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Bolsa Atleta 2021

Bolsa Atleta: qualificados para os Jogos de Tóquio comentam o significado do programa do Governo Federal em suas caminhadas

Viagens, alimentação, suplementação, treinos particulares e investimento em material de qualidade estão entre as aplicações mais comuns dos recursos do programa. Lista com 7.197 contemplados no edital 2021 foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta
Publicado em 13/05/2021 08h15 Atualizado em 13/05/2021 11h08
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Luiz Filipe Manara, classificado para Tóquio no tênis de mesa e contemplado na categoria Paralímpica do Bolsa Atleta. Foto: Rodolfo Vilela/rededoesporte.gov.br

Quem recebe os recursos do Bolsa Atleta na conta reconhece a importância do auxílio, em especial aqueles que estão na reta final de preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio. Nesta quinta-feira (13.05), a Portaria nº 629, publicada no Diário Oficial da União reuniu os aprovados no edital 2021 do programa de patrocínio individual do Governo Federal. São 7.197, a maior lista da história.

"É muito importante ter esse apoio do governo na vida de um atleta para ele poder lidar melhor com o dia a dia, investir mais em si mesmo, em alimentação, suplementação, deslocamento até o clube", avalia Lucas Verthein, do remo, contemplado na categoria Internacional. "O dia a dia é muito importante para o atleta, faz diferença na hora de cruzar a linha de chegada em primeiro ou último. A Bolsa Atleta faz com que nós tenhamos uma certa tranquilidade para desenvolver o nosso potencial de forma maximizada", acrescenta.

O dia a dia é muito importante para o atleta, faz diferença na hora de cruzar a linha de chegada em primeiro ou último. O Bolsa Atleta faz com que tenhamos uma certa tranquilidade para desenvolver o nosso potencial de forma maximizada"

Lucas Verthein, do remo, classificado para os Jogos Olímpicos de Tóquio

No último mês de março, Lucas garantiu a vaga para Tóquio ao vencer a disputa do Single Skiff durante a Regata Continental de Qualificação Olímpica, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Agora, ele ocupa uma das 220 vagas do país já garantidas nos Jogos Olímpicos do Japão, em 25 modalidades. Desse total, 75 têm nome e sobrenome definidos até o momento e 71 (94,6%) são integrantes do Bolsa Atleta (os demais atletas dependem de convocações por parte das confederações). O investimento direto do Governo Federal via Bolsa Atleta nessas 25 modalidades supera os R$ 172 milhões no ciclo desde os Jogos Rio 2016. 

"A comemoração eu não consigo nem explicar. Fiquei muito feliz. Eu batia na água, gritava de felicidade. Agradeci a Deus por tudo o que estava acontecendo, abracei muito o meu treinador, que foi a pessoa que me ensinou tudo desde o primeiro momento. Foi um momento especial e estou feliz até agora", conta o jovem de 22 anos, que também venceu o Campeonato Sul-Americano da modalidade em março.

"Meus treinos agora vão se intensificar bastante", adianta. "A gente segue treinando firme, com o objetivo de fazer o melhor resultado possível nessa Olimpíada e, se Deus quiser, trazer uma medalha", sonha, sem esconder a ansiedade e a expectativa.

Sentimentos compartilhados pela carioca Ane Marcelle, do tiro com arco. "O coração está a mil, ainda mais sabendo que falta pouco tempo. Estou ansiosa, mas vou manter o foco e continuar treinando bastante para, se Deus quiser, conseguir essa medalha olímpica para o Brasil", deseja a atleta de Maricá, que garantiu a vaga para Tóquio também em março ao vencer o Pré-Olímpico das Américas no arco recurvo.

"Foi um combate emocionante. Eu estava confiante, com a certeza de que a gente iria levar a vaga porque foram meses de treinamento", relembra. "O que eu não tinha certeza era de que ficaria tão nervosa como fiquei. Graças a Deus consegui controlar o nervosismo e trazer a vaga para o Brasil", comemora a atleta, contemplada com a bolsa na categoria Olímpica.

