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Combate à sonegação
Receita Federal participa da Operação IFRIT
A Receita Federal participa nesta quarta-feira (04/11/2026) da Operação “IFRIT”. O trabalho, realizado em conjunto com a Polícia Federal, busca desarticular organização criminosa, interromper suas atividades ilícitas, responsabilizar seus integrantes e promover a descapitalização do grupo por meio da apreensão de bens e valores de origem criminosa.
Contexto
Investigação conjunta, conduzida pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, com fundamento em diversas medidas investigativas autorizadas pelo Juízo competente, permitiu identificar a existência de organização criminosa (Orcrim) voltada principalmente ao tráfico transnacional de entorpecentes e ao tráfico internacional de armas de fogo, caracterizada pelo emprego sistemático de violência, elevado poder econômico e ampla capacidade logística. Os elementos de informação reunidos indicam que a estrutura criminosa seria liderada por um núcleo familiar composto por três irmãos, seus filhos e outros parentes, contando ainda com a participação de diversos nacionais e estrangeiros vinculados às atividades do grupo.
As análises fiscais, financeiras, patrimoniais, telemáticas e operacionais realizadas ao longo da investigação possibilitaram a individualização de integrantes, a identificação de vínculos operacionais e financeiros e o mapeamento da estrutura de comando da organização, evidenciando uma atuação estável, permanente e com ramificações em diferentes estados da federação e no exterior. O conjunto dos elementos obtidos culminou na deflagração conjunta da operação pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil.
Início das Investigações
As apurações tiveram início a partir do compartilhamento de elementos probatórios obtidos em investigação correlata, ocasião em que surgiram indícios da atuação da referida organização criminosa. A partir desses elementos iniciais, foram representadas e deferidas diversas medidas cautelares, incluindo quebras de sigilos telemático, bancário e fiscal, além de outras técnicas especiais de investigação.
No decorrer das investigações, a atuação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal do Brasil permitiu o desenvolvimento de inúmeras análises fiscais, financeiras, patrimoniais e telemáticas, complementadas por diligências de campo e outras medidas investigativas autorizadas judicialmente. Tais procedimentos possibilitaram reconstruir a dinâmica operacional da organização, rastrear fluxos financeiros, identificar vínculos societários e patrimoniais, bem como compreender os mecanismos utilizados para a prática e ocultação das atividades ilícitas atribuídas ao grupo criminoso.
Modus operandi
Segundo os elementos de informação reunidos ao longo da investigação conduzida pela Polícia Federal em cooperação com a Receita Federal do Brasil, drogas e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru, sendo posteriormente internalizados no território nacional por meio da faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul. Após a internalização, as cargas ilícitas eram distribuídas para diversos municípios do Estado e para outras unidades da federação, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina. As investigações também indicam a utilização do território brasileiro como plataforma logística para armazenamento, transporte e remessa de entorpecentes destinados ao mercado europeu, notadamente à Espanha e a Portugal.
As apurações evidenciaram a existência de uma estrutura criminosa organizada, estável e permanente, com divisão de funções entre lideranças familiares, operadores financeiros, responsáveis pela logística, transporte e segurança armada. Os elementos colhidos indicam vínculos operacionais com facções criminosas, além da colaboração de agentes públicos que teriam fornecido informações estratégicas e apoio às atividades da organização. A investigação também identificou a utilização de medidas de contrainteligência, mecanismos de proteção das lideranças e o emprego de recursos destinados à manutenção e expansão das operações ilícitas.
As investigações demonstraram ainda que a organização exercia influência em áreas da faixa de fronteira, utilizando armamento de elevado poder ofensivo, equipamentos de comunicação, drones, veículos blindados e estruturas destinadas ao abrigo de integrantes armados. Os elementos reunidos apontam para uma organização com significativa capacidade logística e operacional, apta a movimentar grandes volumes de drogas e armas, bem como a garantir a continuidade de suas atividades ilícitas em diferentes localidades do país e no exterior.
No aspecto financeiro, diligências autorizadas judicialmente, incluindo quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático, indicaram movimentação superior a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos de apuração. Os recursos teriam circulado por intermédio de contas vinculadas aos investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados utilizados para ocultar a origem e a destinação dos valores. As análises fiscais conduzidas pela Receita Federal identificaram indícios de mecanismos de lavagem de dinheiro envolvendo interpostas pessoas, ocultação patrimonial e dissimulação de fluxos financeiros, resultados corroborados por monitoramentos, interceptações e outras medidas investigativas.
A materialidade das atividades atribuídas ao grupo foi corroborada por apreensões de drogas, armas, munições e outros elementos vinculados a integrantes da organização criminosa em diferentes estados, além de eventos relacionados a crimes violentos associados à sua atuação. O conjunto probatório formado por interceptações, análises fiscais, financeiras, patrimoniais e telemáticas, levantamentos de campo, apreensões e demais diligências autorizadas judicialmente evidencia, em tese, uma organização criminosa com elevado grau de estruturação, atuação transnacional, significativa capacidade financeira e logística, e possível envolvimento em delitos como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de capitais, corrupção e outros crimes correlatos praticados de forma estável e permanente, ao menos, desde 2018.
A operação
A operação cumpre 76 mandados de busca e apreensão nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina, expedidos pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, Justiça Federal de 1º Grau.
Participam da ação:
• 22 auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil e 7 analistas tributários da Receita Federal do Brasil.
• 450 policiais federais.
Compromisso institucional
A Receita Federal reforça seu compromisso com:
• o combate às organizações criminosas, atuando de forma integrada com os demais órgãos de persecução penal para a desarticulação de estruturas voltadas ao tráfico de drogas, armas e à lavagem de capitais.
• a proteção da sociedade e das fronteiras nacionais, contribuindo para a identificação, investigação e descapitalização de grupos criminosos de atuação transnacional.
• a defesa da ordem tributária, aduaneira e econômica, empregando inteligência fiscal e financeira para identificar fluxos ilícitos de recursos e interromper atividades criminosas de elevada complexidade.
Entenda o caso:



