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Inclusão social e direitos humanos no futebol são debatidos em webinar do Integra Brasil
As potencialidades e desafios do futebol como ferramenta inclusiva estiveram em evidência na tarde desta quinta-feira (08.07) em mais uma edição dos webinares do programa federal Integra Brasil. O evento faz parte da série de seis encontros previstos na 2º Jornada do programa. A iniciativa reuniu gestores e especialistas dos ministérios da Cidadania e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, além de representantes do desporto adaptado e do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Um dos objetivos essenciais do Integra Brasil é unir a paixão nacional pelo futebol com a promoção aos direitos humanos, e fazer com que a partir do esporte exista uma discussão ampla sobre educação, saúde, lazer e inclusão social. No webinar desta quinta, o tema da inclusão foi vivenciado na prática, com o uso da audiodescrição para que todos pudessem entender e visualizar o que estava sendo apresentado.
“O que vemos dentro do campo é o espetáculo, mas o que acontece extracampo é um trabalho maior. É aí que entra a inclusão. Sabemos que ela só vai acontecer mediante a consciência de todos nós”, afirmou Ronaldo Lima, secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério da Cidadania, que abriu o seminário. “É um trabalho incessante, invisível, mas que tem uma significância e uma profundidade muito grande”.
O secretário nacional do Paradesporto, Agtônio Guedes, frisou que utilizar o futebol como ferramenta de promoção da igualdade de oportunidades é necessário e produtivo. “A linguagem da bola é universal, mas ainda não está acessível. Precisamos ampliar as possibilidades de intervenção do futebol, esporte mais praticado no Brasil”, disse.
Agtônio destacou a existência de várias vertentes esportivas que não são lembradas, mas levam o nome do Brasil ao exterior, como o esporte para atletas com síndrome de Down, para pessoas com deficiência intelectual, o futebol de sete (exclusivo para atletas com paralisia cerebral) e o Power Soccer (voltado para cadeirantes).
“São organizações com eventos nacionais e internacionais em que o Brasil é referência, mas que internamente ainda não foram valorizados. Ainda há uma carência grande da divulgação das modalidades que não estão no programa oficial dos Jogos Paralímpicos, pois elas ficam ainda mais alheias a esse processo”. Até por isso, ele exaltou a importância do evento desta tarde. “Momentos como esse fazem com que o debate do futebol ganhe dimensão interministerial. Isso aumenta a responsabilidade e o nível da discussão”.
Priscilla Gaspar ressaltou o caráter gradual das conquistas na área da inclusão. Ela é a primeira pessoa surda, usuária de uma língua visual, a ocupar um cargo de destaque no alto escalão do Governo Federal. Priscilla é secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. No evento, ela lembrou que a Convenção sobre direitos da pessoa com deficiência dita que a participação da pessoa com deficiência na vida cultural e recreação, lazer e esporte é vista como um direito fundamental.
“O esporte é uma estratégia importante para inclusão das pessoas com deficiência por ser uma eficaz forma de interação social. O esporte eleva a qualidade de vida dentro da comunidade. Une as pessoas, afasta diferenças e leva todos ao caminho do respeito”.
História de mudança
Uma outra característica comum no esporte adaptado e que mereceu abordagem no webinar é o caráter de abrir janelas para novas oportunidades e ressignificações. “Antes da pandemia, o futebol de amputados era a modalidade amadora que mais crescia no Brasil e no mundo. Ele existe em mais de 40 países com grandes campeonatos, como Eurocopa e Copa América. O Brasil é tetracampeão mundial”, ressaltou Alex Fabiano, vice-Presidente da Associação Baiana de Desporto Adaptado. Ele, que perdeu a perna aos 13 anos, encontrou na modalidade a esperança de manter o sonho de atuar nos gramados.
“Eu estava numa situação em que não tinha perspectiva alguma de esporte. O futebol de amputados mudou minha vida. Desde que comecei, não teve um dia em que não pensei no futebol. Isso me fez viver a emoção de disputar uma partida novamente.”
Quem notou Alex foi Luciano Reis, presidente da associação. Hoje, os dois trabalham juntos para identificar histórias similares e torná-las realidade. “Temos um trabalho de visitar a pessoa assim que ela perde a perna ou o braço. Procuramos saber, dar apoio. Para uma criança que perde um membro do corpo e tinha o sonho de ser jogador de futebol, é muito difícil. Por isso damos esse apoio inicial. Depois, a gente se adequa e corre atrás para apresentar o futebol adaptado”.
O Coordenador de Desporto Escolar do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Ramon Souza, também participou do webinar e demonstrou as frentes de trabalho e projetos do CPB. Representando o MMFDH, a secretaria executiva, Tatiana Alvarenga, além da secretária Executiva Adjunta, Viviane Petinelli, e o diretor de políticas de proteção da juventude, Gerson Vicente de Paula Junior, estiveram presentes.
Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania