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BALANÇO MGI
Dimensionamento da força de trabalho é implantado em 49 órgãos federais entre 2024 e 2025
Mesa temática do Seminário DFT na Administração Pública Federal, ocorrido em novembro de 2025. Foto: Washington Costa
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) alcançou 49 órgãos da Administração Pública Federal entre 2024 e 2025 com a implantação assistida da metodologia de dimensionamento da força de trabalho (DFT). Desse total, 29 órgãos iniciaram o DFT em 2025 e 20 órgãos em 2024.
O dimensionamento já foi concluído em 33 desses órgãos e outros dois estão na fase final de coleta de dados. Esses 35 órgãos já dispõem de dados relevantes sobre sua força de trabalho atual, que indicam os principais gargalos e lacunas de competências, o que permite melhor planejamento das futuras contratações e da alocação de pessoal.
“Ao apoiar-se em uma gestão baseada em evidências, o DFT contribui para que as políticas públicas resultem em entregas eficazes, alinhadas às expectativas da sociedade”, destaca a coordenadora-geral de Planejamento da Força de Trabalho do MGI, Lorena Ferreira. O processo de dimensionamento é conduzido nos órgãos em quatro etapas até a conclusão dos trabalhos:
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ETAPA 1 – Reunião inaugural e alinhamento estratégico: É a etapa inicial dos trabalhos, com a abertura geralmente realizada pelas autoridades do órgão/entidade e do MGI, seguida da realização de uma oficina presencial para mapeamento das grandes entregas do órgão e o relacionamento dessas entregas com seu planejamento estratégico e cadeia de valor.
Nessa primeira oficina, são definidos os pontos focais para interlocução com o MGI, preferencialmente da área estratégica do órgão. Também é feita uma apresentação geral sobre o DFT, abordando suas principais informações, como objetivos, etapas e desdobramentos. Em seguida é realizado trabalho de construção colaborativa, com diretorias e respectivas coordenações, para identificação dos serviços prioritários de cada unidade, e registro em painel durante a oficina, seguindo as instruções da equipe do MGI.
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ETAPA 2 – Oficinas on-line (fase qualitativa): É o início dos trabalhos com as unidades até o nível de coordenação-geral (ou equivalente) para realização da descrição de área, ou seja, levantamento de todas as atividades e entregas das unidades e seu respectivo relacionamento com os serviços, processos e iniciativas estratégicas do órgão ou entidade.
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ETAPA 3 – Oficinas on-line (fase quantitativa): Nesta etapa, são identificadas as entregas em que houve atuação em um determinado intervalo de tempo e respectiva quantificação dos esforços das equipes empregados nessas entregas (o tempo alocado em cada), bem como os gargalos, demandas reprimidas e quantitativos das entregas realizadas frente ao esperado. A partir desta etapa, o Sistema de Dimensionamento de Pessoas (SISDIP) começa a ser utilizado.
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ETAPA 4 – Cálculo do DFT e análise dos resultados: Com todas as informações inseridas no sistema, é gerado o cálculo do DFT das unidades, que resulta na produção de diversos dados que podem subsidiar decisões gerenciais sobre as equipes. Os resultados vão evidenciar as entregas prioritárias da unidade, lacunas de entregas, estimar o quadro ideal do número de pessoas, apontar a concentração de esforços nas entregas mapeadas, dentre outras informações.
A implantação do DF nos 49 órgãos federais entre 2024 e 2025 foi dividida em três ciclos de mentoria:
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1º CICLO
- Início em 2024 e conclusão no primeiro semestre de 2025
– 20 órgãos atendidos: Advocacia-Geral da União (AGU); Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL); Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ); Casa Civil; Controladoria-Geral da União (CGU); Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); Ministério das Cidades; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania; Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Ministério da Justiça e Segurança Pública; Ministério do Planejamento e Orçamento; Ministério de Portos e Aeroportos; Ministério da Saúde; Ministério do Trabalho e Emprego; e Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).
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2º CICLO
- Início no primeiro semestre de 2025 e conclusão entre o segundo semestre de 2025 e primeiro semestre de 2026
– 16 órgãos atendidos: Agência Espacial Brasileira (AEB); Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD); Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); Fundação Biblioteca Nacional; Fundação Cultural Palmares; Fundação Joaquim Nabuco; Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); Ministério da Agricultura e Pecuária; Ministério das Comunicações; Ministério da Cultura; Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; Ministério da Fazenda; Ministério de Minas e Energia; e Ministério do Turismo.
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3º CICLO
- Início no segundo semestre de 2025 com execução ao longo de 2026
– 13 órgãos iniciados: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN); Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF); Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS); Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSEH); Fundação Casa de Rui Barbosa; Instituto Benjamin Constant (IBC); Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional; Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa); e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Sobre o DFT
Essa metodologia de coleta de dados, desenvolvida pelo MGI em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), revela ao gestor os principais gargalos e demandas reprimidas, além de informações sobre o perfil profissional condizente com as entregas e sobre a necessidade de preenchimento de lacunas de competências para a execução de políticas públicas. Assim, o uso do DFT permite aprimorar as atividades de capacitação e os pedidos de concursos públicos, contratações temporárias, movimentação de pessoal, e de criação e transformação de cargos federais.
