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Evento do Dia Mundial da PI coloca a Propriedade Intelectual no centro do debate esportivo
O INPI realizou, no dia 29 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, evento em comemoração ao Dia Mundial da Propriedade Intelectual 2026. A iniciativa reuniu especialistas, representantes do setor público e privado e profissionais da área esportiva para discutir o papel da propriedade intelectual (PI) na inovação e no desenvolvimento do esporte.
Com o tema “PI e os esportes: em suas marcas, preparar, inovar!”, o encontro promoveu debates sobre como marcas, patentes e desenhos industriais contribuem para impulsionar tecnologias, proteger ativos e gerar valor econômico no setor esportivo. Confira os assuntos tratados nos cinco painéis.
A data, celebrada mundialmente em 26 de abril, foi instituída pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) para ampliar a compreensão sobre a importância da PI para a criatividade, a inovação e o desenvolvimento. Em 2026, o foco esteve na relação entre PI e esporte.
Durante a programação, o presidente do INPI, Júlio Cesar Moreira, e a presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Gestão da Qualidade e da Propriedade Intelectual (IGQPI) de Cabo Verde, Ana Paula Spencer, assinaram acordo de cooperação técnica entre os dois países.
Propriedade intelectual no esporte
A PI precisa ser entendida como parte da engrenagem do desenvolvimento econômico e da inovação, inclusive no esporte, afirmou o presidente do INPI, Júlio Cesar Moreira. Ele destacou que o tema escolhido para 2026 ajuda a evidenciar como a PI está presente em toda a cadeia esportiva, da criação de tecnologias ao fortalecimento de marcas e modelos de negócio.
Segundo Moreira, o avanço do setor esportivo passa, cada vez mais, pela capacidade de proteger e explorar ativos intangíveis de forma estratégica. Nesse contexto, ressaltou a importância da cooperação internacional e citou a parceria firmada com Cabo Verde como exemplo de troca de conhecimento e fortalecimento institucional.
A diretora do Departamento de Política de Propriedade Intelectual e Infraestrutura da Qualidade (DEPIQ), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Juliana Ghizzi, pontuou que a PI é uma ferramenta concreta para aumentar a competitividade e transformar conhecimento em valor. Ela entende que o esporte vem se consolidando como um campo relevante para políticas públicas voltadas à inovação, com impacto direto na economia e na geração de oportunidades.
Para Ghizzi, é essencial integrar políticas de propriedade intelectual com estratégias de desenvolvimento produtivo, de forma a criar um ambiente mais favorável à inovação. Ela também reforçou a necessidade de articulação entre governo, setor privado e academia para ampliar o uso estratégico da PI no país.
Inovação e ativos intangíveis no esporte
A crescente relação entre esporte, tecnologia e ativos intangíveis torna a propriedade intelectual um elemento central nesse ecossistema, avaliou Schmuell Cantanhede, diretor do escritório da OMPI no Brasil. Segundo ele, a escolha do tema reflete uma tendência global de valorização da inovação no esporte. Cantanhede divulgou que a organização lançou, em comemoração ao Dia Mundial da PI 2026, um curso sobre esportes e PI voltado a empreendedores.
Já a conselheira regional de PI para o Mercosul do Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO, na sigla em inglês), Maria Beatriz Dellore, disse que a proteção adequada de ativos de PI é fundamental para garantir segurança jurídica e atrair investimentos. Para ela, o ambiente esportivo, cada vez mais globalizado, exige estratégias sólidas de proteção e gestão desses ativos.
Por sua vez, o presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), Peter Eduardo Siemsen, falou que a PI passou a ocupar um espaço estratégico a partir da evolução da gestão esportiva. Ele enfatizou que ativos como marcas, direitos de transmissão e conteúdos digitais têm ganhado relevância crescente na estrutura econômica do setor.
Sistema de PI e desenvolvimento
A necessidade de fortalecer o uso estratégico da PI também foi ressaltada pela vice-presidente da Associação Brasileira dos Agentes da Propriedade Industrial (ABAPI), Rosane Tavares. Segundo ela, a atuação coordenada dos diferentes agentes do sistema de PI é essencial para ampliar a proteção e estimular a inovação.
A segunda vice-presidente da Associação Paulista da Propriedade Intelectual (ASPI), Ismênia Wallace, completou que o debate sobre PI no esporte não se limita à dimensão econômica, mas também envolve inclusão e desenvolvimento social. Para ela, ampliar o acesso ao sistema de PI é um passo importante para democratizar oportunidades no setor.
Por fim, a gerente de Programação do CCBB, Marcela Monteiro, ressaltou a importância de sediar iniciativas, como a celebração do Dia Mundial da PI, que promovem diálogo entre diferentes áreas. Segundo ela, o CCBB também cumpre o papel de espaço de circulação de ideias e de aproximação entre conhecimento, cultura e sociedade.