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DEFESA CIVIL NACIONAL
Barreiras SABO ajudam a reduzir riscos de desastres em áreas de encosta
Estruturas de engenharia ajudam a reduzir os impactos de movimentos de massa em áreas suscetíveis a desastres naturais (Foto: Márcio Pinheiro/MIDR)
Nova Friburgo (RJ) - As barreiras SABO são estruturas de engenharia desenvolvidas para reduzir os impactos causados pelos fluxos de detritos provocados por chuvas intensas, como se fosse um tsunami na montanha, que arrasta tudo o que encontra pela frente, em regiões de encosta. Implantadas em áreas suscetíveis a movimentos de massa, elas atuam na contenção de materiais como rochas, troncos, sedimentos e lama antes que alcancem áreas urbanizadas, contribuindo para a proteção de vidas, moradias e equipamentos públicos.
A tecnologia integra o Projeto SABO, uma iniciativa de cooperação técnica entre Brasil e Japão voltada à prevenção e mitigação de desastres associados a movimentos gravitacionais de massa. A iniciativa contempla o intercâmbio de conhecimentos técnicos, o desenvolvimento de estudos e projetos de engenharia e a adaptação da tecnologia às condições brasileiras.
Como funcionam as barreiras SABO?
Os fluxos de detritos ocorrem, geralmente, durante chuvas intensas, quando grandes volumes de água se misturam ao solo, pedras, troncos e outros materiais presentes nas encostas. Essa massa desce com alta velocidade e grande poder de destruição, podendo atingir áreas urbanizadas.
Segundo o coordenador-geral de Ações para Redução do Risco de Desastres da Defesa Civil Nacional, Frederico Seabra, as barreiras funcionam como um sistema de retenção desse material sólido.
“A barreira SABO tem o objetivo de fazer a retenção do fluxo de detrito. Quando ocorre uma chuva muito forte, o solo se liquefaz e desce por um local de alta declividade com muita energia, carregando troncos e blocos de rocha. Quando esse material atinge a cidade, pode destruir casas, equipamentos públicos e causar muitas mortes. A barreira funciona como uma peneira: ela retém a parte sólida, enquanto a água segue seu fluxo natural”, explica Seabra.
Existem dois tipos principais de estruturas. As barreiras permeáveis retêm blocos rochosos e fragmentos maiores, permitindo a passagem da água e reduzindo o impacto ambiental. Já as barreiras impermeáveis também contêm sedimentos finos, como areia e argila, promovendo uma retenção mais completa do material transportado.
Barreiras no Brasil
A primeira barreira SABO do Brasil está em construção em Nova Friburgo, onde é implantada uma estrutura impermeável para retenção de sedimentos finos. Em Teresópolis, está prevista a implantação de uma barreira permeável.
Também foram desenvolvidos projetos de engenharia para áreas localizadas em Petrópolis (RJ), Blumenau (SC) e São Sebastião (SP), destinados à aplicação da tecnologia SABO conforme as características de cada localidade.
Cooperação internacional e fortalecimento da prevenção
O Projeto SABO também prevê a transferência da tecnologia japonesa para o Brasil, a elaboração de um manual técnico nacional, a capacitação de profissionais, a adaptação da metodologia às condições brasileiras, a elaboração de estudos e projetos executivos e o fortalecimento da gestão de riscos e desastres. O objetivo é ampliar a capacidade técnica para prevenir e mitigar os impactos de eventos extremos em áreas suscetíveis a movimentos de massa.
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