaguari – apresentavam níveis de volume útil acima de 40% em 29 de março de 2026, o que ainda assim reflete uma condição hidrológica fragilizada diante das necessidades múltiplas de uso da água na região, incluindo o abastecimento urbano, a geração de energia e outros usos socioeconômicos relevantes.
A bacia do Paraíba do Sul, por sua importância estratégica para cidades fluminenses, permanece sob acompanhamento constante, especialmente diante do histórico de variações significativas de armazenamento em anos anteriores.
Monitoramento constante e medidas de gestão
Tanto o MIDR quanto a ANA mantêm a atualização contínua dos dados operacionais do Cantareira por meio de sistemas como o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios, que reúne informações sobre os níveis de armazenamento, vazões afluentes e defluentes, além das faixas de operação do Sistema. Essa base de dados técnica é disponibilizada publicamente para gestores, especialistas e cidadãos interessados em acompanhar a evolução da situação hídrica.
No caso do Cantareira, o monitoramento diário e a classificação por faixas são fundamentais para o cálculo das vazões a serem praticadas, bem como para orientar a atuação da Sabesp na gestão da demanda e da oferta de água na Grande São Paulo. A atuação conjunta das instituições é fundamental porque o Sistema envolve diferentes estados e atende milhões de pessoas, exigindo planejamento, cooperação e acompanhamento constante. Nos dois sistemas, a gestão é baseada na cooperação entre os entes federativos e no uso de dados técnicos atualizados diariamente.
A ANA disponibiliza essas informações ao público por meio de painéis de monitoramento, reforçando a transparência e permitindo que gestores, especialistas e a sociedade acompanhem a situação dos reservatórios. Os sistemas operam com base em regras definidas pela ANA, sempre em articulação com os órgãos gestores estaduais de recursos hídricos das respectivas bacias.
As resoluções com as condições de operação a serem observadas em cada um dos sistemas podem ser acessadas em:
O trabalho desenvolvido pelo MIDR e ANA tem como foco a prevenção, planejamento e segurança hídrica, reduzindo riscos e fortalecendo a capacidade do Brasil de lidar com períodos de seca ou variações climáticas, dentro das competências definidas pela legislação.
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