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Qualificação, Emprego e Renda
MTE debate impactos da transição industrial na Baixada Santista com representantes do setor e autoridades locais
Foto: Matheus Itacaramby / MTE
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, recebeu no dia 3 de fevereiro, em Brasília, representantes da indústria petroquímica da Baixada Santista, no estado de São Paulo, e do município de Cubatão (SP). A reunião teve como foco os impactos da transição econômica e industrial na região, especialmente no mercado de trabalho, diante do fechamento de empresas e novos investimentos previstos.
Durante o encontro, Sérgio Luiz Leite, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (FEQUIMFAR) e vice-presidente da Força Sindical, destacou a preocupação do setor com o fechamento de empresas na região “O fechamento de postos de trabalho acontece em um setor que agrega uma massa salarial mais alta e com benefícios aos trabalhadores”, explicou. Ele acrescentou ainda que essa questão já vem sendo debatida pelos gestores locais no âmbito da Nova Indústria Brasil.
Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Químicos de Santos (SP), destacou que é necessária a requalificação dos trabalhadores porque o perfil do ambiente de trabalho na região está mudando. Segundo ele, está previsto na região a expansão portuária e que devem ser gerados cerca de 4 mil empregos ao longo de quatro anos, além de outra grande obra prevista para começar em um ano e meio, com potencial de criar até 9 mil postos de trabalho. “Vai ter investimentos na região e queremos preparar os nossos jovens. Está previsto também uma planta nova da Petrobras que abrirá muitos postos de trabalho. É preciso dar oportunidade para os trabalhadores, dar qualificação para que tenham oportunidades”, sugeriu.
O prefeito de Cubatão (SP) César da Silva Nascimento também destacou os efeitos sociais e econômicos do fechamento de empresas. De acordo com ele, apenas uma indústria que encerrou suas atividades recentemente deixou de gerar cerca de R$ 128 milhões em valor agregado para o município. “O pior não é apenas a falta de recursos, mas o caos social que se instala. As pessoas permanecem na região, sem emprego”, disse.
Em sua fala, o ministro Luiz Marinho destacou que a dinâmica econômica envolve o crescimento de alguns setores e a retração de outros, muitas vezes impulsionada pelo avanço tecnológico. Segundo ele, é necessário melhorar a produtividade em todos os setores no país, para se conseguir competir no mercado internacional. Então, a receita mais eficiente é melhorar a produtividade. “Não vamos melhorar a produtividade se não houver investimento em tecnologia. A tecnologia melhora a produtividade, mas diminui a necessidade de mão de obra. Para compensar isso, é preciso ampliar a produção, as exportações e o mercado interno”, afirmou.
Luiz Marinho ressaltou ainda que, apesar das dificuldades em alguns microterritórios, o país tem registrado avanços na geração de empregos, como demonstram os índices de desemprego e desocupação. Ele citou Cubatão como um exemplo de município que, em 2025, apresentou forte geração de empregos e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo diante dos desafios recentes. O ministro também orientou que haja uma negociação coletiva com as empresas ao encerrarem as suas atividades, para que dêem uma contrapartida, após décadas utilizando a mão de obra e os recursos do município. “Evidentemente, que o capital é da empresa, que tem o direito de transitar para lá e para cá, mas tem obrigações sociais que nessa hora tem que cobrar”, argumentou.