Inventário de Gases de Efeito Estufa utilizando o Programa Brasileiro GHG Protocol - Autoridade Portuária de Santos (APS)
Publicado em
11/03/2026 16h17
Atualizado em
23/03/2026 12h51
O Programa Brasileiro GHG Protocol em si não é uma inovação, pois se trata de um padrão internacional amplamente utilizado para o cálculo de emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo. O que se trata como inovação neste contexto, é o seu uso como ferramenta para definição de políticas públicas e para o planejamento estratégico da empresa Autoridade Portuária de Santos - APS.
A partir da identificação das fontes de emissão mais relevantes e dos atores com maior pegada de carbono no complexo portuário, é possível traçar estratégias de mitigação para a descarbonização, tanto em âmbito local, quanto nacional e internacional.
https://www.portodesantos.com.br/comunidade-sustentabilidade/sustentabilidade/inventario-de-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa/
DETALHAMENTO
O levantamento de dados de emissões de gases de efeito estufa vem sendo tratado pela APS desde 2019, com o levantamento inicial das fontes mais representativas.
A importância do tema foi reforçada em 2021, com o destaque dentro da matriz de materialidade do Relatório de Sustentabilidade da Autoridade Portuária de Santos, demonstrando que o interesse não era apenas da Autoridade Portuária, mas sim de todos os stakeholders do Porto de Santos.
A efetiva implantação se deu com a contratação de uma empresa em 2021, que realizou o mapeamento completo das fontes de emissão do Porto de Santos, apresentou o detalhamento metodológico e treinou a equipe da Autoridade Portuária de Santos para dar continuidade aos trabalhos.
Em síntese, o processo envolve a identificação das fontes de emissão diretas (como equipamentos e veículos próprios que consomem combustíveis, uso de gases refrigerantes, processos fisico-químicos, entre outros) e indiretas (como o consumo de energia e serviços de terceiros).
RESULTADOS E IMPACTOS ALCANÇADOS
Com a identificação das fontes e quantificação das emissões com a ferramenta GHG Protocol, foi possível compreender a pegada de carbono de cada atividade do Porto de Santos, seja da APS, dos Terminais Portuários ou dos modais de transportes (rodo, ferro e aquaviário).
Com este retrato, ações voltadas à redução das emissões começaram a ser implantadas, assim como políticas públicas para os atores do Porto de Santos, voltadas ao processo de transição energética.
Entre ações já implantadas podem ser destacadas:
- Uso de etanol em detrimento de gasolina;
- Desconto tarifário para terminais e navios que atendam critérios de sustentabilidade;
- Fornecimento de energia elétrica para rebocadores;
- Formação de corredores verdes com portos na Europa;
- Contratação de um Plano de Descarbonização e um Plano Diretor Energético para todo o complexo portuário;
- Projeção da APS como um importante ator na descarbonização do segmento portuário nacional;
- Adesão ao Pacto Global da ONU.
LIÇÕES APRENDIDAS
O processo de levantamento de fontes de GEE demanda uma grande mudança de cultura na empresa.
Todos os setores precisam se envolver neste processo, e a fase de geração de evidências é caminho crítico (normalmente demandando um processo de melhoria contínua).
É normal haver muitas dúvidas no caminho, sendo que a integração setorial (organizações do mesmo segmento discutirem o tema em conjunto) é indispensável.
Por fim, o exercício de definir quais são as fontes que podem ser consideradas como próprias ou diretamente controladas pela organização inventariante, pode ser um processo conflituoso, demandando interpretações que, por vezes, geram visões distintas entre especialistas no tema. A integração setorial, anteriormente citada, é um caminho relevante para sanar estas divergências.
POTENCIAL DE DISSEMINAÇÃO E ESCALABILIDADE
Como se trata de um padrão internacional, o uso do GHG Protocol tem amplo potencial de disseminação e escalabilidade.
No Brasil, a plataforma é conduzida pela FGV, que disponibiliza um amplo suporte técnico, além de manuais e notas técnicas para orientação das organizações.
O processo de elaboração do inventário não demanda conhecimento técnico aprofundado, mas é trabalhoso (demanda tempo).
Por fim, este tipo de levantamento é aplicável a qualquer organização, independentemente do segmento, o que evidencia essa ferramenta como um relevante instrumento de gestão.