Riscos, oportunidades e perspectivas
Riscos
O Inep é reconhecido, no plano nacional e internacional, como instituição estratégica do Estado brasileiro na produção de estatísticas, informações oficiais e conhecimento sobre a educação, fundamentais para a formulação, o monitoramento e o aprimoramento das políticas públicas educacionais.
No cumprimento de sua missão institucional, conforme estabelecido no art. 1º da Lei nº 9.448/1997, o Inep executa atividades de elevada complexidade técnica e operacional, caracterizadas por múltiplas interfaces e pela atuação coordenada de diversos atores. Exames e avaliações de grande escala, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), ilustram esse cenário, podendo alcançar, conjuntamente, cerca de 12 milhões de participantes. Em 2025, o Instituto ampliou seu portfólio com a realização de novos exames, como o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e a Prova Nacional Docente, o que reforça seu papel na implementação e no monitoramento das políticas educacionais.
Nesse contexto, os processos institucionais, por seu alto grau de intrincamento, estão sujeitos a riscos decorrentes de fatores internos e externos, que podem comprometer a continuidade, a qualidade e a confiabilidade das entregas. Destacam-se, entre esses riscos, aspectos relacionados à segurança da informação, ao acesso e à integridade de dados, à gestão de processos críticos (como contratações e logística de aplicação de exames), bem como à gestão de pessoas.
Entre os fatores mais relevantes, cita-se o desafio relacionado à força de trabalho. Apesar do ingresso, em 2025, de 34 novos servidores oriundos do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), persistem dificuldades associadas à recomposição e à retenção de pessoal, em um cenário de ampliação das atribuições institucionais e crescente complexidade das atividades.
Como resposta a esse cenário, destacam-se medidas recentes voltadas ao fortalecimento institucional, como a reestruturação da carreira de Pesquisador-Tecnologista, implementada a partir de 2025, que promove avanços na valorização profissional, e a publicação do Decreto nº 12.794/2025, que atualiza a estrutura regimental do Inep, com vistas ao aprimoramento da governança e da capacidade operacional.
No que se refere à gestão de riscos, observa-se que, embora ainda em processo de consolidação em nível organizacional, o Inep já dispõe de iniciativas estruturadas em áreas críticas, como a logística de exames e as contratações. Nesse contexto, destaca-se a atuação da Coordenação-Geral de Monitoramento e Integração Logística (CGMIL), que adota práticas alinhadas à norma ISO 31000, com foco na identificação, análise, avaliação e monitoramento de riscos, de forma integrada à gestão de incidentes, especialmente no âmbito operacional dos exames, consolidadas com a elaboração da Metodologia de Gerenciamento de Riscos da Coordenação de Monitoramento e Gestão de Riscos da CGMIL (CMGR/CGMIL). Adicionalmente, destaca-se a celebração do Contrato nº 31/2024 com empresa especializada, voltado ao apoio à implementação e ao aprimoramento de soluções de gestão e monitoramento de riscos nos processos operacionais e logísticos.
Quadro 1 – Riscos
| Principais riscos estratégicos | Riscos relacionados à execução das avaliações educacionais |
| Riscos operacionais (logística, aplicação de exames, tecnologia) | |
| Riscos de pessoal (déficit de pessoal, capacitação, retenção) | |
| Riscos orçamentários e financeiros | |
| Fatores internos e externos | Ambiente regulatório (influência de leis, normas e/ou diretrizes) |
| Riscos associados a terceiros/prestadores de serviço | |
| Desafios da articulação com entes federativos | |
| Impactos potenciais sobre as entregas à sociedade | Precisão e credibilidade dos dados |
| Riscos de interrupção na prestação dos serviços | |
| Reputação institucional |
Oportunidades
No que concerne às oportunidades, destacam-se iniciativas voltadas à transformação digital e ao fortalecimento da gestão institucional, com potencial de ampliar a eficiência, a integração entre áreas e a capacidade de resposta a eventos críticos.
Entre essas iniciativas, destaca-se o investimento em ferramentas tecnológicas para o monitoramento do Planejamento Estratégico Institucional 2024–2027 e da carteira de projetos estratégicos, o que tende a aprimorar os processos de tomada de decisão e a gestão orientada a resultados.
Adicionalmente, a ampliação de parcerias institucionais e a intensificação da cooperação com entes federativos e organismos nacionais e internacionais configuram oportunidades relevantes para o aperfeiçoamento das políticas de avaliação e da produção de informações educacionais.
Quadro 2 - Oportunidades Institucionais
| Inovação e transformação digital | Modernização e aprimoramento de sistemas |
| Inovações no uso de dados para análise e tomada de decisões | |
| Aperfeiçoamento da governança | Integração entre áreas de controle por meio da atuação dos comitês internos de governança |
| Melhoria de processos decisórios | |
| Fortalecimento da capacidade institucional | Desenvolvimento de pessoal (capacitação e qualificação dos servidores) |
| Otimização de recursos | |
| Integração com planejamento e desempenho (alinhamento entre estratégias, metas e resultados) |
Desafios e Perspectivas
Não obstante os avanços observados, permanece como desafio central a institucionalização plena da gestão de riscos, com sua integração sistemática aos processos de planejamento, governança e tomada de decisão.
Para o próximo ciclo, as perspectivas institucionais indicam a necessidade de consolidar a maturidade da gestão de riscos, fortalecer a governança e ampliar a capacidade operacional do Instituto, em um contexto de crescente demanda por avaliações educacionais e por informações confiáveis e tempestivas.
Destacam-se, nesse cenário, como prioridades estratégicas, a expansão e qualificação das avaliações, a modernização tecnológica e o fortalecimento dos mecanismos de coordenação e integração institucional.
Quadro 3 - Perspectivas e Prioridades para o Próximo Ciclo
| Tendências e cenários | Evolução das políticas educacionais |
| Crescente demanda por avaliações e dados educacionais | |
| Prioridades estratégicas | Modernização tecnológica (atualização de sistemas e incorporação de novas tecnologias) |
| Fortalecimento da governança | |
| Melhoria contínua da qualidade das avaliações, exames, dados e estatísticas produzidos | |
| Aperfeiçoamento da gestão de riscos | Evolução da maturidade institucional para gerir riscos |