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DESENVOLVIMENTO REGIONAL
FNO eleva faturamento de 70% dos negócios financiados
Financiamentos do FNO elevam produção e melhoram qualidade de vida (Foto: Pixabay)
Brasília (DF) — Um estudo inédito encomendado pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) avaliou os impactos econômicos e sociais dos programas de crédito do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) em Tocantins. A pesquisa de campo, realizada em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), colheu as percepções de 293 pessoas jurídicas e físicas que obtiveram empréstimos por meio da política creditícia do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Os resultados apontam que 70% dos contratantes observaram maior faturamento depois de acessar os recursos. Além do incremento na receita, a pesquisa mapeou diversas perspectivas das dinâmicas produtivas estabelecidas pelos mutuários nos setores agropecuário, industrial e de serviços. O principal achado se refere ao aumento da capacidade produtiva.
- 77% afirmam terem impacto positivo na qualidade da produção
- 73% apontaram aumento na produção após a contratação do crédito
- 62% perceberam melhora na qualidade de vida
- 43% aumentaram a contratação de pessoas em seus negócios
A Coordenadora-Geral de Avaliação de Planos, Programas e de Instrumentos de Desenvolvimento da Sudam, Érika Almeida, afirma que a avaliação demonstrou o comprometimento da Sudam, como gestora do FNO, com o alcance e a efetividade dos financiamentos produtivos. “A Sudam foi a primeira superintendência a ir à campo e aplicar um questionário para saber a influência real do FNO na produção — se trouxe benefícios, o que melhorou, qual foi a percepção dos beneficiários —, e esse foi o nosso grande diferencial”, destaca.
Cadeias produtivas locais
O estudo também destaca o papel do FNO no fortalecimento das cadeias produtivas locais e na integração econômica da Região Norte. Segundo a avaliação, 40% dos entrevistados adquiriram insumos no próprio município para desenvolver seus projetos com a contratação do crédito. Outros 34% optaram por fornecedores de estados da mesma região, o que mostra a forte interdependência entre os produtores do Norte.Em complemento à dinâmica de aquisição de insumos, a pesquisa identificou o destino das vendas. Dos empreendedores entrevistados, 62% comercializam sua produção no próprio município de origem da matéria-prima. Enquanto isso, mercados em outros estados do Norte são alcançados por 24% dos mutuários, e somente 2% atendem à consumidores estrangeiros.
“O desafio que também identificamos é ampliar a competitividade, porque vimos que somente 12% das vendas dos contratantes são destinadas à outras regiões do país”, pontua Almeida.
Ao mesmo tempo, a avaliação da Sudam mostra que o FNO é visto como essencial para a economia da Região Norte. Para 83% dos mutuários, a região depende muito dos empréstimos do fundo, e 84% concordaram que sem a alocação de recursos, a região teria mais problemas.
Recortes de gênero, formalização e setor econômico
Os questionários que compõem a avaliação de impacto do FNO começaram a ser aplicados em junho de 2025 nos municípios de Gurupi, Palmas e Santa Rosa. No mês consecutivo, a pesquisa percorreu as cidades de Paraíso, Araguaína e Darcinópolis.
Na amostra analisada pelo estudo, cerca de um terço das contratações (32%) teve mulheres como beneficiárias, enquanto os homens representaram 68% dos contratantes. Em relação à idade, metade dos participantes tinha mais de 50 anos, 44% estavam na faixa entre 31 e 50 anos e apenas 6% tinham entre 18 e 30 anos. Quanto à formalização, a maioria dos que acessaram o empréstimo (57%) atuava como pessoa jurídica, mas uma parcela expressiva (43%) era formada por pessoas físicas.
A Coordenadora-Geral de Avaliação de Planos, Programas e de Instrumentos de Desenvolvimento da Sudam avalia que o perfil dos contratantes — com o crescimento da participação feminina e de empreendedores formalizados — mostra avanços importantes na política de crédito, especialmente na promoção da igualdade de gênero e na redução das desigualdades econômicas dentro das regiões.
“O percentual de pessoas físicas diz respeito aos pequenos produtores que obtiveram crédito. A pesquisa demonstra o alcance do FNO e o princípio de atender tanto a empresas formalizadas quanto a pequenos produtores”, ressalta.
A distribuição dos contratantes do FNO por setor econômico revela a predominância do comércio e um equilíbrio entre as atividades do campo e de serviços. Os tomadores de crédito do comércio corresponderam à 36% dos entrevistados, enquanto os setores da pecuária, agricultura e serviços corresponderam à, respectivamente, 19, 18 e 17% dos entrevistados, em relativo equilíbrio. O segmento da indústria era a ocupação de 4% dos contratantes de crédito do FNO.Escolha do Tocantins
Entre os estados da Amazônia Legal, o Tocantins foi escolhido para a realização do estudo com base em indicadores definidos pela superintendência e também por causa da limitação de recursos para financiar uma pesquisa mais ampla. “Fazer uma pesquisa de campo é muito custoso, porque uma equipe vai até o território, bate de porta em porta, faz entrevistas, e isso requer um recurso que nós tínhamos uma determinada limitação. A partir de dados e indicadores que levantamos, decidimos aplicar a pesquisa de campo primeiro no estado do Tocantins”, pontua a coordenadora-geral da Sudam.
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