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Histórias no Enem: veteranas dão dicas para encarar as provas
Foto: Divulgação MEC
A contagem regressiva entra nos últimos dias antes da abertura dos portões para mais de 5 milhões de participantes em todo o Brasil. Em números exatos, nos dias 8 e 15 de novembro, 5.051.345 estudantes confirmados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 estarão diante de cadernos de questões, com o mesmo objetivo: transformar dedicação em oportunidade acadêmica e mais, oportunidade de vida.
Para quem está imerso na tensão da reta final, o nervosismo parece intransponível. Mas quem já trilhou esse percurso e hoje vivencia a rotina dos laboratórios e clínicas universitárias garante: a prova exige constância, equilíbrio emocional e, acima de tudo, autoconfiança.
É o caso de Kézia Carolina Marques, de 27 anos, e de Lorrane Victoria Barros Sousa, de 20 anos. Ambas escolheram a área da saúde e viram o Cartão de Confirmação do Enem se converter em chave de transformação de vida – uma no ensino público federal por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), e a outra no ensino superior com bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni).
Entre o traço no papel e a quebra de bolhas – Natural de Minas Gerais e criada pela avó e pela tia em Brasília, Kézia Marques enfrentou três edições do exame até alcançar a pontuação necessária para ingressar em odontologia na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). Aprovada por meio das cotas para estudantes de escolas públicas e por critérios raciais, ela lembra que sua principal barreira era a prova de Redação.
Para superar a dificuldade, adotou uma rotina rigorosa de estudo visual: desenhava diagramas, fórmulas químicas e estruturas anatômicas à mão para fixar o aprendizado. No dia em que conquistou os 860 pontos na Redação, enfrentou o medo cara a cara. "Eu estava muito nervosa e, na hora da Redação, colocando tudo no rascunho, a cabeça deu um apagão consciente. Ou seja, eu continuei escrevendo, mesmo com esse clarão, focada no que havia treinado", recorda.
O fato é que a chegada à universidade pública não representou apenas a realização do sonho de cursar odontologia, mas uma mudança de perspectiva sobre sua função na sociedade. "A odontologia é um curso historicamente elitizado. Estar na universidade pública me permitiu quebrar essa bolha, participar de projetos sociais do Ministério da Saúde e realizar atendimento clínico gratuito para pessoas vulneráveis. Isso nos ensina a ser profissionais muito mais empáticos", afirma Kézia, que está no último semestre da graduação e atua na liderança estudantil, acolhendo novos calouros.
Da periferia aos hospitais de referência – A mais de 400 quilômetros dali, na Zona Leste de São Paulo, a rotina de Lorrane Victoria reflete a realidade de milhares de jovens da periferia que conciliam estudo e trabalho. Filha de família com poucos recursos e vinda de escola pública, ela prestou o Enem pela primeira vez aos 17 anos, com um objetivo claro: o exame era seu único caminho viável para ingressar no ensino superior.
"Quando eu preenchia o Cartão-Resposta, a certeza que passava pela minha cabeça era a de que aquela era a minha única oportunidade. Minha família não tinha condições financeiras de pagar uma mensalidade", relembra. Com o apoio pedagógico e emocional da irmã mais velha, Lorrane garantiu uma bolsa integral de 100% pelo Prouni para o curso de Farmácia na Universidade Nove de Julho (Uninove).
Hoje, no 6º período da graduação, Lorrane já atua profissionalmente como auxiliar de farmácia no Hospital Santa Marcelina, uma das maiores referências hospitalares da capital paulista. "Olho para trás e me lembro da ansiedade sobre se daria conta. Hoje, no hospital, trabalho no cuidado direto com medicamentos para pacientes. O exame me deu a oportunidade de provar minha própria capacidade e me permitiu retribuir isso cuidando das pessoas da minha comunidade", destaca.
Dicas de quem já passou: conselhos complementares para o Enem 2026 – Com a experiência de quem viveu a pressão do exame e hoje colhe os frutos no ensino superior, Kézia e Lorrane reuniram recomendações complementares para os participantes desta edição:
1. Priorize suas maiores fraquezas: identificar os conteúdos nos quais seu rendimento é menor e dedicar atenção especial a eles na reta final traz segurança operacional.
2. Não subestime sua capacidade: as disparidades socioeconômicas e de trajetória escolar existem, mas não definem o potencial individual. Confie na sua bagagem acumulada.
3. Controle a autocobrança na véspera: cobranças excessivas desestabilizam o raciocínio na hora da prova. O nervosismo consome energia que deve ser canalizada para a leitura dos enunciados.
4. Planeje a logística do deslocamento: evitar correria com transporte público no domingo reduz a sobrecarga de estresse antes mesmo da abertura dos portões.
5. Encare o exame como processo, não como barreira definitiva: caso o resultado não atinja a pontuação desejada de imediato, a experiência serve de diagnóstico para novas tentativas.
O exame em números e novidades – A edição do Enem 2026 mobiliza 14 mil locais de aplicação, distribuídos por 1.900 municípios brasileiros, envolvendo mais de 600 mil colaboradores. Do total de inscritos, 3,4 milhões contam com gratuidade, fruto da política que inscreveu, automaticamente, os estudantes concluintes da rede pública de ensino.
Nos dois domingos de aplicação, os portões serão abertos às 12h e fechados rigorosamente às 13h, com início das provas às 13h30 (horário de Brasília). No dia 8 de novembro, serão avaliadas as áreas de Linguagens, Redação e Ciências Humanas (até as 19h). No dia 15 de novembro, os estudantes resolvem as questões de Matemática e Ciências da Natureza (até as 18h30).
Para consultar o local exato do exame, os inscritos devem acessar o Cartão de Confirmação de Inscrição na Página do Participante,
Assessoria de Comunicação Social do MEC