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Brasil que Cuida
Campus da UFRB em Amargosa (BA) recebe cuidoteca
Edivânia Ribeiro é estudante e mãe. Desde que entrou na universidade, uma questão a incomodava: como estudar e cuidar de seu filho. Aluna do curso de pedagogia na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) no campus de Amargosa (BA), juntou-se a outras estudantes que também eram mães.
“Eu entrei aqui em 2019 e desde então tinha essa inquietação, da gente não ter um espaço para que nossas crianças fiquem enquanto a gente estuda. E o tempo ia passando e eu percebia que essa inquietação não era só minha”, relembrou Edivânia.
Na última sexta-feira (20.03), foi inaugurada a Cuidoteca Ciranda UFRB, um espaço dedicado a abrigar e cuidar de filhos de estudantes e servidoras da instituição. O local poderá atender até 40 crianças com ou sem deficiência, com idades entre três e 12 anos, oferecendo acolhida, cuidado e alimentação por agentes de cuidado, em um ambiente seguro, acessível e preparado para o bem-estar infantil. “Eu gosto de vir com a minha mãe para a universidade”, declarou o pequeno Pedro, filho de Edivânia, de oito anos.
As cuidotecas fazem parte do Plano Nacional de Cuidados - Brasil que Cuida e são viabilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a partir da lógica de corresponsabilidade social entre o Estado e a família, olhando, ao mesmo tempo, para quem cuida e quem requer cuidado.
De acordo com uma pesquisa realizada pela própria UFRB, em 2024, foi mapeada a presença de 60 mães estudantes vinculadas ao Centro de Formação de Professores, no Campus Amargosa, responsáveis por 71 crianças, com idades entre zero e 12 anos.
Desse total, 43 crianças necessitam de apoio no período noturno. Esses dados evidenciam uma demanda urgente por políticas institucionais que garantam condições efetivas de permanência para estudantes em situação de cuidado, especialmente mulheres mães, que historicamente enfrentam barreiras estruturais no acesso e na continuidade da formação superior.
“Existe uma reivindicação justa de jovens mães nas universidades brasileiras. Mas essa ação tem que se realizar como política de Estado. A UFRB é a única experiência do tipo no interior do Brasil. Essa experiência vai ser viabilizada no Centro de Formação de Professores acompanhada e monitorada, no sentido de contribuição no desenho do futuro dessa ação”, apontou a reitora da UFRB, Georgina Gonçalves.
Segundo a coordenadora-geral de Integração de Políticas de Cuidado da Primeira Infância e da Pessoa Idosa, Lisane Lima, a concepção da cuidoteca foi pensada para dar oportunidade para que mães não tenham suas trajetórias de estudo e trabalho interrompidas.
“O Governo Federal hoje tem trabalhado muito intensamente para que a Política Nacional de Cuidados chegue nos territórios”, comentou a coordenadora da Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família do MDS sobre a interiorização da ação.
Experiência e diversidade
A Cuidoteca Ciranda UFRB começou a operar no dia 16 de março, junto com o ano letivo da universidade. Nesse primeiro momento, o espaço funciona às quartas e sextas-feiras no período da manhã, segundas, terças e quartas no período da tarde e todos os dias no período noturno.
Coordenadora de Políticas Afirmativas da UFRB e responsável pelo projeto na universidade, Rafaela Lima aponta para o caráter inovador do espaço. “É o primeiro espaço de cuidado oficialmente na UFRB, de modo institucional. Quando uma mulher mãe permanece na universidade, tantas outras também conseguem permanecer”, constatou.
“Quando o ministério coloca para a universidade essa missão de receber esse espaço para que a gente possa experimentar essa vivência é para que a gente de fato possa construir uma política institucional, uma política nacional de atendimento para essas crianças na universidade”, prosseguiu Rafaela Lima.
O espaço físico destinado ao projeto conta com sala para atividades lúdicas, com instalações adequadas às faixas etárias que serão atendidas. É um lugar aconchegante, que está sendo organizado para melhor atender as crianças.
O banheiro é adaptado para o público atendido, com os recursos para a realização da troca de fraldas, caso seja necessária. O ambiente foi organizado para contribuir com o desenvolvimento emocional e social das crianças e para garantir conforto nos momentos em que precisarem de descanso.
São priorizadas para inscrição na cuidoteca: Famílias monoparentais chefiadas por mulheres; Famílias inscritas/os no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Mães, pais ou outras pessoas responsáveis pelo cuidado das crianças no âmbito familiar que tenham ingressado por meio de Políticas Afirmativas nas instituições de ensino superior, ou que atendam a outro critério étnico-racial estabelecido pela instituição; Mães, pais ou outras pessoas responsáveis pelo cuidado das crianças no âmbito familiar que tenham ingressado por cotas sociais nas instituições de ensino superior; Pessoas com deficiência ou que cuidem de crianças com deficiência.
Segundo Fernanda Souza, coordenadora pedagógica da cuidoteca em Amargosa, as crianças são acolhidas por dez agentes de cuidado, oito já previstos no projeto e mais dois bolsistas da instituição. Esses estudantes vêm de diversos cursos além da graduação de Pedagogia, envolvendo tanto alunas quanto alunos também.
"A presença dessa diversidade de estudantes incluindo meninos e meninas, agentes de cuidado homens e agentes de cuidado mulheres, nos desafia a entender que cuidar de crianças na nossa sociedade não pode ser uma responsabilidade exclusiva de mulheres. Essa é uma responsabilidade de toda sociedade", explicou Fernanda Souza.
Assessoria de Comunicação - MDS