Notícias
GOVERNO DIGITAL
Brasil reforça protagonismo em IA e Infraestrutura Pública Digital em missão estratégica na Índia
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, liderou em Bangalore, na Índia, a delegação brasileira na Missão Estratégica em Inteligência Artificial (MESTRIA), concebida pela Embaixada do Brasil em Nova Délhi no âmbito do Programa Diplomacia da Inovação (PDI). A iniciativa ocorre como desdobramento da AI Impact Summit, realizada entre 16 e 20 de fevereiro, e reúne representantes do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), da Presidência da República, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Serpro, da Dataprev, de centros de pesquisa, universidades e empresas públicas de tecnologia.
Mais do que uma agenda de visitas, o primeiro dia da missão foi marcado por trocas técnicas de soluções em Infraestrutura Pública Digital (DPI) e Inteligência Artificial (IA). A Índia possui um dos ecossistemas mais dinâmicos do mundo na área de inovação e de soluções digitais que possam ser usadas em grande escala em benefício da população. Com essa preocupação, as agendas mostraram que Brasil e Índia tem buscado soluções equivalentes de DPIs em áreas como identidade, compartilhamento de dados, meios de pagamento simplificados com impacto na inclusão financeira, oferta de serviços digitais em larga escala, plataformas para integração de dados ambientais, fundiários e para agricultura, entre outras.
As atividades começaram no Instituto Internacional de Tecnologia da Informação de Bangalore (IIIT-B), onde a delegação participou de duas sessões que permitiram aprofundar as experiências indianas em DPIs. Pela manhã, foram apresentadas soluções na área de agricultura digital, plataformas com uso de IA para múltiplos idiomas e iniciativas voltadas à transformação digital de serviços públicos, especialmente no nível local.
Ao discutir o OpenAgriNet, plataforma indiana para agricultura digital, a ministra e a equipe brasileira destacaram as possibilidades de complementaridade com as DPIs brasileiras voltadas ao mesmo tema, como o Cadastro Ambiental Rural e o aplicativo Meu Imóvel Rural. O diálogo buscou identificar convergências e oportunidades de cooperação, reforçando que o Brasil também desenvolve soluções estruturantes em larga escala.
Da mesma forma, ao conhecer o iGOT — sistema nacional de capacitação de servidores públicos com 30 milhões de usuários — a delegação discutiu possibilidades de interação com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), responsável pela Escola Virtual de Governo no Brasil, explorando caminhos para intercâmbio de experiências e eventual integração de soluções voltadas à formação de servidores.
As conversas incluíram ainda a plataforma DIGIT, voltada à transformação digital de serviços municipais na Índia. O debate foi marcado por perguntas técnicas, apresentação de casos brasileiros e intercâmbio direto entre as equipes.
O grupo também acompanhou uma apresentação do serviço postal indiano, com demonstração prática de como as DPIs são utilizadas para permitir a criação de contas e o acesso da população a serviços digitais.
A programação incluiu visita ao campus da Infosys, uma das maiores empresas de tecnologia da Índia. No local, foram apresentadas estratégias para investimento, clientes e projetos em inteligência artificial e plataformas digitais. A ministra percorreu o campus — que reúne mais de 20 mil funcionários — e reforçou o interesse brasileiro em aprofundar o diálogo com grandes empresas globais de tecnologia.
De volta ao IIIT-Bangalore, a delegação participou de um encontro com startups do ecossistema de governo digital, incluindo empresas de GovTech, soluções de dados e pagamentos digitais. Em sua fala, Esther Dweck destacou a importância de conectar a agenda de DPI à agenda de inteligência artificial, construindo soluções concretas para o setor público.
Ao abordar o governo digital, ela enfatizou que “a transformação digital do governo vai além da digitalização de serviços ou da modernização de sistemas legados. Exige o desenho intencional de um ambiente favorável à inovação” que incorpore novas abordagens e tecnologias com DPI e IA. Informou que, até 2025, o Brasil contabiliza 182 soluções de IA implementadas em 58 órgãos federais, mas reconheceu desafios estruturais, como limitações de capacidade técnica e de financiamento. “Esse é mais um motivo para fortalecer as conexões entre o setor público, o setor privado e a academia”, afirmou.
A ministra também detalhou o modelo brasileiro de inovação aberta, no qual desafios públicos são lançados com seleção competitiva e financiamento para implementação, em uma parceria do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e a FINEP, agência pública de fomento à pesquisa e desenvolvimento. Até 2027, 25 projetos desenvolvidos por startups brasileiras receberão cerca de US$ 15 milhões em recursos. “Fomentamos a inovação no país ao utilizar o poder de compra do Estado”, explicou.
O dia foi encerrado com visita ao Centro de Desenvolvimento de Computação Avançada (C-DAC), onde foram apresentadas mais de dez soluções de pesquisa e desenvolvimento, incluindo iniciativas em software, segurança, hardware, chips e drones. A delegação conheceu o data center da instituição e recebeu explicações sobre o modelo de governança do centro, voltado à pesquisa estratégica com alcance nacional, incluindo treinamento de grandes modelos de linguagem fundacionais em hindu e modelos especialistas.