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ANS defende cuidado centrado na pessoa e participação social na saúde suplementar
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) participou, nesta terça-feira, 12/5, do evento “A Voz do Paciente na Saúde Suplementar”, promovido pela Johnson & Johnson, em São Paulo. O encontro reuniu representantes de nove associações de pacientes, especialistas do setor e integrantes da Agência em um espaço de diálogo voltado à construção de um sistema de saúde suplementar que coloque o paciente no centro das decisões.
A ANS esteve representada pelo diretor-presidente, Wadih Damous, pela diretora de Fiscalização, Eliane Medeiros, que participaram virtualmente.
Na abertura institucional, o diretor-presidente da Agência destacou a necessidade de uma mudança de paradigma no modelo assistencial, com a superação da lógica centrada exclusivamente no pagamento por procedimentos isolados. Segundo Damous, é fundamental avançar para um cuidado contínuo, baseado em desfechos clínicos e funcionais, coordenação do cuidado e ações de promoção, prevenção e diagnóstico precoce.
“Precisamos colocar a pessoa no centro da regulação. Um sistema orientado apenas por procedimentos é reativo, oneroso e pouco eficiente. O foco deve estar no cuidado integral ao longo da jornada do paciente, com mais coordenação e resultados em saúde”, afirmou.
Wadih Damous também ressaltou que a sustentabilidade do sistema deve ser entendida como um equilíbrio entre viabilidade econômica e proteção ao beneficiário, rejeitando a simples transferência de custos para o usuário. Para ele, investimentos em prevenção, atenção primária estruturante e organização do cuidado são estratégias essenciais para reduzir desperdícios e garantir a continuidade da assistência.
Durante o evento, o diretor-presidente destacou ainda o novo papel da regulação, com uma atuação cada vez mais estruturante e indutora de valor, capaz de alinhar incentivos, organizar informações, promover previsibilidade regulatória e fortalecer a proteção do interesse público.
Fiscalização preventiva e responsiva
A diretora de Fiscalização da ANS, Eliane Medeiros, abordou o novo modelo de fiscalização da Agência, que passa a priorizar uma atuação preventiva e responsiva, com foco na resolução antecipada de problemas e na melhoria da experiência do consumidor.
“A fiscalização evolui para um modelo que busca induzir conformidade, prevenir conflitos e aumentar a resolutividade, utilizando dados, análise amostral e mediação ativa, sempre com o objetivo de proteger o beneficiário e aprimorar a qualidade da assistência”, destacou a diretora.
Eliane Medeiros ressaltou ainda o fortalecimento das ouvidorias, a adoção de regras mais claras de transparência e comunicação e o uso estratégico da informação como instrumentos para qualificar a atuação regulatória e promover maior confiança no sistema.
Inovação, governança e participação social
Outro ponto abordado pelas lideranças da ANS foi a inovação com responsabilidade, condicionada à geração de valor real em saúde, com destaque para a importância da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), da evidência científica robusta, da análise de impacto orçamentário e do monitoramento pós-incorporação.
A agenda regulatória 2026–2028 foi apresentada como instrumento de previsibilidade e diálogo com o setor, além de plataforma para enfrentar desafios estruturais como o envelhecimento populacional, o aumento das doenças crônicas, a judicialização e os custos crescentes da assistência.
A participação das associações de pacientes foi apontada como elemento importante para o fortalecimento da regulação, contribuindo para a redução de assimetrias de informação, o letramento em saúde e o aprimoramento das políticas públicas.
“O diálogo permanente com os pacientes e suas representações é essencial para uma regulação mais transparente, responsiva e comprometida com melhores desfechos em saúde”, concluiu Wadih Damous.