Notícias
EMBRAPA
Ministro André de Paula visita Embrapa Algodão na Paraíba
Em Campina Grande (PB), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, visitou, nesta segunda-feira (31/08), a Embrapa Algodão, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Durante a agenda, o ministro conheceu laboratórios, áreas experimentais e pesquisas desenvolvidas pela unidade para diferentes cadeias produtivas, com destaque para tecnologias voltadas às condições do Semiárido nordestino.
A visita incluiu a apresentação de pesquisas em algodão naturalmente colorido, sistemas de produção orgânicos e agroecológicos, tecnologias destinadas a pequenos produtores e estudos com bioinsumos. Também foram apresentadas pesquisas com amendoim, gergelim, mamona e agave, além de trabalhos realizados em parceria com outras unidades da Embrapa e cooperação internacional.
O ministro André de Paula destacou os investimentos em pesquisa e o fortalecimento dos quadros da Embrapa. “Essa entrada no Novo PAC nos possibilitou quase R$ 1 bilhão que foram investidos na reoxigenação da Embrapa. E, depois de 15 anos, nós fizemos um concurso público, que também reoxigena os nossos quadros. O nosso desafio segue sendo viabilizar recursos, além do orçamento da União, além do orçamento do Ministério da Agricultura”, afirmou.
Segundo a chefe-geral da Embrapa Algodão, Nair Helena de Castro Arriel, o trabalho da unidade vai muito além do seu espaço físico. “Ao integrarmos a força do agronegócio do Cerrado e do Matopiba com a inclusão social e a resiliência da agricultura familiar no Semiárido, reafirmamos o compromisso com a produção sustentável e inovadora”.
TECNOLOGIA E SUSTENTABILIDADE
Entre as tecnologias apresentadas estiveram cultivares de algodão naturalmente colorido, desenvolvidas pela Embrapa e adaptadas às condições de produção do Nordeste. Variedades como BRS Rubi, BRS Verde e BRS Jade apresentam fibras naturalmente pigmentadas em diferentes tonalidades e são utilizadas em sistemas produtivos voltados a produtos sustentáveis e orgânicos.
Diferentemente do algodão branco, a fibra naturalmente colorida já nasce pigmentada, dispensando o tingimento químico na indústria têxtil. A característica pode contribuir para a redução do consumo de água e do uso de produtos químicos no processamento.
A unidade também apresentou cultivares de algodão branco desenvolvidas para combinar produtividade, qualidade de fibra e resistência a pragas e doenças.
As pesquisas da Embrapa Algodão abrangem ainda outras culturas importantes para a agricultura nordestina e nacional. No gergelim, os trabalhos incluem cultivares com elevada produtividade, alto teor de óleo e adaptação a diferentes sistemas de cultivo, com foco em variedades ricas em ácido oleico, que apresentam maior estabilidade e vida útil dos produtos industriais. O Brasil está entre os dez principais produtores e exportadores da cultura, cultivada em cerca de 75 países.
Para o amendoim, as tecnologias desenvolvidas buscam associar qualidade, produtividade, mecanização e mitigação de aflatoxinas, além de favorecer a rotação com a cana-de-açúcar.
Na mamona, a unidade atua no melhoramento genético, com cultivares adaptadas, manejo integrado de pragas, mecanização da colheita e estudos relacionados à extração de óleo, utilizado pelas indústrias química, farmacêutica e de biocombustíveis. Também são desenvolvidas pesquisas sobre o aproveitamento da torta desintoxicada para alimentação animal.
No agave e no sisal, as pesquisas envolvem ecofisiologia, aproveitamento de subprodutos e estudos de potencial bioenergético. A unidade investiga o uso da biomassa de Agave sisalana e espécies correlatas para produção de etanol e captura de carbono no Semiárido.
EMBRAPA ALGODÃO E PARCERIA COM CAPRINOS E OVINOS
Criada em 16 de abril de 1975, a Embrapa Algodão atua no desenvolvimento de tecnologias para as cadeias produtivas do algodão, amendoim, gergelim, mamona e agave, com pesquisas relacionadas à produção e à sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Com sede em Campina Grande, a unidade conta com infraestrutura de pesquisa, casas de vegetação e laboratórios especializados em solos e água, nutrição de plantas, biotecnologia, fisiologia vegetal, entomologia, fitopatologia e tecnologia de fibras e fios. Sua atuação se estende a 11 estados brasileiros, por meio de áreas experimentais e equipes técnicas.
A unidade mantém 58 projetos de pesquisa, sendo 26 liderados por sua equipe técnica e 32 desenvolvidos em parceria com outras unidades da Embrapa. Um dos exemplos de integração é a parceria com a Embrapa Caprinos e Ovinos, cujo núcleo regional atua em Campina Grande.
A chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, Ana Clara Cavalcanti, destacou a atuação da unidade na Paraíba. Segundo ela, há quase dez anos a equipe migrou de Sobral (CE) para o estado com a missão de fortalecer a cadeia produtiva do leite de cabra na região. A atuação envolve Paraíba e Pernambuco.
Ana Clara também destacou pesquisas relacionadas à produção de carne de caprinos em sistemas que utilizam recursos da Caatinga e aos estudos sobre sustentabilidade e mudanças climáticas.
No plano internacional, a Embrapa Algodão desenvolve cooperação técnica na América do Sul, na África e na Ásia, com iniciativas relacionadas às culturas de algodão, amendoim, gergelim, mamona e agave. As pesquisas também abrangem bioenergia, biomassa e captura de carbono.
A unidade estabeleceu metas até 2030 para ampliar os resultados econômicos gerados por suas tecnologias nas cadeias produtivas. Entre as ações previstas estão a modernização de processos administrativos, gestão de dados, pesquisa, desenvolvimento e inovação e a ampliação dos canais de transferência de tecnologia.
BRASIL É LÍDER MUNDIAL NAS EXPORTAÇÕES DE ALGODÃO
O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de algodão e o terceiro maior produtor da fibra. A cultura está presente em todas as regiões do país, com maior concentração no Cerrado, especialmente nos estados de Mato Grosso e Bahia.
Segundo dados do Agrostat, as exportações brasileiras de algodão e produtos têxteis de algodão somaram, em 2025, aproximadamente 3,10 milhões de toneladas, no valor de US$ 5,20 bilhões. China, Bangladesh, Paquistão, Vietnã e Turquia foram os principais destinos.
Mato Grosso liderou as exportações estaduais, com cerca de 1,92 milhão de toneladas e US$ 3,14 bilhões, seguido pela Bahia, com aproximadamente 590 mil toneladas e US$ 936 milhões.
Informações à imprensa
imprensa@agro.gov.br