Estratégia de Mobilização Nacional
A iniciativa Caminho das Águas rumo à Conferência da ONU sobre a Água consiste em um processo preparatório à participação brasileira na Conferência, estruturado a partir de uma estratégia de mobilização nacional baseada na articulação com atores institucionais, espaços de participação social em eventos já programados ou especialmente promovidos ao longo de 2026,.
Esses eventos funcionarão como plataformas de diálogo, escuta, cooperação e sistematização de contribuições, permitindo difundir os seis eixos temáticos da Conferência, , reunir propostas e experiências, e fortalecer uma abordagem mais integrada da relação da sociedade com a água.
A estratégia baseia-se no mapeamento de eventos já consolidados no calendário nacional e internacional da água, identificando oportunidades para inserir atividades do Caminho das Águas em espaços previamente existentes. A realização dessas atividades dependerá de articulação com os organizadores, da aderência temática e da viabilidade de ajustes na programação, respeitados os prazos estabelecidos.
Sempre que essa convergência for possível, esses eventos funcionarão como plataformas de mobilização, escuta e construção coletiva, ampliando o alcance da iniciativa.
Entre os principais espaços com potencial de convergência destacam-se a Semana Nacional da Água, o Fórum Brasil das Águas, a World Basin Summit, no Rio de Janeiro, a Brazil Water Week, o Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, o Encontro Nacional de Águas Urbanas, o Encontro Nacional de Desastres e o Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, entre outros. Também serão considerados eventos acadêmicos, científicos e fóruns de governança hídrica que contribuam para ampliar o alcance temático e institucional do processo (ver Anexo II).
.4.1 Mobilização Territorial
Como dimensão complementar e estruturante, a iniciativa também buscará promover uma mobilização orientada pela diversidade regional brasileira, reconhecendo que os desafios e as soluções relacionados à água variam conforme os biomas, os padrões de ocupação do território, as dinâmicas econômicas e os contextos sociais..
Nessa perspectiva, os eventos e espaços de diálogo buscarão refletir as as especificidades regionais e as prioridades que emergem em cada contexto. Na região Norte, por exemplo, poderão ser discutidos temas relacionados à proteção da Amazônia, à gestão de aquíferos, aos impactos do desmatamento sobre os ciclos hidrológicos.. No Nordeste, os diálogos poderão contemplar, entre outros aspectos, convivência com a seca, dessalinização e segurança hídrica no semiárido. No Centro-Oeste, poderão ganhar relevância debates sobre irrigação sustentável, proteção de nascentes e gestão de mananciais e aquíferos. No Sudeste, poderão ser valorizados temas como saneamento urbano, revitalização de rios urbanos e inovação tecnológica aplicada à gestão da água. Já no Sul, os espaços de escuta poderão abordar a gestão integrada de bacias, os eventos climáticos extremos e a relação entre segurança hídrica e energética.
4.2 Mobilização dos colegiados e instâncias do SINGREH
Uma das frentes centrais de participação será a mobilização das instâncias colegiadas do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), reconhecendo o papel estratégico desses espaços na formulação de prioridades, no compartilhamento de experiências e no fortalecimento da governança da água no País.
Nesse âmbito, pretende-se engajar o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), os Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos (CERHs), os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBHs), bem como instâncias associadas aos processos de governança do sistema, como o Fórum Nacional dos Comitês de Bacia, redes e organismos de bacia.
Esses espaços poderão oferecer recomendações estratégicas, contribuir para a identificação de prioridades nacionais e territoriais e compartilhar experiências consolidadas de governança hídrica, gestão participativa e articulação interfederativa, fortalecendo a base institucional da contribuição brasileira.
4.3 Mobilização da sociedade civil e participação social
O Caminho buscará ampliar a participação da sociedade por meio de instrumentos de consulta e escuta, de forma a refletir a diversidade de visões, experiências e prioridades existentes no País. Essa mobilização ocorrerá principalmente por meio de consultas públicas digitais, com apoio na divulgação da iniciativa em eventos e espaços de diálogo.
A iniciativa buscará promover a inclusão de diferentes segmentos da sociedade, incluindo povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, juventudes, mulheres e organizações socioambientais, reconhecendo a importância de suas experiências e perspectivas na relação com a água. Para isso, poderá haver articulação com instâncias de governança participativa, como a Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, entre outras redes e espaços de diálogo.
Será disponibilizado um espaço on-line de contribuição, por meio de formulário eletrônico, no site do MIDR e na plataforma Brasil Participativo, permitindo a participação de pessoas, instituições e organizações que não possam se engajar presencialmente. Esse canal permitirá o envio de percepções, experiências e propostas relacionadas aos temas da Conferência, ampliando o alcance e a continuidade da mobilização.
As contribuições recebidas serão sistematizadas de forma estruturada, com o objetivo de subsidiar a elaboração do documento base brasileiro para a Conferência da ONU sobre a Água.