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Fórum apresenta os resultados do novo IG Sest com foco na qualidade das entregas das estatais para a sociedade
Secretária de Coordenação e Governança das Estatais, Elisa Leonel, e secretário-executivo do MGI, Cilair Abreu participaram da abertura do evento e destacaram a importância do IG-Sest incorporar dimensões relacionadas à qualidade das entregas para a sociedade, à inovação e à contribuição dessas empresas para a concretização de políticas públicas. Foto: Washington Costa
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) realizou, nesta quinta-feira (12/3), o 5º Fórum de Compartilhamento de Boas Práticas das Empresas Estatais, no qual foram apresentados os resultados do 7º ciclo do IG-Sest, índice de governança mantido pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), evidenciando avanços na governança e no desempenho das estatais federais. O evento também marcou o lançamento do Observatório de Inovação das Empresas Estatais.
A secretária da Sest, Elisa Leonel, destacou que o IG-Sest passou por um processo de reformulação para ampliar o escopo da avaliação das estatais. Nos ciclos anteriores, o índice concentrava-se principalmente na verificação do cumprimento de requisitos e na existência de estruturas formais de governança. A partir do 7º ciclo, a metodologia passou a incorporar dimensões relacionadas à qualidade das entregas para a sociedade, à inovação e à contribuição dessas empresas para a concretização de políticas públicas.
“As empresas estatais têm um papel importante para o desenvolvimento econômico e social do nosso país. Elas contribuem, historicamente, para que a gente avance em sustentabilidade, autonomia em cadeias estratégicas, soberania, promoção de igualdade, acesso a serviços públicos que têm que chegar a todos os rincões do nosso país, garantindo igualdade à população brasileira”, afirmou a secretária.
Representando a ministra Esther Dweck, o secretário-executivo do MGI, Cilair Abreu, defendeu que a análise dessas organizações precisa considerar também os impactos de longo prazo associados à razão de existir dessas companhias.
O secretário-executivo citou o exemplo da Embrapa, destacando que o impacto da empresa para o desenvolvimento agrícola do país dificilmente pode ser compreendido apenas a partir da análise de resultados financeiros. Segundo ele, uma análise restrita ao lucro líquido seria insuficiente para captar o retorno produzido pela empresa ao longo do tempo.
“O propósito de existir de uma empresa estatal supera essa dimensão temporal mais estreita dos balanços econômicos e financeiros — não se trata de desprezar esses aspectos e não é isso que o IG-Sest se propõe a fazer”, disse. “O indicador busca sintetizar o desempenho das empresas para além dessa questão dos balanços”, acrescentou.
Nova metodologia do IG-Sest aprimora avaliação das estatais
A abertura do Fórum também contou com a participação de parceiros que participaram da reformulação do IG-Sest, como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e a Controladoria-Geral da União (CGU). O especialista do IPEA, Bruno Queiroz Cunha, enfatizou que a nova fase do indicador dialoga com uma visão mais ampla sobre o papel do Estado e das empresas estatais ao articular aspectos econômicos, financeiros e de políticas públicas.
Segundo ele, essa abordagem reflete uma característica presente em diferentes áreas da atuação estatal: a combinação entre objetivos econômicos e finalidades públicas. Cunha elogiou a versão alcançada e o contínuo aprimoramento do indicador. “O IG-Sest partilha dessa inspiração, que é moderna e tem a ver com tendências em linhas de pensamento econômicas, administração pública, condução das políticas públicas e com as necessidades do país.”
O secretário federal de Controle Interno da CGU, Ronald Balbe, observou que instrumentos de avaliação como o IG-Sest cumprem papel relevante ao oferecer referências para o aperfeiçoamento contínuo da gestão, tanto entre empresas com desempenho mais elevado quanto entre aquelas que ainda precisam avançar em determinados critérios. “A razão de existir das estatais está em sintonia com todo esse arranjo que o governo atual se propõe a fazer para que o Brasil possa alcançar um nível maior de desenvolvimento econômico e social, reduzindo desigualdades, o que é fundamental”, disse.
