Comunidades de Quilombos
As comunidades quilombolas possuem trajetória histórica própria, forjada na resistência à escravização e defesa de territórios e modos de vida coletivos e ancestrais. Esses territórios expressam um projeto político, cultural e civilizatório baseado na reciprocidade, no bem-viver e na autonomia diante das violências do racismo, da colonização e do capitalismo.
São expressões vivas de sistemas próprios de organização social, agricultura, alimentação, espiritualidade, língua, cuidado e relação com a natureza. A identidade quilombola se manifesta nas práticas cotidianas de resistência — mutirões, festas, saberes intergeracionais, modos de curar, plantar e celebrar a vida.
A luta por território, justiça e dignidade é parte essencial da existência quilombola, desde os atos históricos de insubmissão e construção de territórios livres até os enfrentamentos atuais contra o racismo estrutural. Essa luta nasce da autodeterminação dos povos quilombolas, que mantêm seus territórios como espaços de vida plena, memória e liberdade, guiados por seus próprios princípios, formas de organização e sentidos de justiça.
Desde a Constituição Federal, alguns marcos jurídicos representam conquistas importantes da mobilização quilombola, mas não condicionam sua existência. Os quilombos afirmam diariamente seu direito de existir por meio de seus saberes e fazeres — praticando, na terra e no tempo, a liberdade que lhes é devida.

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