Rota do Açaí
A Rota do Açaí constitui-se como uma das estratégias estruturantes das Rotas de Integração Nacional, formulada no âmbito da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), com o objetivo de fortalecer, integrar e qualificar a cadeia produtiva do açaí no Brasil, abrangendo as etapas de produção primária, colheita, beneficiamento, industrialização, comercialização e acesso a mercados.
A iniciativa atua como instrumento de desenvolvimento territorial sustentável, promovendo a inclusão produtiva da agricultura familiar hoje nos estados do Pará e Amapá, a valorização do saber tradicional, extrativismo sustentável, plantios em terra firme com o uso de variedades criadas pela Embrapa, estabelecimento de indicação geográgica (IG) de áreas de várzea, certificações nacionais e internacionais e, a articulação entre produção, infraestrutura, logística e mercados, em consonância com os princípios da PNDR e com as diretrizes de redução das desigualdades regionais.
Atualmente, a Rota do Açaí está estruturada a partir de polos territoriais oficialmente reconhecidos, localizados em regiões com IDH baixo, caracterizados por elevada relevância socioeconômica, forte presença de comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e agricultores familiares, além de organizações sociais, agroindústrias coletivas e empresariais e crescente inserção em mercados diferenciados.
Principais Investimentos na Cadeia Produtiva do Açaí
Os investimentos estratégicos direcionados à Rota do Açaí concentram-se na estruturação integrada da cadeia produtiva, com foco no aumento da produtividade, na melhoria da qualidade do produto, na agregação de valor, no fortalecimento da organização territorial e na comercialização e exportação.
Esses investimentos articulam ações de governança, assistência técnica, infraestrutura produtiva, inovação e acesso a mercados, considerando as especificidades socioambientais de cada território. No âmbito do fortalecimento da base produtiva, destaca-se a implantação da casa do Açaí em Castanhal sendo um local de capacitação para agentes regionais, o apoio a equipamentos (veículos, embarcações e caminhões), apoio à construção de agroindústrias ligadas ao cooperativismo, o estudo da bioeconomia com um senso produtivo junto aos ICTs locais, o fortalecimento dos sistemas de produção e qualidade do açaí.
Complementarmente, há um esforço de ações de capacitação técnica e Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), realizadas em parceria com instituições como SENAR, SEBRAE, ICTs, órgãos estaduais de ATER, além da articulação com políticas públicas e instrumentos financeiros, como PRONAF, PAA, PNAE e fundos constitucionais de desenvolvimento regional, assegurando sustentabilidade econômica e institucional à cadeia produtiva.
Potencialidades de Mercado
O açaí apresenta elevado potencial de mercado, impulsionado pela crescente valorização de produtos diferenciados, sustentáveis e com identidade territorial. O avanço do consumo consciente e a demanda por alimentos com atributos socioambientais e da sociobiodiversidade posicionam o açaí como um produto estratégico no mundo.
O fruto do açaí é um componente tradicional da dieta alimentar da população Amazônica, tanto ribeirinha quanto urbana. Além de seu papel como alimento, o açaí pode ser empregado de diversas outras maneiras: por suas propriedades medicinais, na indústria de cosméticos, na produção de biojóias, dentre outras aplicações. Trata-se de um alimento rico em antocianinas, que combatem radicais livres e previnem o envelhecimento precoce; tem alto teor de fibras, o que lhe confere valor energético, e possui minerais e vitaminas, ácidos graxos e proteínas superiores ao leite e aos ovos.
Esse fruto dá origem a vários produtos, dependendo do método de processamento, como o “vinho de açaí” (ou suco), a polpa ou simplesmente “açaí”, o termo mais comum para o produto final. Ele é o alimento básico da maioria das pessoas nas regiões ribeirinhas, onde é costumeiramente consumido com tapioca e peixe, camarão ou carne. As formas de consumir açaí em outros estados e países diferem significativamente das maneiras tradicionais de consumo no Pará. Os produtos comerciais destinados a outras regiões do Brasil e do mundo são geralmente congelados ou processados com misturas de frutas e xaropes. Esses produtos comerciais costumam ser consumidos com diversas coberturas (“toppings”) como granola, frutas, nozes, nozes trituradas, entre outros.
Sorvetes, licores, doces, néctares e geleias também são fabricados a partir do açaí, que também pode ser aproveitado para a extração de corantes e antocianinas. A polpa representa 15% do peso total do fruto, e é tradicionalmente aproveitada no consumo alimentar, em sorvetes e outros produtos derivados. O caroço corresponde a 85% do peso total, e sua borra é utilizada na produção de cosméticos; as fibras são usadas na fabricação de móveis, placas acústicas, xaxim,9 compensados, e até mesmo na indústria automobilística. Os caroços limpos são utilizados na industrialização de produtos, como na torrefação de café, panificação, extração de óleo comestível, fitoterápicos e ração animal, e podem ser usadas na geração de vapor, carvão vegetal e adubo orgânico.
Além disso, a Rota do Açaí apresenta potencial para ampliar sua inserção em compras institucionais, especialmente por meio do PAA e do PNAE, desde que sejam assegurados padrões mínimos de qualidade, regularidade de fornecimento e conformidade sanitária.
Potencialidades de Exportação
Segundo a COMEX STAT, sistema oficial de estatísticas do MDIC, observou-se que os produtos exportados derivados do açaí paraense saltaram, exponencialmente, de menos de 1 tonelada em 1999 para pouco mais de 61 mil toneladas em 2023. Por outro lado, os derivados do açaí do Amazonas também passaram de menos de 1 tonelada para 57 toneladas, no mesmo período.
Acerca do valor exportado, neste período, observou-se que os produtos exportados derivados do açaí paraense saltaram de US$ 1,00, em 1999, para quase US$ 45 milhões, em 2023. No Amazonas, os derivados do açaí passaram de US$ 692, em 2002, para pouco mais de US$ 93 mil, no mesmo período.
De acordo com os dados levantados mensalmente pelo Núcleo de Planejamento e Estatísticas (Nuplan) da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) do Pará, entre janeiro e agosto de 2025, foram embarcadas cerca de 13,6 mil toneladas da fruta, crescimento de 88% em volume e 108% em valor frente ao mesmo período de 2024.
O Amapá tem grande consumo interno do produto, onde grande parte do açaí beneficiado por pequenos e médios empreendedores, alimentam o mercado interno. No entanto, segundo os produtores locais, grande parte do açaí produzido no Estado vai para o Pará, contribuindo para o incremento da base exportadora paraense. Neste momento, o Amapá ocupa a quarta posição no ranking produtivo, mas, com o aumento da capacidade de beneficiamento e industrialização do Estado, absorvendo uma fatia maior da produção regional, despontará como grande exportador do produto.
• Polo do Açaí Baixo Tocantins (Partes Interessadas)
Abaetetuba (PA), Acará (PA), Baião (PA), Barcarena (PA), Cametá (PA), Igarapé-Miri (PA), Limoeiro do Ajuru (PA), Mocajuba (PA), Moju (PA), Oeiras do Pará (PA), Tailândia (PA)
Área de Atuação

