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SEGURANÇA HÍDRICA
Projeto de Irrigação Marrecas avança para implantação dos primeiros 25 lotes no Piauí
São João do Piauí (PI) — Maria de Lourdes Pereira de Souza, 56 anos, conhece de perto as dificuldades provocadas pela falta de água e de oportunidades no campo. Antes de chegar à comunidade rural que viria a se tornar o Projeto Público de Irrigação Marrecas, no Piauí, ela enfrentou períodos de fome e de vulnerabilidade social. Vinda de uma região marcada pela seca, conta que a chegada ao assentamento trouxe uma perspectiva diferente. “Na cidade de onde eu vim, o pessoal disputava água abaixo de espingarda. Quando a gente chegou aqui, vimos esse poço jorrando, vimos que aqui tinha vida”, relembra.
Primeiro assentamento do estado do Piauí, Marrecas-Jenipapo reuniu famílias vindas de diferentes municípios e se tornou, ao longo dos anos, parte da história de vida de Maria de Lourdes. À beira da Barragem Lagoa do Peixe, sob a sombra de altas carnaúbas, a produtora de uvas reflete sobre como a especialização em parreiras foi a forma que encontrou para sustentar a família. “Trabalhar na roça, trabalhar no sol é um trabalho árduo, não é um trabalho fácil, mas é um trabalho gratificante”, afirma. Hoje, com os filhos formados, ela vê no projeto de irrigação a possibilidade de ampliar uma trajetória construída com esforço e organização.
Previsto para beneficiar 200 famílias em mil hectares irrigáveis, o projeto deverá ampliar a produção agrícola e criar novas oportunidades de geração de renda na região. Após cerca de R$ 90 milhões em investimentos históricos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), e com a infraestrutura principal concluída, o Marrecas entra em uma nova etapa. Agora, a empresa pública federal ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) prepara a licitação da etapa de conclusão da Quadra Hidráulica QH-01, que permitirá irrigar 125 hectares distribuídos em 25 lotes.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, coordenou uma visita técnica ao assentamento Marrecas, em 22 de julho de 2026, junto ao ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e ao ministro do Trabalho e Emprego, George Santoro, para verificar a implantação operacional da próxima etapa da infraestrutura de irrigação.
Segundo Góes, a implantação completa do projeto deverá ampliar significativamente a produção e a geração de renda na região. “A estruturação de mil hectares vai aumentar em mais de 200% a geração de recursos na região. A renda básica vai pular de um pouco menos de R$ 900 para R$ 5.500. Então, é um impacto social e econômico gigante”, afirmou.
Para o superintendente da Codevasf no Piauí, Anderson Oliveira, a chegada do projeto representa a concretização de uma expectativa construída ao longo de duas décadas pelas famílias do assentamento. “Esse projeto foi iniciado quando o então superintendente Iudo Diniz identificou o potencial da região para a agricultura irrigável e para a agricultura familiar. Temos uma parte importante concluída e, agora, uma etapa fundamental pela frente, que é a implantação dos primeiros 25 lotes. É uma grande vitória e temos a perspectiva de, nos próximos 12 meses, entregar esses lotes para que as famílias possam trabalhar, gerar emprego e renda para a região”, ressaltou.