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De beneficiário do Bolsa Família a diplomata: história de superação mostra força das políticas sociais
Douglas Almeida, ex-beneficiário do Bolsa Família e, agora, diplomata
Além de contribuir para que as famílias mais pobres tenham comida na mesa, o Bolsa Família tem como objetivo possibilitar que crianças e adolescentes frequentem a escola e, por meio da educação, tenham um futuro melhor, com autonomia financeira. A história do Douglas Rocha Almeida, de 31 anos, é um exemplo de como essa política pública pode transformar realidades. Beneficiário do Bolsa Família quando criança, agora adulto, Douglas foi aprovado no concurso do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e se tornou diplomata em janeiro deste ano.
Essa conquista nem passava pela cabeça do Douglas, quando ele ainda cursava o ensino fundamental, na cidade de Luziânia, interior goiano. “Eu não tinha perspectiva de fazer faculdade um dia, por conta da ausência de exemplos na família. Não tinha ninguém que tivesse ingressado na universidade. Só quando fui para o ensino médio, no Distrito Federal, é que dois dos meus tios entraram na faculdade”, relembrou Douglas.
Na infância, via a mãe Francisca Aparecida Ferreira Rocha sair para trabalhar como diarista, e o pai, Neilson Cardoso Almeida, como pedreiro. “Quando os meus pais separaram a renda em casa caiu bruscamente. Então a minha mãe teve acesso a uma renda que foi importante para a gente não passar fome e, por conta de programas como Bolsa Família, mas também do trabalho que ela realizou, a gente nunca passou nem perto de fome, o que para quem estuda é uma garantia fundamental, basilar”, destacou.
Aluno de escola pública durante toda a vida, Douglas cursou Letras/Espanhol na Universidade de Brasília (UnB), período em que despertou nele o interesse pela faculdade de Relações Exteriores. Foi aí que outra importante política pública se somou em sua vida: o Programa Universidade Para Todos (ProUNI). Com boa pontuação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conseguiu uma bolsa que cobria o valor total do curso em uma instituição particular de Brasília. Douglas se formou em Relações Exteriores. Crescia ali o sonho pela diplomacia.
Para ser diplomata no Brasil, o candidato precisa passar em um dos concursos públicos mais complexos do país. As provas exigem domínio em áreas como Geografia, História, Política e Economia e a fluência em ao menos duas línguas estrangeiras, sendo obrigatório o Inglês. Douglas tinha o sonho e foi em busca de realizá-lo. Enquanto servia mesas como garçom, estudava para as provas que o levariam ao Itamaraty.
Foram quatro tentativas antes da aprovação. Por ter se saído bem na penúltima delas, foi comtemplado com uma bolsa de R$30 mil do Instituto Rio Branco para se dedicar integralmente aos estudos. A Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia é um programa destinado a candidatos negros que concorrem às vagas reservadas e demonstram bom desempenho no concurso de admissão à carreira de diplomata. Com seis meses dedicados 100% ao estudo, a aprovação veio em 2025.
O menino negro, de família pobre, morador de periferia, que não tinha expectativas de se formar no ensino superior, vai representar o Brasil em outras nações. Agora, a dona Francisca se diz completa: “ele realizou o meu sonho, de ver ele formado, diplomata. Eu dei a ele tudo o que eu não tive”. Questionada sobre a relevância do Bolsa Família para esta conquista, ela assegurou: “Foi muito importante. Era com o benefício que eu comprava as coisas para casa, comprava comida, material escolar”. Além do Douglas e da mãe, o Bolsa Família ajudava no sustento de mais três filhas.
“Eu fico comparando as oportunidades que tive com as que minha mãe teve. Como a exigência de que a criança permaneça na escola para que o Bolsa Família seja concedido, e por ser um desejo da minha mãe, eu pude estudar. Na época em que minha mãe era criança, não tinha esse benefício. Ela queria ser policial, mas teve que trabalhar aos nove anos e não concluiu a escola”, lamentou Douglas.
Douglas ocupa o cargo de terceiro-secretário e frequenta o Curso de Formação de Diplomatas (CFD) no Instituto Rio Branco. O presente tão próspero não fez com que ele esquecesse um passado de muito trabalho e dedicação. “Porque minha mãe foi beneficiária do Bolsa Família, hoje eu estou em uma das carreiras mais bem remuneradas do Executivo, conquistada com muito suor, muito estudo, mas não foi só, nem principalmente o esforço individual. Acho que o crédito maior foi desse momento histórico que eu vivi e o Bolsa Família ajudou muito”, diz, agradecido.
“Filhos do Bolsa Família”
Desde 2014, 70% dos adolescentes que estavam em lares que recebiam o benefício, deixaram de depender dele, segundo o estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”. O levantamento foi realizado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Em média, independentemente da idade, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025. A saída mais elevada foi entre os adolescentes: 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% na faixa de 15 a 17 anos.
“Histórias como a do Douglas mostram que o Bolsa Família e outras políticas públicas sociais e de educação estão no caminho certo, estão mudando vidas para melhor. Os filhos do Bolsa Família crescem e deixam o programa justamente pelo aumento de renda, por não precisarem mais do benefício. É isso que o Governo Lula trabalha para conquistar”, analisou o ministro MDS, Wellington Dias.
Assessoria de Comunicação - MDS