- Rota do Açaí
- Polo do Açaí Marajó Floresta (Partes Interessadas)
Afuá (PA), Anajás (PA), Bagre (PA), Breves (PA), Chaves (PA), Curralinho (PA), Gurupá (PA), Melgaço (PA), Muaná (PA), Oeiras do Pará (PA), Portel (PA), São Sebastião da Boa Vista (PA)
Área de Atuação

• Polo do Açaí Nordeste Paraense (Partes Interessadas)
Ananindeua (PA), Augusto Corrêa (PA), Belém (PA), Benevides (PA), Bragança (PA), Castanhal (PA), Curuçá (PA), Igarapé-Açu (PA), Inhangapi (PA), Irituia (PA), Magalhães Barata (PA), Maracanã (PA), Marapanim (PA), Nova Timboteua (PA), Santa Bárbara do Pará (PA), Santa Izabel do Pará (PA), Santa Luzia do Pará (PA), Santa Maria do Pará (PA), Santarém Novo (PA), Santo Antônio do Tauá (PA), São Domingos do Capim (PA), São Francisco do Pará (PA), Tracuateua (PA), Viseu (PA)
Área de Atuação

- Polo do Açaí Nordeste Paranaense 2025
• Polo do Açaí do Meio do Mundo (Partes Interessadas)
Serra do Navio (AP), Amapá (AP), Pedra Branca do Amapari (AP), Calçoene (AP), Cutias (AP), Ferreira Gomes (AP), Itaubal (AP), Laranjal do Jari (AP), Macapá (AP), Mazagão (AP), Oiapoque (AP), Porto Grande (AP), Pracuúba (AP), Santana (AP), Tartarugalzinho (AP), Vitória do Jari (AP)
Área de Atuação

- Polo do Açaí do Meio do Mundo