Notícias
INPI concede a IG São Joaquim (SC) para o produto Frescal
Saiba mais
Segundo a documentação apresentada ao INPI, a tradição do Frescal está diretamente ligada à história da pecuária no Planalto Catarinense. Desde o século XVIII, tropeiros que conduziam gado do Rio Grande do Sul até Sorocaba, em São Paulo, utilizavam a região como ponto de descanso e engorda dos animais. Nesse contexto, surgiu a prática de salgar a carne para garantir sua conservação durante as longas viagens.
Com o passar do tempo, a técnica foi sendo adaptada e aperfeiçoada pelas famílias locais, dando origem ao Frescal de São Joaquim. O nome do produto teria surgido há cerca de 50 anos, após um jornalista paulista provar a carne em uma churrascaria local e afirmar que ela não era charque nem carne fresca, mas sim um “frescal”. A expressão acabou popularizando o produto em todo o país.
A notoriedade do Frescal também está associada às características naturais da Serra Catarinense. O gado é criado solto e alimentado em pastagens nativas de altitude, em um ambiente de baixas temperaturas. Essas condições contribuem para a maciez e o sabor característicos da carne.
O processo de preparo mantém características artesanais. As peças bovinas são salgadas e curadas ao ar livre ou em ambientes controlados, sempre sem exposição direta ao sol. Diferentemente do charque ou da carne de sol, o Frescal passa por um processo de maturação mais curto, de até 48 horas, preservando a maciez, a coloração rosada e a suculência da carne.
A fama do produto é reforçada por reconhecimentos oficiais. O Frescal foi o primeiro produto cárneo de Santa Catarina a receber o Selo Arte. Além disso, o município de São Joaquim instituiu oficialmente o “Churrasco de Frescal” como prato típico local, e o produto também foi declarado patrimônio cultural do estado catarinense.
