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Entrevista com a Mestre em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP),
Sylvia Van Enck Meira
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Que faixas etárias estão relacionadas ao uso nocivo e à dependência de “jogos on-line”?
Quais critérios caracterizam a dependência de internet?
Para que a pessoa seja considerada dependente desta tecnologia, é necessário que preencha os cinco primeiros critérios e pelo menos um dos demais.
Como as famílias lidam com esta dinâmica?
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Gradualmente, os pais encontram dificuldades para estabelecer e manter limites em relação ao tempo de uso, especialmente junto aos adolescentes e, quando o fazem, muitas vezes entram em conflito com os filhos. Outro aspecto a considerar é a falta do diálogo entre os membros do núcleo familiar, bem como o modelo educacional apresentado pelos pais que também fazem uso desmedido da tecnologia em seus momentos de lazer, favorecendo o distanciamento dos filhos.
As famílias que convivem com um dependente de internet também adoecem? Como tratá-las?
a) fornecer o acolhimento aos pais e familiares para que possam trocar experiências e ter um espaço para reflexão sobre temas que emergem do próprio grupo, relativamente à comunicação entre pais e filhos, expectativas, estabelecimento de limites, crenças, valores... b) ampliar as possibilidades de resolução dos problemas enfrentados pelos pais no cotidiano com seus filhos e fornecer recursos para a aceitação destes a uma ajuda profissional, se necessária.
Quais os impactos do uso de álcool e outras drogas aliados na atual pandemia da Covid-19?
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O confinamento vivido em ambientes familiares hostis reforça a problemática das interações dificultando a convivência, e as pessoas que antes já faziam uso de álcool e/ou drogas, ou mesmo aqueles usuários ocasionais, nesta fase crítica, podem buscar com mais frequência estas saídas como forma de escapismo e alívio emocional das situações estressantes. O mecanismo de adição às drogas é o mesmo de adição à Internet, com a diferença que no segundo não há o incremento das substancias químicas, é comportamental. Mas cada um deles, se somados, contribuem para um padrão de comportamento de uso não controlado de álcool, drogas e Internet.
O que a motiva a trabalhar com este tema?
Como o OBID pode contribuir seu trabalho?
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Sylvia Van Enck Meira é psicóloga clínica pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC-SP), mestre em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP), especialista em Terapia Familiar e de Casal pela PUC-SP, terapeuta comunitária pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua em consultório particular. Co-autora de artigos científicos e capítulos de livros sobre Dependências Tecnológicas e Terapia Familiar. Palestrante em instituições de ensino, associações e entrevistas na mídia impressa, digital e televisiva. Profissional do Grupo de Dependências Tecnológicas do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (PROAMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, desde 2007. |
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