"A bolsa ajuda muito, ainda mais atletas que não têm patrocínio. Com ela, consigo comprar meu material, pagar o meu transporte, porque vou e volto do CT todos os dias, então ajuda bastante. Com a bolsa renovada, vou poder me dedicar mais, treinar mais para chegar a Tóquio e fazer bonito", acredita.

Auxílio na pandemia

Mesmo diante da paralisação dos calendários esportivos em função da pandemia de Covid-19, o Governo Federal decidiu manter o pagamento do Programa Bolsa Atleta aos beneficiados. "Ainda bem que temos esse suporte. Se não tivesse, acredito que nem no caminho do esporte eu estaria mais, em especial nessa trilha que tenho desde 2007 com a seleção brasileira de tênis de mesa", avalia Carlos Carbinatti, que compete na Classe 10 do tênis de mesa paralímpico. A vitória nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, em 2019, garantiu o atleta nos Jogos de Tóquio.

Em todos os anos esse dinheiro me ajuda demais nos custos, em despesa de competição, de treinamento, de material, que é todo importado e caro. Na preparação final, o dinheiro desse novo edital vai entrar para bancar personal trainer, suplementação e treinamento particular"

Carlos Carbinatti, classificado para os Jogos Paralímpicos de Tóquio no tênis de mesa

Apesar de ser o seu terceiro título consecutivo no torneio continental, a vitória no Peru foi surpresa. "Foi inesperado porque não consegui me preparar do jeito que imaginava", relembra Carlos, que estava fazendo faculdade de Farmácia e morando distante do centro de treinamento. "Na aclimatação, uma semana antes de viajar, fiquei concentrado no CT Paralímpico em São Paulo e tentei focar o máximo. Na minha cabeça coloquei que não poderia fazer feio", conta.

Deu certo. Carlos venceu todos os jogos que disputou em Lima, tanto no individual quanto por equipes. "Eu tinha disputado os Jogos Rio 2016 achando que não iria mais para nenhuma edição dos Jogos, estava até conformado. Quando subi no pódio do Pan no Peru, pensei: 'Nossa, olha o que eu consegui'. Fiquei feliz da vida", relata.

Agora, o desafio é driblar as dificuldades na reta final de preparação para o Japão durante a pandemia. Depois de passar seis meses parado no ano passado, Carlos iniciou em setembro um trabalho de recuperação física. Para isso, também contou com o apoio da Bolsa Atleta na categoria Olímpica/Paralímpica.

"Eu recebo a Bolsa Atleta há muito tempo, desde 2008. Em todos os anos esse dinheiro me ajuda demais nos custos, em despesa de competição, de treinamento, de material, que é todo importado e caro", comenta. "Hoje, na preparação final, digo que o dinheiro desse novo edital vai entrar para bancar personal trainer, suplementação e treinamento particular", enumera.


Dedicação exclusiva

Um recurso que também tem ajudado o colega de modalidade Luiz Filipe Manara. "A Bolsa Atleta para mim é fundamental. Hoje é minha única fonte de renda certa, então é fundamental para a minha preparação", conta o mesatenista da Classe 8, contemplado na categoria Olímpica/Paralímpica. Sem essa bolsa, eu não teria conseguido me preparar para o Parapan e, consequentemente, não teria conseguido a vaga para Tóquio. Foi esse dinheiro que possibilitou eu me dedicar a isso", atribui.

Em Piracicaba (SP), Luiz Filipe também passou grande parte de 2020 afastado dos treinamentos e agora aproveita para focar na preparação física. "Acho que é o momento de se pensar em fazer o melhor que der, o melhor dentro das possibilidades. Todos os atletas, independentemente da nacionalidade, foram afetados por isso", analisa. "É pensar de forma positiva que vai dar tudo certo e que vou conseguir chegar preparado lá".

Diretoria de Comunicação - Ministério da Cidadania