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Medalhas dos JEB’s: objetos de desejo têm conceito inclusivo e são fonte de aprendizado
Na parte frontal das 3.354 medalhas que serão distribuídas ao longo dos JEB’s 2022, há uma estilização de uma chama. Uma chama que não se apaga. O conceito está presente em cada arena do megaevento esportivo que reúne 17 modalidades para estudantes-atletas de 12 a 14 anos das 27 Unidades da Federação no Rio de Janeiro. Tanto para os que sobem ao pódio quanto para os que, desta vez, ficam pelo caminho.
O conceito é de dar oportunidade de premiação a mais estudantes-atletas. Fazemos um nivelamento e depois três torneios à parte (séries ouro, prata e bronze), todos com troféus e medalhas"
Glenda Alves, gerente técnica dos JEB's
“O bom judoca não é só aquele que joga o outro de costas no tatame. É também aquele que cai e se levanta. E eu vou conseguir me levantar”. A frase é de Maria Clara Rodrigues, de 14 anos, a mesma atleta que se emocionou ontem ao ter um encontro com sua referência no esporte, a bicampeã mundial Rafaela Silva . No tatame montado na Arena Carioca 3, Maria Clara teve uma estreia de dez segundos. Foi projetada em ippon pela gaúcha Sarah Mendes.
A atleta goiana do pequeno município de Itapuranga, no entanto, não perdeu nem um minuto se lamentando. “Peguei logo na estreia uma faixa marrom. Ela é mais graduada. Perdi a chance na série prata, mas tenho chances na série bronze. Vou subir naquele pódio ainda”, prometeu.
Maria Clara faz referência a uma novidade no regulamento dos JEB’s em 2022. A competição ampliou para os esportes individuais as divisões entre séries ouro, prata e bronze, que já tinha sido adotada em 2021 nas modalidades coletivas.
“O conceito é de dar oportunidade de premiação a mais estudantes-atletas. A gente usa a fase classificatória para nivelar os meninos e meninas. Geralmente os que ficam de primeiro à oitavo disputam a série ouro. Do nono ao décimo sexto ficam na série prata e do décimo sétimo ao vigésimo quarto, na série bronze. Após esse nivelamento, fazemos três torneios à parte, todos com troféus e medalhas”, explicou Glenda Alves, gerente técnica geral dos JEB’s.
Primeiros medalhistas
Quem saiu do Velódromo do Parque Olímpico da Barra no topo dessa escala foi Yago Lima, de 14 anos. O ginasta que representa o Minas Tênis Clube de Belo Horizonte (MG) se tornou o primeiro medalhista de ouro da edição 2022 dos JEB’s. Yago conquistou o título do individual geral, ao lado de Rafael Araújo (RJ), com a prata, e de Gabriel de Souza (SC), com o bronze. Yago ainda integrou o time mineiro que faturou a competição por equipes, ao lado de Diogo Silva e Ivan de Oliveira.
É minha primeira vez nos JEB’s. Ano passado estava lesionado, mas desta vez deu tudo certo. Ser o primeiro medalhista me deixa muito feliz”
Yago Lima, ginástica artística (MG)
“É minha primeira vez nos JEB’s. Ano passado estava lesionado, mas desta vez deu tudo certo. Ser o primeiro medalhista me deixa muito feliz”, comentou o atleta brasiliense de nascença, que tem como referência o principal generalista da ginástica artística nacional: Caio Souza. “Ele treina com a gente no Minas. É um grande apoio, um ídolo para mim”, completou.
Yago não escondeu, ainda, o orgulho a mais por ter uma performance de alto rendimento no mesmo palco que viu a dobradinha brasileira em 2016, com Diego Hypolito em segundo e Arthur Nory em terceiro na disputa do solo nos Jogos Olímpicos do Rio. “Para mim é uma motivação imensa. Tanto é que fui lá fora ver o muro das medalhas da Rio 2016 e vi os da ginástica. Olhei na internet também para ver eles competindo aqui. Tudo motiva”, relatou.
Para o treinador da seleção mineira, Guilherme Moschen, o resultado foi o melhor que se poderia imaginar. “Foi sensacional. Voltamos recentemente de uma competição nacional e os meninos estavam no ritmo adequado. Vamos retornar para casa com a sensação de dever cumprido”, celebrou o treinador.
Para ele, além da conquista das medalhas, a vivência do Parque Olímpico da Barra será algo que deixará marcas de longo prazo nos estudantes-atletas. “Esse ambiente proporciona uma experiência única. Ontem eles ficaram parados procurando as medalhas dos ginastas que ficam expostas no muro dos campeões olímpicos da Rio 2016. Essa estrutura gigante das arenas é impactante. Eles vão lembrar disso para o resto da vida”, avaliou.
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| Primeiros medalhistas saíram na ginástica artística. Yago Lima (MG) foi campeão no individual geral. Ao lado dele, Rafael Araújo (RJ) e Gabriel de Souza (SC). Foto: Claudia Martini/ Min. Cidadania |
Nem só de vitórias
Se para Yago o pódio foi realidade em dose dupla em 2022, outros olharam para as medalhas do JEB’s 2022 com um sentido de inspiração para seguirem firmes na caminhada esportiva. É o caso de Gabriel de Melo Krieger e de Gabriel Sodré Ferreira Real, representantes do vôlei de praia da Paraíba.
Eles ficaram encantados quando se depararam com as medalhas na bandeja reservada para as cerimônias de premiação, mas esportivamente não tiveram as melhores performances nas quadras de areia montadas na área externa do Centro Olímpico de Tênis. Ainda assim, já consideram que ganharam muitos ensinamentos na capital fluminense.
“Não é só desejo de ganhar que importa, mas aprender a viver sem a conquista. Para essa faixa etária, a questão da instabilidade emocional às vezes compromete. A gente não pode ser apenas vitória. É importante contornar as derrotas. Eles vão vencer e vão perder. A vida é assim. Às vezes não aceitar derrota implica um custo muito caro para a própria vida da pessoa”, afirmou Paulo Rosendo, técnico da dupla.
Enquanto isso, Luisa Dandara e Ândria de Souza, da seleção de futsal do Acre, ainda estão na fase do sonho. O time delas ganhou os dois primeiros jogos na competição e elas seguem firmes na ideia de voltar para Rio Branco com uma das medalhas no pescoço. “Ela é muito bonita. Muito top. Pesada. Se Deus quiser a gente consegue levar a de ouro”, afirmou Luisa.
Assessoria de Comunicação – Ministério da Cidadania
