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Política esportiva
Retorno do futebol no Brasil é debatido em reunião técnica na Câmara dos Deputados
Foto: frame de vídeo. Agência Câmara
A Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 da Câmara dos Deputados realizou, nesta quarta-feira (19.08), uma reunião técnica sobre o retorno das atividades do futebol brasileiro em meio à pandemia da Covid-19.
A Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania foi representada pelo secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor (SNFDT), Ronaldo Lima, que ressaltou que o Governo Federal não tem ingerência nas decisões de retomada das atividades do futebol brasileiro ou de qualquer outra modalidade.
“As entidades que compõem o Sistema Nacional do Esporte, como o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no caso do tema específico desta reunião, têm autonomia garantida por lei para definir o calendário de treinamentos e de competições”, explicou Ronaldo Lima.
“A Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania acompanha com atenção todos os protocolos de saúde e de prevenção ao Covid-19 definidos por essas entidades e mantém diálogo constante com as mesmas, sempre com o objetivo de proteger a saúde dos atletas e dos demais envolvidos na prática esportiva, mas é sempre importante ressaltar que a Secretaria Especial do Esporte, bem como o Governo Federal, não pode interferir em decisões tomadas pela CBF ou por qualquer outra entidade responsável pelo futebol ou por outras modalidades no país”, continuou o secretário.
A Secretaria Especial do Esporte acompanha com atenção todos os protocolos de saúde e de prevenção ao Covid-19 definidos pelas entidades e mantém diálogo constante com as mesmas, sempre com o objetivo de proteger a saúde dos atletas e dos demais envolvidos na prática esportiva, mas é sempre importante ressaltar que o Governo Federal não pode interferir em decisões tomadas pela CBF ou por qualquer outra entidade responsável pelo futebol ou por outras modalidades no país”
Ronaldo Lima, secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor
A reunião técnica desta terça-feira foi iniciativa do deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) e contou com a participação de diversos parlamentares e convidados, entre eles o secretário-geral da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Walter Feldman; o diretor-médico da CBF e coordenador do Protocolo Nacional da entidade, Jorge Pagura; o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim; o chefe do departamento médico do Flamengo, Márcio Tannure; o diretor médico do Corinthians, Ivan Grava; o presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil (ANATORG), Alex Sandro Gomes; além dos jornalistas Juca Kfouri, Benjamin Back e Wellington Campos.
Feldman ressaltou que o futebol é responsável por quase 0,8% do PIB nacional, e que gerou, em 2018, mais de R$ 52 bilhões em receita, além de 156 mil empregos naquele ano. Segundo o dirigente, o protocolo para a retomada foi feito levando-se em conta as orientações da área técnica do Ministério da Saúde em um processo que envolveu 142 médicos ligados ao futebol no país.
Jorge Pagura trouxe números referentes às testagens realizadas em todos os envolvidos antes do início do Campeonato Brasileiro das Séries A, B e C e durante as rodadas realizadas até aqui.
Segundo ele, antes da primeira rodada das competições 1.300 testes foram realizados, com 74 resultados positivos para Covid-19. Entre a 1ª e a 2ª rodadas, outros 1.400 testes foram feitos, com 26 resultados positivos. Já na terceira rodada, 1.500 testes foram conduzidos, com 16 resultados positivos nos 60 clubes das Séries A, B e C, números que demonstram uma queda rodada a rodada de casos positivos. Todos os que testaram positivos foram afastados das atividades até a realização de novos testes que indicassem a segurança ao retorno dos treinos e partidas.
“Temos quatro mil e poucos testes feitos. Pouca gente fez essa testagem e vamos ter com as estatísticas um estudo prospectivo da possibilidade de contaminação. Tem um dado muito importante que eu queria deixar claro aqui: não houve nenhum indício de contaminação de nenhum atleta durante jogos”, destacou Pagura.
“Isso vai muito de encontro a normas internacionais e às normas do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), que para que você possa ter uma contaminação a céu aberto você precisaria de um tempo de 10 minutos de contato muito próximo, a menos de um metro, com alguém contaminado para poder teoricamente vir a contrair essa doença”, detalhou o especialista.
A maior crítica à retomada das atividades no futebol veio por parte do jornalista Juca Kfouri, que lembrou o número de mortos no Brasil pela pandemia e atribuiu o retorno das competições a uma decisão política. Esse argumento foi posteriormente rebatido por Ronaldo Lima, que lembrou que o Governo Federal não tem ingerência sobre decisões das entidades esportivas brasileiras.
O Dr. Pagura também rebateu esse ponto ao ser chamado para responder algumas perguntas levantadas pelos participantes. “Vale a saúde. Não tenho nenhuma pressão da Confederação Brasileira de Futebol, na figura do seu presidente, para fazer absolutamente nada. Também não interfiro na organização dos campeonatos. A minha parte, decidida por clubes, federações, sindicatos e confederação, é fazer o máximo possível com responsabilidade, respeito ao próximo e seguindo rigidamente critérios científicos”, ressaltou.
A deputada Carla Dickson (PROS-RN) afirmou, já ao fim da reunião técnica: “Comecei essa reunião contrariada e indignada pela volta e pela classificação do futebol como algo essencial. No meu coração ficou a questão econômica muito forte, acima da paixão nacional. Só que hoje essa sensação que eu tinha de indignação começou a ser descontruída pela fala dos médicos trazendo a ciência em si. Para mim foi uma grata surpresa o resultado de conhecimento desta reunião”.
Jorge Pagura ainda ressaltou que todos os envolvidos na elaboração dos protocolos de segurança que orientam o retorno das atividades do futebol não terão problemas em modificar os protocolos para ajustá-los a situações específicas. Ele reforçou também que todas as decisões serão sempre discutidas entre médicos dos clubes, epidemiologistas envolvidos no processo e avaliações do Ministério da Saúde e das secretarias de saúde dos estados.
Diretoria de Comunicação - Ministério da Cidadania