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BNDES celebra 74 anos com retomada do protagonismo da instituição como instrumento de desenvolvimento do país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (22/6), que o Brasil supere a oposição entre setor público e setor privado ao tratar de desenvolvimento econômico. Durante a cerimônia em comemoração aos 74 anos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, Lula afirmou que o critério deve ser a capacidade de instituições públicas e privadas entregarem resultados para o país.
“O Brasil não pode comportar mais aquele discurso atrasado entre a competência privada e a competência pública. O que é público e funciona tem que continuar público e funcionando. O que é privado e funciona tem que continuar privado e funcionando. O que importa é que os dois produzam”, disse o presidente.
Na mesma linha, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, afirmou que os resultados recentes do BNDES expressam a retomada do papel histórico da instituição como instrumento de desenvolvimento. Segundo ela, o banco voltou a ocupar uma função estratégica depois de um período de perda de protagonismo. “O desenvolvimento econômico não acontece por acaso. Ele é fruto de planejamento, de coordenação institucional, de investimentos estratégicos e de atuação de instituições públicas comprometidas com o interesse e com a soberania nacional”, disse.
A ministra também estendeu a análise para o conjunto das empresas estatais federais, que alcançaram mais de R$ 1,4 trilhão em faturamento em 2025 e, nos três anos do atual mandato, o lucro acumulado das estatais foi de meio trilhão de reais. Ela ressaltou, ainda, que o principal indicador desse movimento é a retomada dos investimentos dessas empresas públicas, que passaram de R$ 51,4 bilhões em 2022 para cerca de R$ 116 bilhões em 2025, alta de 125% em três anos. “Esses resultados mostram que eficiência e propósito público podem, sim, andar juntos”, afirmou.
Na avaliação da ministra, o BNDES integra um conjunto de instrumentos públicos fundamentais para orientar investimentos em setores estratégicos. “A gente não conhece exemplo de nação que tenha realizado seu processo de industrialização ou dado saltos tecnológicos sem a presença ativa do Estado”, declarou Dweck.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apresentou um balanço da atuação recente do banco e afirmou que a instituição recuperou escala, solidez e capacidade de indução econômica. Segundo ele, nos últimos três anos e meio, o BNDES colocou R$ 862 bilhões em crédito na economia. Mercadante também afirmou que os ativos do banco passaram de cerca de R$ 650 bilhões, no início da atual gestão, para R$ 1,015 trilhão em 31 de maio deste ano. “Não adianta só o banco crescer, tem que crescer com segurança, com estabilidade, com consistência”, destacou.
Mercadante acrescentou ainda que o BNDES registrou lucro recorrente recorde e a menor inadimplência do sistema financeiro. Para o presidente do banco, os números mostram que a instituição voltou a exercer papel relevante no financiamento ao desenvolvimento, sem abrir mão da segurança nas operações. Em 2025, segundo Mercadante, o BNDES colocou R$ 366 bilhões em crédito na economia, volume equivalente a mais de R$ 1 bilhão por dia.
Os recursos do BNDES têm sido direcionados a diferentes frentes da economia. Na fala, Mercadante destacou financiamentos para indústria, inovação, infraestrutura, agricultura, saúde, inteligência artificial, transição energética, bioeconomia e apoio às micro, pequenas e médias empresas. Entre os exemplos citados estão projetos de rodovias, aeroportos, linhas de transmissão, recuperação da economia do Rio Grande do Sul, crédito à agricultura, apoio à produção de fármacos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos (IFAs), além de iniciativas ligadas ao Fundo Clima, ao Fundo Amazônia, ao reflorestamento e à descarbonização.
Anúncios reforçam agenda de indústria, clima e inovação
A cerimônia também foi marcada por anúncios de novas parcerias e instrumentos de financiamento voltados à indústria, à transição ecológica e à inovação. Entre as medidas, BNDES, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) assinaram carta de compromisso sobre o Investe+ Indústria, que disponibiliza R$ 140 bilhões para investimentos no âmbito do Plano Mais Produção, com foco em cadeias agroindustriais, complexo industrial da saúde, transformação digital, bioeconomia, transição energética, infraestrutura e tecnologias críticas para defesa. Com o anúncio, a Nova Indústria Brasil alcançará mais de R$ 750 bilhões em recursos até dezembro de 2026.
Na área de mobilidade verde, o BNDES anunciou financiamento de R$ 340 milhões à Tembici para a aquisição de 85 mil bicicletas elétricas que serão disponibilizadas para aluguel a entregadores vinculados ao iFood, no âmbito do projeto Bike para Você. A operação será realizada com recursos do Fundo Clima e busca combinar descarbonização da mobilidade urbana, aumento de produtividade e melhoria das condições de trabalho dos entregadores.
No evento, também foi formalizado protocolo de intenções entre BNDES e Petrobras para pesquisa, desenvolvimento e inovação em minerais críticos e estratégicos. A parceria prevê a troca de informações e análises sobre lacunas produtivas e tecnológicas em cadeias fundamentais para a transição energética, a descarbonização e a geração de valor no Brasil.
Também foram apresentados os resultados da primeira fase do ProFloresta+, programa desenvolvido por BNDES e Petrobras para compra de créditos de carbono de alta integridade. A iniciativa prevê R$ 450 milhões em investimentos, geração de 6,3 mil empregos e plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas em áreas degradadas da Amazônia. A iniciativa integra a estratégia BNDES Florestas, que já movimentou R$ 8,2 bilhões em investimentos, com previsão de plantio de 342 milhões de árvores nativas e captura carbono em volume equivalente a três anos de emissões da frota de veículos da cidade de São Paulo, segundo Mercadante.
Protagonismo do BNDES no desenvolvimento
As demais autoridades presentes também destacaram a atuação do BNDES como instrumento de financiamento, inovação e indução do desenvolvimento. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, relacionou a trajetória das duas estatais, que foram criadas na mesma época. “Se tem alguma coisa que nos une, neste momento de celebração dos 74 anos do BNDES e 72 da Petrobras, é o propósito de trabalhar em benefício do Brasil e da sociedade brasileira. Temos que celebrar o esforço das instituições nacionais que vem trabalhando ao longo dessas mais de sete décadas pelo do desenvolvimento do país”, definiu.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, associou a retomada do banco à estratégia de reindustrialização e ao fortalecimento da inovação no país. Ela também destacou a complementaridade entre BNDES, Finep e Embrapii no apoio a projetos de maior risco tecnológico, pesquisa aplicada e inovação empresarial. Segundo a ministra, “os países que lideram o desenvolvimento alinham política industrial e política de inovação, porque a indústria do futuro é verde, é digital e é intensiva em conhecimento e tecnologia”.
De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a atuação do BNDES expressa uma estratégia de desenvolvimento baseada na articulação entre setor público e iniciativa privada. “É a sinergia do setor público e privado que nos leva ao desenvolvimento”, declarou. Para ele, o banco tem contribuído para induzir investimentos em áreas como indústria, infraestrutura, agro, inovação, clima e políticas sociais.
Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou o papel do banco na execução da Nova Indústria Brasil. Segundo ele, o BNDES foi “talvez o principal interlocutor” do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na construção da política industrial. “Não há país que possa abrir mão de um banco de desenvolvimento”, afirmou. O ministro também ressaltou que a política industrial tem mobilizado o setor privado e contribuído para regionalizar investimentos, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.