Manifesto GINGA
"A escolha do acrônimo e da palavra GINGA é uma excelente oportunidade de afirmação de conceito (ou epistêmica) sobre a origem e contribuição da diversidade racial para o ecossistema de inovação do governo. Ginga nasce de kujinga do idioma kimbundu vindo de Angola".
Magali Dantas, servidora pública e especialista em relações etnico-raciais.
Por que GINGAR?
É no presente, entre desafios e oportunidades, que o Estado brasileiro precisa expandir sua capacidade de inovar. O ecossistema de inovação governamental no Brasil é amplo e dinâmico, mas ainda atua de forma fragmentada, muitas vezes em nichos isolados e sem uma visão sistêmica. Persistem barreiras como a rigidez burocrática, a insegurança para experimentar e a escassez de incentivos e recursos.
Por isso, o Brasil precisa de um ESTADO com GINGADO.
Gingar significa ter estratégia para enfrentar desafios públicos complexos com adaptabilidade, combinando técnica com criatividade, antecipando cenários, prospectando futuros sustentáveis, desejáveis e criando caminhos até eles.
A inovação que defendemos é estrutural, não tecnocentrada. Não pode ser exceção, nicho ou acaso: é tangível, intencional, cotidiana e reconhecida como função estratégica do Estado junto à sociedade. É um imperativo coletivo.
Para sustentá-la, precisamos promover governança, inclusão e colocar o(a) cidadão(ã) no centro do processo inovador. Vamos legitimá-la por normas
claras, fortalecê-la por incentivos diversos, informá-la por ciências comportamentais e alimentá-la por uma ambiência que ofereça segurança psicológica para ousar, aprender e avançar.
Inovar em governo é também uma questão de soberania: fortalecer nossa autonomia, reduzir dependências e alinhar os recursos digitais a valores
democráticos.
O que é a GINGA BRASILEIRA?
A GINGA é uma expressão autêntica da nossa brasilidade. Ela transforma nossa cultura e diversidade em força e oportunidade, valoriza nossa identidade coletiva e mostra ao mundo que a inovação no Brasil nasce do movimento criativo do nosso povo, com base em quem somos.
Assim, a GINGA é mais do que um acrônimo. É um corpo político ágil, criativo no improviso, mas sempre com método e ritmo.
Ela simboliza a construção de espaços coletivos onde todos têm lugar: governança como a roda que organiza o jogo; incentivos como a
energia que sustenta o movimento, normas como o fundamento que dá segurança e legitimidade à prática inovadora, gestão da capacidade
de inovação como o processo contínuo de fortalecimento institucional apoiado em evidências e ambiência de confiança e segurança psicológica que engajam servidores(as) a colocar em prática suas habilidades humanas e de inovação.
Como GINGAR?
Este manifesto convoca lideranças, servidores(as) públicos(as), academia, sociedade civil, setor privado, órgãos de controle, instâncias legislativas e parceiros internacionais a reconhecer que governar é inovar.
Inovar exige um Estado que experimenta, aprende rápido e escala soluções que realmente importam - aquelas que respondem às necessidades concretas das pessoas, reduzem desigualdades injustas, fortalecem a confiança entre o Estado e a sociedade e contribuem para um futuro sustentável.
Colocar o(a) cidadão(ã) no centro desse movimento é garantir inovação pública orientada por propósitos coletivos, com equidade, acesso a direitos e um gesto de cidadania. É a inovação não só para as instituições públicas, mas pela humanidade.
Com GINGA, vamos construir um Estado inovador, adaptável e inclusivo, capaz de se desconstruir e se reconstruir diante das crises. Um Estado que
prospecta futuros como oportunidades e as transformam em realidade coletiva, junto com as pessoas.
Entre na roda! Que cada liderança, cada servidor(a), cada instituição e cada cidadão e cidadã se movam com GINGA: inovação governamental com coragem, método e confiança!
Brasília, 2 de outubro de 2025.
Acesse o Manifesto GINGA