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NOVOS CAMINHOS
Computadores conectam mulheres e população LGBT na tríplice fronteira amazônica
Foto: Peter Neylon/MCom
Em uma região onde o acesso só é possível por barco e os serviços públicos ainda chegam com dificuldade, a tecnologia começou a abrir novos caminhos. Nesta quinta-feira (26), cerca de 50 notebooks desembarcaram em Benjamin Constant (AM), na tríplice fronteira amazônica, levando mais do que equipamentos: levando oportunidade.
Os computadores foram destinados a quatro associações que atuam na defesa de mulheres e da população LGBT em situação de vulnerabilidade. A proposta é clara: transformar acesso digital em autonomia, capacitação e porta de entrada para o mercado de trabalho.
Para quem vive na região, o impacto é imediato e simbólico.
“Os serviços públicos quase não chegam até nós. Com esses computadores, damos um passo para nos conectar com o mundo, e para que o mundo também se conecte com a gente”, resume Evandro Teixeira, da Associação de Gays, Lésbicas e Travestis da Tríplice Fronteira (AGLTTF).
A entrega foi acompanhada de perto pela secretária-executiva do Ministério das Comunicações, Sônia Faustino, que destacou o significado de ver a política pública acontecendo onde ela é mais necessária.
“Estar aqui é ver a inclusão acontecer na prática. Estamos falando de dignidade, de oportunidade e de transformação real na vida das pessoas. É por isso que trabalhamos: para que a tecnologia chegue a quem mais precisa”, afirmou.

- Foto: Peter Neylon
Na prática, os equipamentos vão apoiar iniciativas que já mudam histórias todos os dias. É o caso da Associação Mulheres Pérolas de Tabatinga – Mais Amor, que atua diretamente com mulheres em situação de violência e vulnerabilidade social.
“Nosso trabalho é ajudar essas mulheres a romperem ciclos de violência e conquistarem independência financeira. Hoje, isso passa necessariamente pelo digital. Esses computadores vão ampliar oportunidades, abrir caminhos para o emprego e fortalecer a autoestima dessas mulheres”, explica a representante Aldenora Magalhães.
A atuação das entidades também alcança imigrantes em situação de vulnerabilidade, pessoas de diferentes nacionalidades que vivem na região e enfrentam dificuldades para acessar direitos básicos.
Além da AGLTTF e da associação de mulheres, também foram contempladas a Associação Benjaminense de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (ABLGBT) e o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas LGBTQIAPN+ de São Paulo de Olivença.
Para lideranças locais, a ação marca um momento histórico.
“É a primeira vez que vemos uma iniciativa de inclusão digital voltada para a população LGBT aqui no Alto Solimões. Nunca houve algo assim. É um passo fundamental para fortalecer nossas comunidades, inclusive em diálogo com países vizinhos, onde muitas vezes esse tipo de política sequer existe”, destaca o antropólogo e liderança LGBT Roberto Machado.
Mais do que conectar computadores, a iniciativa conecta trajetórias. Em uma região marcada por distâncias geográficas e sociais, a inclusão digital começa a reduzir fronteiras, e a criar novas possibilidades de futuro.
Texto: ASCOM | Ministério das Comunicações • Mais informações: imprensa@mcom.gov.br | (61) 2027.6086 ou (61) 2027.6628