Ao falar sobre a reformulação do IG-Sest, o secretário-adjunto Pedro Cavalcante esclareceu que a mudança partiu do entendimento de que as estatais são submetidas, ao mesmo tempo, a exigências de integridade e compliance e a pressões por resultados econômicos. Esse cenário, segundo ele, exige uma avaliação mais sofisticada.
Cavalcante explicou que o processo de revisão contou ainda com apoio acadêmico. Em parceria com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), foi realizada uma revisão de literatura que analisou mais de 200 estudos internacionais sobre avaliação de empresas estatais. As tendências identificadas apontam justamente para a importância de considerar dimensões como desenvolvimento econômico, prestação de serviços públicos e inovação — aspectos incorporados na nova metodologia do índice. “O 7º ciclo está muito convergente com essas tendências internacionais”, destacou.
O diretor de Governança e Avaliação de Estatais da Sest, Renato Bigliazzi, complementou que uma das limitações das versões anteriores do índice era a ausência de sensibilidade setorial. Até o 6º ciclo, explicou, o IG-Sest era apresentado como um ranking de governança corporativa, sem considerar de forma suficiente as diferenças entre setores, portes de empresa e níveis de dependência em relação ao poder público. Segundo Bigliazzi, a etapa atual busca avançar na construção de indicadores mais aderentes à realidade de cada segmento. Nesse contexto, o desafio é definir métricas-chave capazes de refletir melhor as especificidades setoriais e tornar a avaliação mais precisa. A proposta, afirmou, é consolidar um modelo que preserve a análise de governança, mas que também amplie a capacidade de leitura sobre o desempenho das estatais em contextos diversos.
Confira os resultados do 7º Ciclo do IG-Sest: https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/estatais/igsest/ig-sest7ciclo.
Observatório de Inovação das Empresas Estatais
Durante o Fórum, a Sest também lançou o Observatório de Inovação das Empresas Estatais, iniciativa que reúne e divulga experiências desenvolvidas por diferentes organizações do setor público empresarial.
Segundo o secretário-adjunto da Sest, Pedro Cavalcante, a proposta é criar um espaço permanente para identificar, sistematizar e disseminar práticas capazes de gerar valor público. “O objetivo é reunir e difundir experiências inovadoras voltadas para gerar valor público de acordo com o propósito das estatais em diversas áreas e setores, além de constituir um espaço colaborativo de aprendizado”, afirmou.
No lançamento, foram apresentados nove casos de inovação desenvolvidos em empresas estatais. Entre eles:
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o aerogerador de 7 MW da Petrobras, voltado à redução da dependência de tecnologias estrangeiras em turbinas eólicas de grande porte;
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a agência de interoperabilidade Hiveplace, da BB Tecnologia e Serviços (BBTS);
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o inventário de gases de efeito estufa criado pelo Porto de Santos;
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o Espaço TEIA, da Caixa Econômica Federal (CEF), direcionado à conexão com govtechs e startups;
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o Índice de Desempenho de Meio Ambiente da Infraero (IDMAI), ferramenta que monitora metas e indicadores ambientais nos aeroportos administrados pela empresa;
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o Hubine, um espaço mantido pelo Banco do Nordeste e dedicado ao fomento da inovação;
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o Prioscan, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que utiliza inteligência artificial para apoiar a priorização clínica de exames;
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o sistema fechado de aspiração e administração de aerossóis para tornar o processo de ventilação mecânica mais seguro e efetivo (desenvolvido pelo Grupo Hospitalar Conceição); e
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o Jud-e, do BNDES, uma solução de IA generativa aplicada à análise de integridade e aptidão jurídica.
No encerramento do painel, Cavalcante ressaltou que o observatório busca estimular a troca de experiências entre as estatais e ampliar a circulação de soluções que possam ser adaptadas por outras organizações. “Inovar também significa observar o que outras instituições estão fazendo e trabalhar em rede”, afirmou.
Para conhecer essas e outras iniciativas de inovação desenvolvidas por empresas estatais federais, acesse a página do Observatório de Inovação das Empresas Estatais no portal do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.