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DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Terminal da Transnordestina no Piauí movimenta cargas e novos investimentos
Bela Vista do Piauí (PI) — A expansão da infraestrutura logística já começa a mudar a perspectiva de transporte de cargas no Piauí. Às margens da BR-020, no quilômetro 209, o Terminal Intermodal do Piauí (TIPI) avança em sua construção e já opera parcialmente no carregamento e transbordo de milho, sorgo, gesso agrícola e calcário. O empreendimento é um dos dez centros logísticos previstos para integrar a malha da Ferrovia Transnordestina.
Sob gestão da concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA), a estrutura fica situada no município de Bela Vista do Piauí (PI) e é um ponto estratégico para integrar o modal ferroviário ao rodoviário, ampliando sistemas logísticos e de varejo na região. Segundo a empresa privada do Grupo CSN, o investimento no TIPI será de R$ 50 milhões para um projeto que inclui um armazém com capacidade estática de 2 mil toneladas e quatro silos com capacidade para 16 mil toneladas de armazenamento. A inauguração está prevista para o primeiro semestre de 2027.
O terminal também será preparado para, futuramente, atender ao transporte de cargas minerais, uma perspectiva aguardada com grande expectativa pelo empresário Edvaldo Gomes Barbosa, 62 anos. A infraestrutura poderá viabilizar a exploração de minério de ferro e manganês em uma área prospectada em 2005 pela empresa da qual ele é sócio, localizada em São Raimundo Nonato. Como o município fica próximo ao TIPI, a sociedade adquiriu um terreno para construir um depósito para a extração mineral. “Estamos dependendo só da logística para que a gente possa tirar esse ferro e levar para o Porto do Pecém”, antecipou o empresário com o foco no mercado industrial chinês, responsável pela maior produção mundial de aço.
Segundo Edvaldo, além do ferro e manganês, as reservas de cobre na região têm atraído empresários interessados em escoar as commodities por meio da ferrovia. “A gente vê que a Transnordestina não é só um projeto do Governo Federal, já tem empresas querendo investir para que a gente possa levar esse minério o mais rápido possível. Existe uma expectativa grande dos empresários aqui na região desde o início da operação da ferrovia”, destacou Barbosa.
Com a autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no final de 2025, um trecho de aproximadamente 679 quilômetros da Transnordestina está liberado para o tráfego de cargas. O trajeto é cumprido em até 14 horas pela locomotiva. O percurso conecta os municípios de São Miguel do Fidalgo (PI), Acopiara (CE) e Salgueiro (PE). Além do TIPI, o Terminal Logístico de Iguatu (CE), também está em operação e tem capacidade para movimentar em torno de 20 mil toneladas por mês de grãos e farelo.
De acordo com a TLSA, a ferrovia terá capacidade anual para transportar 30 milhões de toneladas quando estiver em plena operação, atendendo os mercados de grãos, gesso agrícola, gipsita, minério e fertilizantes, entre outros.
Visita técnica
Em 22 de julho de 2026, uma comitiva formada pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e o ministro do Trabalho e Emprego, George Santoro, realizou uma visita técnica ao TIPI e presenciou uma demonstração de carregamento de mil toneladas de milho.
A visitação das autoridades à maior obra linear em construção no país sinaliza a prioridade do governo do Brasil com a finalização da ferrovia que transformará a economia do Nordeste. A Transnordestina terá extensão total de 1.206 km, dos quais 777 km estão concluídos, os outros 276 km estão em obras.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros (SNFI), vem destinando recursos para acelerar o início da operação ferroviária da Transnordestina. Desde 2023, a pasta elaborou estratégias de financiamento com o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) que somam R$ 4,4 bilhões. O ministro Waldez Góes destacou o impacto da obra para a região.
“São R$ 15 bilhões em investimentos, gerando mais de 5 mil empregos diretos. A obra está 82% concluída, e nós não podemos ainda calcular a quantidade de recursos da iniciativa privada que serão mobilizados em função de novos negócios e pela confiança daqueles que veem o desenvolvimento do semiárido nordestino com a Ferrovia Transnordestina saindo do papel”, ressaltou o ministro.
Terminais logísticos
Para compor a nova malha ferroviária, a operadora da Transnordestina prevê a instalação de nove terminais intermodais e um porto seco (veja lista abaixo). Até o momento, sete dos terminais serão construídos e operados pela própria TLSA, enquanto os outros dois e o porto seco serão de parceiros privados. Confira abaixo:
- Eliseu Martins/PI
- Bela Vista do Piauí/PI
- Trindade/PE
- Salgueiro/PE
- Missão Velha/CE
- Iguatu/CE
- Quixeramobim/CE (porto seco)
- Quixadá/CE
- Maranguape/CE
- TUP NELOG - Porto do Pecém/ CE
Com a entrada em operação dos terminais intermodais, a Transnordestina avança para se tornar uma nova espinha dorsal logística do Nordeste. Ao conectar áreas produtoras, centros de consumo e o Porto do Pecém, a ferrovia tem potencial para reduzir custos, ampliar mercados e fortalecer a competitividade regional, abrindo caminho para um novo ciclo de desenvolvimento ao longo de toda a sua malha.