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Lei de Incentivo
Com suporte da Lei de Incentivo, Remo meu Rumo promove inclusão e inserção no mercado a jovens com e sem deficiência
Entre remadas e braçadas viabilizadas com recursos captados via Lei de Incentivo ao Esporte, o projeto Remo meu Rumo se consolidou em São Paulo ao adotar uma fórmula que congrega ferramentas e habilidades da canoagem, da natação e do remo em um trabalho voltado a unir pessoas com e sem deficiência. A iniciativa parte do esporte para trabalhar desenvolvimento físico e reabilitação ortopédica e psíquica, promovendo fatores como confiança, independência e inserção no mercado. “Já tivemos aqui alunos que foram para o alto rendimento, mas nossa questão é de vivência mesmo, é de sair de casa, é algo mais profundo do ponto de vista de valores, de formação humana, de cidadania”, afirma Ricardo Marcondes Macéa, diretor executivo e fundador do instituto ao lado do remador e executivo Candido Leonelli.
É sempre bom conhecer gente nova e me conectar com pessoas que passam pelas mesmas vivências que eu. Praticar atividades físicas e ver meu corpo se modificando por meio dos exercícios me faz bem, mostra que podemos construir nossos destinos”
Otávio Oliveira Amorim, 18 anos
As atividades ocorrem na Raia Olímpica da Universidade de São Paulo (USP). Muitos dos alunos são pacientes em tratamento no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, atendidos pela Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) ou pela rede de saúde da prefeitura paulistana.
Atualmente, integram o projeto 125 jovens com idade entre seis a 24 anos: 85 deles com deficiência e 40 sem deficiência. “Ambientes focados apenas em pessoas com deficiência, por exemplo, segregam. A nossa ideia é agregar, integrar, para que haja inclusão verdadeira. Faz diferença na vida dos atendidos e das famílias”, diz Patrícia Moreno Grangeiro, idealizadora e coordenadora acadêmica do instituto.
“É sempre bom conhecer gente nova e me conectar com pessoas que passam pelas mesmas vivências que eu. Praticar atividades físicas e ver meu corpo se modificando por meio dos exercícios me faz bem, mostra que podemos construir nossos destinos”, relata Otávio Oliveira Amorim, de 18 anos, um dos alunos. Ele tem paralisia cerebral e participa das atividades há um ano. Canoagem, treinamentos de resistência, remo e fisioterapia passaram a fazer parte do cotidiano do jovem.
Além das aulas, é oferecido atendimento multidisciplinar, com professores de Educação Física (Daniela Alvarez e César Moreira, ambos ex-atletas de canoagem e remo e técnicos de seleções de canoagem e remo paralímpicos), fisioterapeutas (Moises Laurentino e Fernanda Gomes), psicóloga (Natália Souza) e assistente social (Jennifer Balbino), além de oportunidades de estágios em empresas. Nesse período de pandemia, muitas das ações estão ocorrendo de forma adaptada e online.
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Karol é uma das "veteranas" no
projeto. Há cinco anos frequenta as aulas. Foto: Divulgação |
Esse é o sétimo ano que o Remo meu Rumo participa da Lei de Incentivo ao Esporte, uma parceria com o Governo Federal que ajudou a expandir atividades. “A Lei foi fundamental para nosso crescimento e desenvolvimento. Com os recursos dela foi possível realizar a ampliação do atendimento e aumentar nossa credibilidade junto aos parceiros institucionais e empresas patrocinadoras”, avalia Ricardo. Nessa caminhada, o instituto captou com a iniciativa privada quase R$ 5 milhões em sete anos, R$ 1,5 milhão só no último ano.
Ao longo do tempo, cerca de 400 jovens passaram pelo projeto. Com cinco anos de atividades no Remo Meu Rumo, Karoline Ribeiro dos Santos é uma delas. A jovem tem paralisia cerebral e não tem dúvidas do quanto ganhou em confiança e independência.
“Por mais que a gente tenha dificuldade em algumas coisas, a gente percebe que consegue. Todo mundo se ajuda. É gratificante ver que cada um, mesmo com dificuldade, faz da sua maneira”, afirma ela, que ampliou o círculo de amizades nas aulas de remo, canoagem, fisioterapia e natação. “A gente, que é deficiente, precisa passar por muitos tratamentos, sempre está no hospital fazendo exames, então ter uma atividade física com pessoas que tem ou não deficiência é importante”.
Essa rotina, segundo ela, a estimulou inclusive a buscar a profissionalização. Hoje ela cursa o terceiro semestre de Tecnologia Oftálmica. “O projeto me estimulou a melhorar. Ajudou no meu equilíbrio, no meu emocional, a participar de grupos, a ter boa comunicação, a trabalhar com pessoas. Eles ensinam a gente a trabalhar como equipe”.
Segundo Ricardo, um dos conceitos do Remo meu Rumo é auxiliar nesse ciclo dos jovens da escola ao ingresso na vida profissional. “A gente tenta abrir portas. A transição para o mercado de trabalho já é uma fase puxada para todos, e mais ainda para uma pessoa com deficiência. O objetivo é que o jovem se fortaleça e siga rumo à vida adulta buscando independência”.
Na opinião de Leonardo Castro, diretor do Departamento de Incentivo e Fomento ao Esporte do Ministério da Cidadania, a Lei de Incentivo vem cumprindo seu papel, tanto no desenvolvimento do esporte quanto nas ações de inserção social por meio dos projetos chancelados em todo o país. “Hoje, a Lei de Incentivo do Esporte é a ferramenta de financiamento público esportivo mais democrática que temos. Ela atende a projetos de qualquer faixa etária, de qualquer modalidade, seja olímpica, paralímpica, de esporte formal, não formal, seja esporte de alto rendimento, educacional ou de participação, seja voltado para crianças, adultos, idosos ou pessoas com deficiência”, afirma. “A Lei de Incentivo tem a capacidade de fazer essa transformação social de uma determinada região por meio de bons projetos e de boas parcerias”, completa.
Lei de Incentivo
Sancionada em 29 de dezembro de 2006, a Lei nº 11.438 tornou-se um importante instrumento para o desenvolvimento do esporte brasileiro em todos os níveis. Desde que foi implementada, em 2007, a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) destinou mais de R$ 2,67 bilhões para três vertentes: projetos voltados ao esporte como lazer – chamado de esporte de participação –, ao esporte como instrumento de educação e ao esporte de alto rendimento. Por ano, cerca de 400 mil pessoas são beneficiadas por projetos viabilizados via LIE.
Por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, pessoas físicas e jurídicas podem incentivar projetos esportivos de modalidades olímpicas, paralímpicas e outras, por meio de doações ou patrocínios, usando para isso um percentual a ser descontado do valor devido ao Imposto de Renda.
Pessoas físicas possam deduzir até 6% do Imposto de Renda devido. Para pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real é permitido a dedução de até 1% do Imposto de Renda devido.
Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania
