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Dos 38 atletas brasileiros já garantidos nas Olimpíadas de Tóquio, 90% são do Bolsa Atleta

Investimento federal no grupo de 34 esportistas supera os R$ 15 milhões no ciclo desde a Rio 2016. Levando em conta as 20 modalidades qualificadas, aporte do Ministério da Cidadania supera os R$ 150 milhões
Publicado em 08/01/2021 13h46 Atualizado em 11/01/2021 14h39
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Ana Sátila, da canoagem slalom, faz parte da lista de integrantes do Bolsa Atleta garantidos em Tóquio. Foto: Breno Barros/Min. Cidadania

A menos de 200 dias do início dos Jogos de Tóquio, o Brasil abre o ano olímpico com 180 vagas asseguradas para o país, em 20 modalidades. Nesse grupo, há 38 nomes já certos, e 34 (90%) integram o Bolsa Atleta, do Ministério da Cidadania. São 29 da categoria Pódio, a mais alta do programa, três da categoria Olímpica e dois da Internacional. Apenas nestes nomes, o investimento do Governo Federal no ciclo que teve início em 2017 foi de R$ 15 milhões. As demais vagas certas para o país ainda dependem de convocações e índices para terem seus representantes definidos.

A pandemia transformou um ciclo de quatro anos em um de cinco, e temos certeza de que esse recurso é importante para que os atletas possam seguir treinando e se preparando da melhor maneira possível para defender o Brasil nos Jogos de Tóquio”

Bruno Souza, secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério da Cidadania

O investimento do Governo Federal nas 20 modalidades em que o Brasil já carimbou o passaporte chega a quase R$ 150 milhões desde o fim dos Jogos Rio 2016. As que receberam maiores investimentos são o atletismo, com mais de R$ 24 milhões, seguido por natação, que teve aporte de R$ 14,9 milhões, handebol, com R$ 14,6 milhões, taekwondo, com R$ 11,9 milhões, e vôlei, com R$ 9,7 milhões.

 A Cerimônia de Abertura em Tóquio está agendada para 23 de julho. Como o calendário de competições classificatórias foi alterado em função da pandemia do novo coronavírus, até junho haverá definições das cerca de cinco mil vagas remanescentes.

A estimativa do Comitê Olímpico do Brasil (COB) é de que a delegação nacional tenha cerca de 250 atletas no Japão. Nos Jogos Rio 2016, o Time Brasil conquistou 19 medalhas: 7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes.  Desse total, apenas o ouro do futebol masculino não contou com bolsistas. Já nos Jogos Paralímpicos, todas as 72 medalhas foram alcançadas por beneficiados.

Diante de um 2020 sem competições e com dificuldades de treinamento para os atletas em função da pandemia, o Ministério da Cidadania garantiu a manutenção dos repasses do Bolsa Atleta e garantiu a extensão da Bolsa Pódio até Tóquio.  “Foi uma decisão do Governo Federal para manter esse incentivo essencial aos atletas, mostrando a preocupação com o esporte brasileiro e com a função social que desempenha”, afirmou o secretário Especial do Esporte, Marcelo Magalhães.

“A pandemia transformou um ciclo de quatro anos em um de cinco, e temos certeza de que esse recurso é importante para que os atletas possam seguir treinando e se preparando da melhor maneira possível para defender o Brasil nos Jogos de Tóquio”, completou Bruno Souza, secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento da Secretaria Especial do Esporte. 

A gente já tem um desafio gigante no sentido de treinamento, preparação, de como vai ser tudo até Tóquio. Imagina se eu tivesse também que me preocupar em como pagar as contas, da forma que, infelizmente, muitos brasileiros e pessoas no mundo inteiro estão vivendo agora? O Bolsa Atleta deu uma estabilidade que na maioria das profissões as pessoas não têm”

Aline Silva, com vaga garantida em Tóquio no wrestling

Apoio fundamental

Um dos nomes garantidos nas Olimpíadas, Ana Sátila, da canoagem slalom, que conquistou índices na C1 e K1 – mas pelas regras dos Jogos teve que optar por uma das vagas, no caso a da canoa – ressaltou a importância do recurso para se manter em alto nível, ainda mais neste ciclo atípico. “Continuamos recebendo o patrocínio e com toda a certeza, está sendo e sempre foi um diferencial grande na minha carreira. Com a ajuda da Bolsa Pódio posso me preparar melhor e ter a segurança de que meu treinamento será de qualidade e com todo suporte de que eu preciso”, afirmou a canoísta que integra a categoria mais alta da Bolsa Atleta, a Pódio.

Contemplada pelo programa desde 2009, Aline Silva, do estilo livre do wrestling, garante que a Bolsa Atleta permitiu que ela se dedicasse exclusivamente ao esporte sem ter que deixar a carreira de lado para conseguir se sustentar. “Eu falo da importância do programa para os atletas jovens, que já começaram a ter resultados na era do Bolsa Atleta e, talvez eles não entendam a importância dele para o esporte, porque sou de uma época que não havia Bolsa Atleta e passei muita dificuldade. Antes de existir o programa, os atletas conseguiam apoio às vezes numa padaria, num mercadinho e no outro mês já não sabiam como iam pagar a alimentação para o treino, a estadia, o transporte... Estávamos o tempo todo correndo atrás de apoio para pagar o nosso dia a dia, a sobrevivência”, relatou.

Ela lembra que passou necessidade e fez bico de segurança em boate antes do apoio governamental, que trouxe estabilidade para focar na luta livre. “Hoje é o que ajuda o atleta do alto rendimento a manter o padrão de vida, porque o esporte exige alimentação mais restrita e específica para você continuar nos mínimos detalhes competindo em alto rendimento. Antes do Bolsa Atleta não existia isso”, prossegue Aline Silva.

Com vaga na categoria -76 kg, ela se considera uma privilegiada diante dos contornos impostos a grande parte da população em função da pandemia. “A gente já tem desafio gigante no sentido de treinamento, preparação, de como vai ser tudo até Tóquio. Imagina se eu tivesse também que me preocupar em como pagar as contas, da forma que, infelizmente, muitos brasileiros e pessoas no mundo inteiro estão vivendo agora? O Bolsa Atleta deu uma estabilidade que na maioria das profissões as pessoas não têm”.

Vagas garantidas

Nos esportes coletivos, o Brasil classificou para os Jogos de Tóquio as seleções de futebol e de vôlei masculina e feminina, além de ter garantido as vagas no handebol e no rugby entre as mulheres.  O país ainda tem chances nos pré-olímpicos de handebol, rugby, polo aquático, basquete e basquete 3x3 entre os homens.

As outras vagas garantidas ainda sem representantes brasileiros definidos estão distribuídas da seguinte forma: 25 no atletismo, duas na canoagem velocidade, quatro na ginástica artística masculina, sete no hipismo, 12 na natação, cinco no tênis de mesa e uma no tiro com arco.

Programa Bolsa Atleta

Maior programa de patrocínio direto ao atleta do mundo, o Bolsa Atleta foi criado em 2005 e, ao todo, já concedeu mais de 69,5 mil bolsas, para 27 mil atletas, superando a marca de R$ 1,2 bilhão de investimento. Atualmente, 6.357 atletas estão contemplados em todo o país, num investimento anual de R$ 85,7 milhões. Já a lista vigente da Bolsa Pódio inclui 274 atletas com direito aos repasses do benefício, que variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil, com investimento total de R$ 36,7 milhões no ano.

CLASSIFICADOS (VAGA OU ÍNDICE) PARA OS JOGOS OLÍMPICOS TÓQUIO 2020:

Atletismo (25 vagas)

» 110m com barreiras masculino (2)
» 200m rasos masculino (1)
» 200m rasos feminino (1)
» 400m com barreiras masculino (2)
» 4x100m rasos masculino (4)
» 4x400m rasos misto (4)
» Salto com vara masculino (2)
» Salto triplo masculino (2)
» Arremesso do peso masculino (1)
» Decatlo masculino (1)
» Lançamento do disco feminino (1)
» Marcha Atlética – 20km masculino (1)
» Marcha Atlética – 20km feminino (1)
» Maratona masculino (2)

Canoagem slalom (2 vagas):

» Ana Sátila (C1 e K1)
» Pepê Gonçalves (K1)

Canoagem velocidade (2 vagas):

» Canoa masculino (2)

Futebol (36 vagas):

» Seleção feminina (18)
» Seleção masculina (18)

Ginástica Artística (5 vagas):

» Flavia Saraiva (individual)
» Equipe masculina (4)

Handebol (14 vagas):

» Seleção feminina (14)

Hipismo (7 vagas):

» Adestramento, individual (1)
» CCE, equipe (3)
» Saltos, equipe (3)

Maratonas Aquáticas (1 vaga):

» Ana Marcela Cunha - 10km (1)

Natação (12 vagas):

» 4x100m livre masculino (4)
» 4x200m livre masculino (4)
» 4x100m medley masculino (4)

Pentatlo Moderno (1 vaga):

» Iêda Guimarães (individual feminino)

Rugby Sevens (12 vagas):

» Seleção feminina (12)

Surfe (4 vagas):

» Gabriel Medina (1)
» Italo Ferreira (1)
» Silvana Lima (1)
» Tatiana Weston-Webb (1)

Taekwondo (3 vagas):

» Edival Marques "Netinho" - até 68kg (1)
» Icaro Miguel - até 80kg (1)
» Milena Titoneli - até 67kg (1)

Tênis (1 vaga):

» João Menezes* (1) Precisa estar entre os 300 do ranking mundial em 8/6/2020.

Tênis de Mesa (6 vagas):

» Equipe feminina (3)
» Equipe masculina (Hugo Calderano + 2)

Tiro com Arco (1 vaga):

» Masculino (1)

Vela (13 vagas):

» Fernanda Oliveira/Ana Barbachan - 470 feminino (2)
» Henrique Haddad/Bruno Benthlem - 470 masculino (2)
» Kahena Kunze/Martine Grael - 49er FX (2)
» Gabriel Borges/Marco Grael - 49er (2)
» Gabriela Nicolino/Samuel Albrecht - Nacra 17 (2)
» Robert Scheidt - Laser (1)
» Jorge Zarif - Finn (1)
» Patrícia Freitas - RS:X feminino (1)

Vôlei (24 vagas):

» Seleção feminina (12)
» Seleção masculina (12)

Vôlei de praia (8 vagas):

» Ágatha/Duda (2)
» Ana Patrícia/Rebecca (2)
» Alison/Álvaro Filho (2)
» Bruno Schmidt/Evandro (2)

Wrestling (3 vagas):

» Aline Silva - estilo livre - até 76kg (1)
» Lais Nunes - estilo livre - até 62kg (1)
» Eduard Soghomonyan - estilo greco-romano - até 130kg (1)

TOTAL: 180 vagas, em 20 modalidades
Fonte: Comitê Olímpico do Brasil (COB)

 Diretoria de Comunicação - Ministério da Cidadania