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Instituto Daniel Dias receberá piscina olímpica usada nos Jogos Rio 2016
Daniel Dias à beira da piscina oficial da Rio 2016. Estrutura similar vai para projeto do atleta em Atibaia (SP). Foto: Washington Alves/CPB
A conta ainda não está fechada, pois Tóquio está por vir. Mas foi no Rio, em 2016, que o paulista Daniel Dias ampliou sua coleção de pódios em Jogos Paralímpicos para um patamar que o transformou no maior medalhista entre os homens da história da natação em Paralimpíadas. Com as quatro medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze conquistadas na capital fluminense há quatro anos, Daniel Dias chegou a 24 pódios no total. São 14 ouros, sete pratas e três bronzes divididos entre os Jogos de Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016.
Agora, mais do que as medalhas em sua coleção, Daniel Dias em breve terá outro pedacinho dos Jogos Rio 2016 para cuidar: uma das piscinas usadas nas Olimpíadas e Paralimpíadas no Brasil será doada ao Instituto Daniel Dias. Na semana passada, o supercampeão, que ainda tem no currículo 40 medalhas em mundiais (31 ouros, 7 pratas e 2 bronzes), esteve em Brasília para um encontro com o secretário Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Marcelo Magalhães. Na sequência, acabou recebido pelo presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.
“É uma alegria imensa receber uma piscina dessas, uma Myrta. A gente está feliz, porque tem a certeza de que essa piscina vai fazer a diferença na vida de muitas pessoas, que serão beneficiadas com o projeto”
Daniel Dias, multicampeão paralímpico na natação
Após intermediação do secretário Marcelo Magalhães, a Prefeitura do Rio de Janeiro doará uma piscina olímpica Myrtha Pools, usada nos Jogos Rio 2016, à Prefeitura de Estância de Atibaia, no interior paulista, que, por sua vez, a repassará ao Instituto Daniel Dias. “É uma alegria imensa poder receber uma piscina dessas, uma Myrta”, comemora o nadador, em referência a uma das mais modernas do mundo. “A gente está muito feliz, porque tem a certeza de que essa piscina vai fazer a diferença na vida de muitas pessoas, que serão beneficiadas com o projeto que a gente foi apresentar aí em Brasília”, continua Daniel Dias, que contou como nasceu a ideia de criar um instituto para ajudar outras pessoas.
“Pelas redes sociais eu recebia muitas mensagens de famílias que tinham crianças com deficiência e de pessoas que tinham adquirido deficiências dizendo que tinham me visto nadar. Elas queriam saber como praticar um esporte paralímpico, como podiam fazer, e eu não tinha o que oferecer”, lembra. “Eu tinha que indicar um lugar e às vezes a cidade onde eles estavam ou até mesmo aqui na região onde a gente está montando esse projeto do instituto não havia um projeto para o qual eu pudesse trazer essa criança, tirá-la de dentro de casa e mostrar essa ferramenta do esporte. O Instituto nasceu dessas mensagens, de uma conversa com meus pais, quando falei: ‘Poxa, a gente podia ajudar mais. A gente podia dar oportunidades”, prossegue.
“E foi aí que o Instituto surgiu, dessa ideia de realmente usar a ferramenta do esporte para dar oportunidade para que pessoas com deficiência possam entender que a deficiência não define quem somos. A deficiência pode ser até uma característica nossa. Se eu for me apresentar a vocês, posso falar: ‘Olha, sou o Daniel Dias, atleta paralímpico, tenho má formação congênita...’ Mas isso jamais vai ser uma definição. E é isso que a gente pretende com o projeto: trazer crianças para o esporte. E não vamos nos limitar a pessoas com deficiência. Vamos atender crianças com deficiência ou não. Crianças que estejam dispostas a conhecer o esporte e transformar suas vidas”.
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| Daniel Dias mostra uma das quatro medalhas de ouro que conquistou nos Jogos Rio 2016. Foto: Gabriel Heusi/rededoesporte.gov.br |
Nova etapa
Se hoje a gente atende mil pessoas, a gente quer duplicar isso ou até triplicar, para que mais crianças tenham a oportunidade de conhecer esse esporte que sou até suspeito para falar, pois é algo que eu amo”
Daniel Dias
O Instituto Daniel Dias foi fundado em 2014. Agora, com a doação da piscina, ele entrará em nova fase. “O Instituto já existe há mais de cinco anos, mas a gente não sabia como fazer mais. Eu faço parte do Conselho Nacional de Atletas (CNA), tivemos uma reunião com a Fabíola Molina (secretária Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social – Snelis, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania) e a Fabíola apresentou alguns projetos que o governo incentiva. E aí eu pensei: ‘O Instituto faz isso e é disso que a gente precisa’”, lembra.
“Aí falei com a Fabíola, mostrei o projeto que a gente já tinha montado e ela falou que eu tinha de vir a Brasília para apresentar. Ela disse que o Marcelo iria gostar e, de fato, ele gostou muito e acabou ajudando bastante na doação da piscina. Sem dúvida, isso vem coroar o que para gente é algo especial, já que agora o projeto pode fazer ainda mais diferença na vida de mais crianças”, prossegue o nadador.
Animado com a chegada da piscina olímpica, Daniel Dias deu mais detalhes do que espera atingir nesta nova etapa. “O projeto vai funcionar em Atibaia, em São Paulo, onde estamos firmando uma parceria entre o Instituto e a Prefeitura, que já tem um projeto lindo lá. Vamos agregar. Se hoje a gente atende mil pessoas, a gente quer duplicar isso ou até triplicar, para que mais crianças tenham a oportunidade de conhecer esse esporte que sou até suspeito para falar, pois é algo que eu amo”, explica.
Daniel Dias ainda não tem uma data precisa para o início dos trabalhos na nova piscina, mas espera que o processo de doação e de instalação não se estenda. “A gente gostaria, se pudesse, que fosse ontem”, diz. “Gostaríamos que fosse o quanto antes, mas tem tudo isso que estamos passando, da pandemia, e tem a questão da documentação que temos que assinar para receber. Então, acho que a previsão é janeiro. Como é uma piscina rápida de montar, esperamos que até em meados do ano que vem a gente já possa dar o start”.
Pedacinho do Rio 2016
Para Daniel Dias, a chegada de um equipamento tão especial quanto uma piscina usada nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 servirá como inspiração ainda maior às crianças e jovens atendidos pelo projeto. “Isso é legado. Às vezes a gente pensa que, porque aconteceu no Rio, o legado é só ali. Não. O legado é para o país. Vai ser bom trazer um pedacinho dos Jogos do Rio 2016 para cá. Fez parte da minha vida, transformou a minha vida, e agora vai poder transformar a vida de muitas crianças”.
Diretoria de Comunicação - Ministério da Cidadania
