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RETRATOS DO XINGU: PROJETOS QUE TRANSFORMAM O TERRITÓRIO
Apoio federal impulsiona arranjo produtivo do cacau no Pará
Apoio do MIDR permite que produtores de cacau do Pará avancem nas etapas de processamento e disputem mercados de chocolates finos (Foto: Mariana Alves/SDR/MIDR)
Altamira (PA) – Fortalecer a economia regional, agregar valor à produção da agricultura familiar e abrir novos caminhos para a geração de renda estão entre os principais resultados dos projetos apoiados pelo Plano Sub-regional de Desenvolvimento Sustentável do Xingu (PDRSX), coordenado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Criado em 2010 durante as obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, o plano financia iniciativas nos dez municípios que compõem o território Xingu-Transamazônica, no Pará.
Até 2026, o PDRSX apoiou cerca de 410 iniciativas, mobilizando R$ 361 milhões, com R$ 278 milhões já executados. Reforçando o compromisso com a região, um novo edital de R$ 40 milhões foi aberto em outubro de 2026 para novos projetos de impacto socioambiental.
Entre agosto e setembro deste ano, uma comitiva técnica do Ministério visitou sete projetos selecionados pelo Comitê Gestor do Plano como experiências de referência. A agenda acompanhou de perto as iniciativas, mediu resultados e recolheu depoimentos das comunidades atendidas.
O roteiro incluiu projetos como o Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF), as rádios comunitárias da região, as Reservas Extrativistas da Terra do Meio, a reforma e ampliação do hospital de Brasil Novo e a consolidação do curso de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira.
No eixo produtivo, ganharam destaque a cooperativa Cacau Way e a iniciativa Mulheres Gerando Renda, dois exemplos de como os aportes do PDRSX viabilizam agregação de valor, autonomia comunitária e acesso qualificado ao mercado.
Para dar visibilidade às iniciativas que vêm transformando a realidade local, o MIDR preparou uma série especial de reportagens sobre os projetos apoiados no território do Xingu-Transamazônica, intitulada Retratos do Xingu: projetos que transformam o território. A primeira reportagem destaca a trajetória da Cacau Way, que uniu agricultura familiar, tecnologia e amêndoas de excelência reconhecidas no exterior.
Cacau Way: chocolate amazônico com valor agregado
Localizada em Medicilândia (PA), polo nacional da produção de cacau, a Cacau Way é a fábrica de chocolates da Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans). Com um repasse de R$ 2,5 milhões do PDRSX, o empreendimento expandiu a agroindustrialização e a confecção de chocolates finos.

- Com aporte de R$ 2,5 milhões do MIDR, fábrica da agricultura familiar em Medicilândia diversifica portfólio com 140 itens e ganha reconhecimento internacional (Foto: Mariana Alves/SDR/MIDR)
O investimento ampliou a capacidade produtiva, permitiu diversificar o catálogo e aproximou os pequenos produtores das etapas mais rentáveis da cadeia, impactando positivamente centenas de famílias.
“Produzir chocolate na Amazônia envolve muitos desafios. Estamos longe de fornecedores de peças e de mão de obra especializada. Sem o PDRSX, não teríamos ultrapassado os 140 itens em nosso catálogo. O maquinário permitiu a verticalização da produção da agricultura familiar”, destaca Tarcísio Venturim, presidente da Coopatrans.
A agricultora Hélia Félix, coordenadora de projetos da cooperativa, reforça o compromisso com a qualidade da matéria-prima para garantir um produto diferenciado. “Em 2024, concentramos nossos esforços na seleção e fermentação das amêndoas, garantindo o padrão de excelência da Cacau Way. Como produtores, priorizamos uma matéria-prima pura, sem aditivos, gerando um chocolate natural voltado à saúde e ao bem-estar do consumidor.”
A qualidade da produção rendeu prêmios internacionais: as amêndoas da cooperativa foram laureadas no Cacao of Excellence Awards, em 2024 e 2026, em Amsterdã, e no Festival Internacional do Chocolate e Cacau de Belém, em 2024.
A experiência demonstra o potencial da agroindustrialização para ampliar a participação dos produtores familiares nas etapas de processamento e comercialização, fortalecendo a economia regional e a identidade produtiva do território.
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