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MISSÃO OFICIAL
Brasil e Marrocos discutem fertilizantes, agricultura em terras áridas e comércio de grãos
Uma missão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ao Reino do Marrocos tratou de três frentes da relação bilateral no agronegócio: o suprimento de fertilizantes fosfatados ao Brasil, a cooperação científica voltada à agricultura em regiões semiáridas e a ampliação das exportações brasileiras de grãos ao mercado marroquino. A delegação foi chefiada pelo secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, e contou com o apoio da Embaixada do Brasil no Marrocos. A programação incluiu reuniões com representantes do setor privado, instituições de pesquisa e autoridades marroquinas.
Fertilizantes
A delegação visitou o complexo industrial de Jorf Lasfar, operado pelo OCP Group, que concentra atividades de produção de fertilizantes fosfatados. O local ocupa mais de 2 mil hectares, reúne 16 plantas industriais e tem capacidade instalada de 15 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, com previsão de chegar a 20 milhões de toneladas até 2030.
Durante a visita, foram discutidos o fornecimento de fertilizantes fosfatados ao Brasil, possibilidades de pesquisa conjunta, desenvolvimento de formulações e eficiência no uso de nutrientes. Segundo representantes do grupo marroquino, o Brasil é atualmente seu principal mercado.
A visita percorreu a estação terminal do mineroduto de fosfato, que liga a mina ao complexo ao longo de 187 quilômetros, a linha integrada de produção de fertilizantes e a plataforma central de gestão do sítio.
Bioinsumos e agricultura de baixo carbono
A agenda também incluiu uma apresentação sobre a experiência brasileira em agricultura de baixo carbono e uso de tecnologias sustentáveis. Foram apresentados o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC+), as tecnologias incluídas nas políticas de produção sustentável e a experiência brasileira com bioinsumos. Um dos exemplos citados foi a fixação biológica de nitrogênio, utilizada em mais de 40 milhões de hectares no país.
O tema foi discutido como possibilidade de cooperação técnica entre os dois países, especialmente em eficiência no uso de nutrientes e tecnologias adaptadas às condições de produção de cada região.
Cooperação científica para o semiárido
A delegação visitou também a plataforma de pesquisa do Centro Internacional de Pesquisa Agrícola em Áreas Secas (Icarda), em Rabat. A instituição desenvolve pesquisas voltadas à agricultura em regiões áridas do norte da África, do Oriente Médio e da Ásia Central.
Entre os temas discutidos esteve a palma forrageira (Opuntia), utilizada tanto no semiárido brasileiro quanto em regiões do Marrocos. As conversas trataram de intercâmbio de germoplasma, melhoramento genético, alimentação animal e do controle da cochonilha-docarmim, praga que afeta a cultura nos dois países.
O centro já desenvolveu, em parceria com instituições de pesquisa marroquinas, variedades de palma resistentes à praga.
Comércio de grãos
A missão também teve reunião com a federação que reúne importadores marroquinos de cereais e insumos para ração, responsável pela maior parte das compras externas do país nesses produtos. O Brasil é hoje o principal fornecedor de cereais ao mercado marroquino e responde por mais da metade do milho importado pelo país, cujas compras de origem brasileira mais que dobraram desde 2018.
Como encaminhamento, foi discutida a realização de um seminário de negócios, com apoio da Embaixada do Brasil no Marrocos, para aproximar associações brasileiras do setor e importadores marroquinos. A agenda também tratou de questões relacionadas à logística do transporte de cargas entre os dois países.
O Marrocos integra a rede de sete adidâncias agrícolas brasileiras na África.
Suspensão de tarifas para carnes
Desde 27 de julho, o Marrocos suspendeu a cobrança do direito de importação sobre ovinos domésticos vivos e carnes bovina, ovina, caprina e de espécies camelídeas. A medida vale até 31 de dezembro de 2026 e se aplica às importações originárias de todos os países.
A decisão foi formalizada pelo Decreto nº 2.26.584 e pela Circular nº 6762/211, da Administração das Alfândegas e Impostos Indiretos do Marrocos. Segundo o governo marroquino, a medida tem como objetivo aumentar a oferta interna de carnes vermelhas.
O censo pecuário de 2025 registrou redução de cerca de 30% do rebanho bovino do país, em um período marcado por seca e aumento dos custos com alimentação animal.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 213,5 milhões em bovinos vivos para o Marrocos, ante US$ 41 milhões em 2024. No primeiro quadrimestre de 2026, o país foi o segundo principal destino das exportações brasileiras de bovinos vivos.
Para os bovinos vivos destinados ao abate, o contingente tarifário estabelecido pelo Marrocos para 2026 é de 300 mil cabeças.
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