Notícias
Período Eleitoral
ANS debate prevenção de riscos do El Niño nos hospitais
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) reuniu, nesta quarta-feira (5/8), especialistas e representantes de hospitais para discutir a preparação dos serviços de saúde diante dos impactos do El Niño. Transmitido pelo canal da Agência no YouTube, o webinário “Prevenção dos Riscos do El Niño para os Hospitais” abordou medidas de prevenção, comunicação de risco, gestão de crises e continuidade da assistência, além de apresentar aprendizados obtidos durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Na abertura, o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, destacou que a preparação antecipada pode reduzir os efeitos dos eventos climáticos extremos sobre a população e os serviços de saúde: “Temos a oportunidade de adotar medidas que amenizem os inevitáveis danos que ocorrerão por conta dos acontecimentos decorrentes de climas extremos”, afirmou. Damous também chamou a atenção para os impactos sobre grupos mais vulneráveis, como crianças, pessoas idosas, gestantes, pessoas com deficiência, pacientes com doenças crônicas e populações em situação de maior vulnerabilidade social.
Entre as frentes apresentadas pela ANS, estão o mapeamento de hospitais de referência, a realização de reuniões técnicas, o compartilhamento de experiências de unidades que já enfrentaram catástrofes climáticas e a produção de material técnico para a saúde suplementar.
A Agência também propõe que hospitais revisem e atualizem seus planos de contingência, planejem previamente possíveis aumentos da demanda e garantam condições para manter a assistência mesmo diante da interrupção do fornecimento de energia ou água.
Para as operadoras, foram destacadas medidas como o fortalecimento da coordenação pela Atenção Primária à Saúde (APS), a utilização da telemedicina quando necessária e a manutenção de canais de comunicação com os beneficiários. “Queremos atuar com rigor e disciplina. Estamos abrindo esse debate para que possamos nos organizar desde já”, ressaltou o diretor-presidente.
Comunicação como parte do cuidado
A professora e pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Rosângela Florczak abordou a importância de incorporar a comunicação de risco à rotina das instituições. Para ela, não basta transmitir informações ou emitir alertas, é preciso construir relações de confiança e oferecer condições concretas para que as pessoas consigam agir. “O alerta significa que eu preciso mudar o meu comportamento. Já não posso mais permanecer naquele lugar. Não é momento de negociar com os riscos”, pontuou.
A professora destacou que os protocolos devem considerar as pessoas que, por razões clínicas, sociais, territoriais ou informacionais, podem não conseguir responder sozinhas a uma situação de emergência. “O indivíduo não vai conseguir se proteger sozinho. Ele precisa de uma estrutura organizada”, reforçou. A especialista defendeu que hospitais e operadoras estabeleçam previamente estruturas de governança, identifiquem seus diferentes públicos, preparem mensagens e rotas alternativas, definam mediadores locais e realizem testes dos fluxos de resposta.
Emergência climática e resposta hospitalar
Na sequência, o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), Carlos Machado, tratou da crise climática sob a perspectiva da saúde pública. Ao apresentar um panorama do tema, ele destacou que os eventos extremos devem ser compreendidos também pelos efeitos que provocam sobre a saúde da população e sobre a capacidade de resposta dos serviços.
O pesquisador utilizou as enchentes do Rio Grande do Sul como referência para falar sobre a necessidade de preparação permanente dos sistemas de saúde diante de riscos cada vez mais frequentes e intensos.
A experiência prática foi apresentada pelo gerente administrativo do Hospital Estrela, da Rede de Saúde da Divina Providência, Johnnie Locatelli. A unidade, localizada no Vale do Taquari, na região central do Rio Grande do Sul, enfrentou interrupções no fornecimento de energia e água, falhas nos sistemas de comunicação, restrições no abastecimento de gases medicinais e dificuldades de acesso durante a enchente de maio de 2024.
Locatelli destacou que, apesar da infraestrutura do hospital ter sido inundada, nenhuma área assistencial foi atingida. A instituição instalou um comitê de crise, transferiu pacientes críticos, manteve os atendimentos essenciais, protegeu equipamentos e organizou a obtenção de energia, insumos e apoio de hospitais próximos.
O gerente ressaltou, ainda, que o envolvimento dos trabalhadores foi decisivo para manter o funcionamento da unidade durante a emergência. “Sem o engajamento e a colaboração deles, o processo seria muito mais difícil. Tivemos um ambiente de troca e de partilha. Tínhamos um caos organizado”, relatou.
Integração para proteger a assistência
O encontro foi encerrado com um debate mediado pela assessora de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade Setorial da ANS, Katia Audi, com a participação dos palestrantes, de hospitais convidados e do público que acompanhou a transmissão pelo YouTube. “A integração entre o público e o privado é fundamental. A articulação da ANS com o Ministério da Saúde, com as operadoras e com os serviços de saúde permite antecipar riscos, preparar a rede assistencial e proteger a saúde da população”, concluiu Katia Audi.
Clique aqui para assistir à gravação do webinário “Prevenção dos Riscos do El Niño para os Hospitais”.