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Samba de Roda do Estado da Bahia preserva tradição, memória e identidade cultural
Foto: Luiz Santos
Música, dança e poesia são os componentes do Samba de Roda do Estado da Bahia, manifestação cultural presente em diversas localidades do estado e geralmente associada à região do Recôncavo. A prática reúne canto, instrumentos, dança e expressões da oralidade, em uma tradição transmitida entre gerações.
Nas rodas, o ponteado da viola e as palmas conduzem o ritmo. No centro, homens e mulheres se revezam na dança, com passos marcados e movimentos suaves dos quadris. Um dos principais elementos dessa expressão é o “miudinho”, gesto característico em que os pés deslizam pelo chão com leveza e cadência.
O Samba de Roda está presente em celebrações religiosas, festas populares, eventos especiais e encontros familiares. Em municípios como Santo Amaro, Cachoeira e Saubara, a manifestação integra o cotidiano e contribui para preservar a memória e as referências culturais das comunidades.
Saberes
Os versos cantados, os instrumentos, a dança, os toques religiosos e as formas de expressão oral fazem parte do Samba de Roda. Os conhecimentos relacionados à prática são transmitidos principalmente pela convivência, pelo exemplo e pela participação nas rodas.
A manifestação reúne influências africanas e elementos de origem portuguesa. Entre eles estão a viola machete e características da estrutura dos cantos. Essa mistura contribuiu para a formação de uma expressão cultural singular, vinculada à história e à identidade das comunidades negras da Bahia.
O Samba de Roda apresenta duas formas principais: o samba chula e o samba corrido. No samba chula, os cantadores iniciam a roda com estrofes que são ouvidas atentamente antes do começo da dança. Já no samba corrido, há alternância entre solistas e coro, permitindo a participação simultânea de várias pessoas.
Em ambas, o centro da roda se transforma em espaço de expressão e convivência. O “miudinho” imprime aos movimentos o ritmo e a cadência que caracterizam a manifestação.
Experiências
O Samba de Roda faz parte das experiências e memórias de comunidades negras baianas que mantêm vivas suas referências culturais diante das transformações sociais e territoriais.
A manifestação também ocupa lugar de destaque na história da música brasileira, especialmente por sua relação com formas de samba que se consolidaram posteriormente em outras regiões do país.
Reconhecimento
Em 2004, o Samba de Roda foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil. No ano seguinte, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o inscreveu na lista das Obras-Primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.
A aprovação ampliou a visibilidade internacional da manifestação e reforçou a importância de ações de salvaguarda conduzidas com a participação das comunidades detentoras dessa tradição.