Em 2025, após análise dos estudos de DFT, foi possível identificar, por exemplo, uma demanda por profissionais de atuação em atividades administrativas em todos os órgãos pesquisados, em quantitativos variados. Essa avaliação embasou a decisão de criação de vagas no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) para cargos de analista administrativo, com lotação no MGI e posterior redistribuição aos órgãos.
Em agosto, o DFT conquistou o segundo lugar no prêmio Agilidade Brasil 2025 — Setor Público durante o evento Agile Trends GOV 2025, por se destacar como inovação implementada com alta celeridade e impacto na melhoria da governança no setor público.
No último ano, a implantação do DFT foi acelerada devido a um conjunto de ações, em especial o programa de mentoria, que possibilitou a alocação de mais de 50 especialistas para auxiliar a disseminação assistida da metodologia nos órgãos, em diversas unidades simultaneamente. Até dezembro de 2025, o dimensionamento foi concluído em 5.500 unidades, de 122 órgãos federais, totalizando 6.708 dimensionamentos concluídos, incluindo nesse total as unidades que realizaram mais de um ciclo entre 2023 e 2025. Isso representa um crescimento expressivo em comparação com as 2.188 unidades dimensionadas em 85 órgãos até janeiro de 2025, e uma evolução ainda maior em relação às 1.143 unidades dimensionadas em 61 órgãos em 2024.
A agilidade na cobertura do DFT em curto espaço de tempo foi resultado de sete estratégias de inovação implementadas simultaneamente, que transformaram o processo de implantação da metodologia nos órgãos federais:
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Revisão do processo de autorizações para novos concursos e provimentos, incluindo o DFT como requisito no processo de avaliação das demandas pelo MGI;
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Desenvolvimento de um programa de mentoria em DFT, para implantação assistida da metodologia nos órgãos, por especialistas selecionados e formados como multiplicadores certificados pelo MGI;
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Integração entre DFT, planejamento estratégico e o Programa de Gestão e Desempenho (PGD);
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Evolução do Sistema de Dimensionamento de Pessoas (SISDIP) para o ambiente do Sistema de Gestão de Pessoas (Sigepe), possibilitando acesso a todos os órgãos federais, e criação de novas funcionalidades de visualização, extração e cruzamentos de dados;
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Desenvolvimento de solução de inteligência artificial para tratamento do banco de entregas e construção de um catálogo de processos e serviços do governo federal a partir das informações de entregas coletadas nos órgãos, consultável e reutilizável por qualquer órgão público;
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Gestão do conhecimento em DFT, que incluiu o desenvolvimento de um pacote padrão de oficinas a serem ministradas em cada órgão para a completa implantação da metodologia em 15 semanas, incluindo planos de conteúdos a serem abordados em cada encontro, além da produção de guias práticos de implantação da metodologia; e
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Desenvolvimento de um relatório de diagnóstico da força de trabalho nos órgãos como produto final do DFT.
Outras ações
O ano de 2025 foi marcado por uma série de avanços relacionados ao DFT, como a realização do Seminário Nacional sobre Dimensionamento da Força de Trabalho nos dias 18 e 19 de novembro. O encontro reuniu especialistas, pesquisadores e gestores federais na sede do MGI, em Brasília (DF), para discutir práticas, evidências e metodologias voltadas ao aprimoramento da gestão de pessoas no setor público. Durante o evento, ocorreu o lançamento do selo “DFT em Implementação”, que será entregue pela primeira vez para órgãos que realizaram o DFT. Também foi lançado o sétimo volume da série de livros sobre o DFT publicados pelo MGI em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), complementando as edições anteriores com as atualizações mais recentes sobre o tema.
Nos dias 4 e 15 de dezembro, as equipes do Programa Nacional de Gestão e Inovação (PNGI) do MGI promoveram duas palestras on-line sobre DFT a representantes de estados e municípios que integram o programa. A iniciativa faz parte das ações do PNGI de apoio à implantação de soluções disponibilizadas pela pasta da Gestão voltadas ao fortalecimento dos serviços públicos prestados à população.
Em 30 de outubro, durante o 2º Seminário de People Analytics no Setor Público, a coordenadora-geral de Planejamento da Força de Trabalho do MGI, Lorena Ferreira apresentou a gestão da força de trabalho baseada em evidências, abordando a estratégia que vem sendo adotada para atrair talentos e recompor as capacidades estatais, que envolve etapas de planejamento, de dimensionamento e de delineação de soluções para as situações identificadas.
Em 28 de agosto, um workshop sobre o DFT foi promovido durante a conferência Agile Trends GOV 2025, realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF). O objetivo foi capacitar servidores públicos e profissionais do setor privado a utilizar essa metodologia inovadora como ferramenta estratégica para a avaliação e o planejamento de políticas e projetos.