O ginseng de Querência do Norte é obtido a partir da planta Pfaffia glomerata, conhecida como ginseng brasileiro, nativa das margens e ilhas do Rio Paraná, dentro do município.
Estudos apresentados ao INPI mostram que o ginseng da região tem características químicas distintas. O teor de β-ecdisona, composto valorizado pelas indústrias de cosméticos e farmacêutica, é em média 2,36 vezes maior do que o encontrado em outras regiões produtoras do país. Esse diferencial contribui para aumentar o valor de mercado da raiz.
O resultado está diretamente ligado às características do solo local. Em comparação com outras áreas, o solo de Querência do Norte apresenta pH mais equilibrado, ausência de alumínio e maior presença de nutrientes como cálcio, magnésio, fósforo, manganês e zinco. Essas condições influenciam o desenvolvimento da planta e estimulam a produção de compostos de interesse econômico.
Fatores como menor disponibilidade de nitrogênio e maior presença de fósforo também geram um tipo de estresse na planta que favorece o acúmulo de β-ecdisona nas raízes. O processo, somado às condições ambientais, explica as propriedades específicas do ginseng da região.
Além dos fatores naturais, o modo de produção também é determinante. O cultivo é feito de forma manual, com baixa ou nenhuma utilização de insumos químicos, prática desenvolvida ao longo de décadas por produtores locais. O conhecimento é transmitido entre gerações, em um contexto de agricultura familiar.
A produção segue etapas cuidadosas, desde o plantio até a colheita, que ocorre antes de dois anos. Após a colheita, as raízes passam por secagem, que pode durar de 15 a 30 dias, e depois são preparadas para comercialização.
Esse conjunto de condições naturais e práticas tradicionais garante a qualidade do produto e sustenta o reconhecimento da Denominação de Origem, além de contribuir para a valorização econômica do ginseng e o desenvolvimento da região.