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Bullying e violência: desafios nas escolas brasileiras

Pesquisa aplicada pelo Inep traz dados sobre intimidação e abuso nas escolas. Professores e diretores também responderam sobre iniciativas de conscientização
Publicado em 07/04/2021 17h11 Atualizado em 07/04/2021 18h00
Colaboradores: Matheus Ferrari

O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas, celebrado nesta quarta-feira, 7 de abril, lança luz sobre aspectos fundamentais acerca do processo educacional — a data foi instituída pela Lei n.º 13.277, de 29 de abril de 2016. O Brasil é um dos 48 países que participaram da mais recente edição da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), realizada entre 2017 e 2018, que apurou dados sobre essas práticas no ambiente escolar. Na pesquisa, diretores de escolas brasileiras declararam que 28% das instituições que ofertam os anos finais do ensino fundamental identificam, semanal ou diariamente, situações de intimidação ou bullying entre os estudantes. 

Do conjunto de países que fizeram parte deste ciclo da Talis, 3% das escolas revelaram enfrentar problemas de intimidação ou ofensa verbal a professores ou funcionários ao menos uma vez por semana. No Brasil e na Bélgica, a pesquisa aponta para a incidência semanal do problema em mais de 10% das escolas participantes. Questionados, 18,8% dos professores dos anos finais do ensino fundamental que atuam no Brasil responderam que os casos de intimidações ou abusos verbais são bastante estressantes para eles. Outros 17,2% consideraram essas situações como muito estressantes. Entre os professores brasileiros de ensino médio, 16,3% afirmaram que casos dessa natureza geram bastante estresse e 14,1% disseram ficar muito estressados quando são intimidados ou abusados verbalmente.

Cabe pontuar que o questionário aplicado apresentou uma escala crescente com quatro respostas possíveis (nada, pouco, bastante e muito), em termos de impressão dos docentes sobre como se sentem diante das situações de violência.

Diversidade – Nesta rodada da Talis, professores e diretores de escolas brasileiras mostraram sua percepção sobre temas como liderança escolar, desenvolvimento profissional, satisfação com o trabalho e segurança. A edição marcou, ainda, a inclusão de novos temas para a pesquisa, como o ensino em ambientes com diversidade cultural, principalmente no que diz respeito às origens culturais e étnicas dos alunos e funcionários das escolas. Nos questionários, foram feitas perguntas sobre as práticas relacionadas ao reconhecimento e à valorização das diferenças. 

Ao responderem sobre em que medida conseguem colocar em prática determinadas ações de integração em uma turma culturalmente diversa, 59,5% dos professores dos anos finais do ensino fundamental afirmaram ser bastante capazes de garantir que os alunos com e sem antecedente de migração trabalhem juntos. Outros 23,3% dos docentes disseram ser muito capazes. 

Ao todo, 56,4% desses professores declararam conseguir aumentar a conscientização sobre as diferenças culturais entre os alunos de forma bastante significativa. Já 38% deles disseram que conseguem fazer isso em uma proporção muito relevante. Desses docentes dos anos finais do fundamental, 50,7% declararam ser bastante capazes de reduzir o uso de estereótipos de etnias entre os estudantes. Outros 37,7% afirmaram ser muito capacitados para fazer o mesmo.

Iniciativas – De acordo com 81,3% dos professores de ensino fundamental que participaram da pesquisa no Brasil, as escolas em que trabalham organizam eventos multiculturais, como um dia específico de atividades voltadas à conscientização da diversidade. Já 18,7% disseram que as instituições em que atuam não realizam eventos dessa natureza. Ao todo, 80,8% desses docentes disseram que seus locais de trabalho oferecem aulas sobre como lidar com a discriminação cultural e étnica. Por outro lado, 19,2% declararam que as escolas não têm iniciativas como essa.

No caso dos professores de ensino médio, 59% afirmaram ser bastante capazes de lidar com os desafios de uma turma multicultural. Outros 18,8% declararam estar muito capacitados. Ao todo, 84,2% dos docentes dessa etapa educacional disseram que, em seus locais de trabalho, são adotadas práticas de ensino e aprendizagem que integram temas globais por todo o currículo. Em contraponto, 15,8% deles disseram que isso não ocorre nas escolas em que atuam.

Questionados sobre atividades que incentivam a expressão da diversidade étnica e de identidades culturais dos alunos, como a organização de grupos artísticos, 76,2% dos docentes de ensino médio declararam que as instituições em que dão aula promovem iniciativas dessa natureza. Por outro lado, 23,8% afirmaram que não são realizadas atividades nesse sentido.

Talis – Participaram desta edição da Talis (2018) 2.447 professores e diretores de 185 escolas dos anos finais do fundamental (6º ao 9º ano) e 2.883 de 186 escolas do ensino médio, das redes pública e privada. Os dados revelados pelo estudo são comparáveis internacionalmente e refletem questões relacionadas à aprendizagem e às condições de trabalho desses profissionais em diversos países. As informações são apuradas por meio de questionários que, no Brasil, foram aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com as secretarias estaduais de Educação.  

A pesquisa é desenvolvida a cada cinco anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e é conhecida, em escala global, como Teaching and Learning International Survey. A comparação de informações atualizadas, que levam em conta o ponto de vista dos profissionais atuantes, visa a ajudar os países na revisão e na definição de políticas educacionais cada vez mais efetivas. Os resultados brasileiros da última edição foram divulgados pelo Inep em duas etapas. O primeiro volume foi publicado em junho de 2019 e o segundo, em março de 2020.

Acesse os resultados da Talis

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Assessoria de Comunicação Social do Inep

 

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