O que a cultura tem a ver com a crise climática? Para o Brasil, a resposta é clara: sem cultura, sem arte e sem saberes tradicionais, não há transformação capaz de enfrentar a emergência climática na velocidade e na escala que o século 21 exige.
É com essa perspectiva que o Ministério da Cultura realiza, em 26 de junho de 2026, na London Climate Action Week (LCAW), o Seminário Internacional Cultura e Mudança do Clima. Com essa integração, o Brasil dá continuidade aos debates iniciados durante a presidência brasileira do G20, em 2024, e aprofundados na COP30, consolidando os esforços do Ministério para posicionar a cultura como dimensão estratégica das respostas globais à mudança do clima.
A edição deste ano ocorre em um momento particularmente relevante. Pela primeira vez, a cultura foi reconhecida como um dos objetivos estratégicos da Agenda de Ação da COP30, refletindo uma compreensão crescente de que a resposta à crise climática depende não apenas de políticas públicas, financiamento e inovação tecnológica, mas também dos valores, narrativas, formas de participação social e imaginários coletivos que orientam as transformações das sociedades.
Realizado durante a London Climate Action Week, um dos principais encontros globais dedicados à ação climática, o seminário reunirá artistas, cientistas, formuladores de políticas públicas, lideranças indígenas e representantes da sociedade civil para discutir como a cultura pode contribuir para acelerar respostas mais eficazes, inclusivas e sustentáveis diante da crise climática.
Entre os participantes confirmados estão Mariana Mazzucato (UCL),uma das economistas mais influentes do mundo e autora de The Common Good Economy; a líder indígena e deputada federal Sonia Guajajara; o presidente da COP30, André Corrêa do Lago; a artista britânica Es Devlin, designer dos palcos de Lady Gaga, U2 e Bad Bunny e por instalações na Tate Modern e Somerset House; o cientista Tim Lenton (Universidade de Exeter), referência mundial no estudo dos pontos de não-retorno do clima e o rapper, zoólogo e ativista ambiental Louis VI.
A programação está organizada em dois eixos. O primeiro aborda governança, cooperação internacional e as condições estruturais necessárias para acelerar transformações em escala. O segundo explora como as artes, as narrativas culturais, os saberes tradicionais e a participação social podem mobilizar sociedades inteiras para a ação climática.
Ao promover diálogos entre representantes do Sul e do Norte Global, o seminário busca fortalecer redes de colaboração, ampliar a circulação de experiências e contribuir para a construção de um movimento internacional capaz de transformar conhecimento, criatividade e diversidade cultural em ação coletiva.
O evento integra os esforços do Brasil para fortalecer o papel da cultura na ação climática por meio de sua copresidência do Grupo de Amigos pela Ação Climática Baseada na Cultura.
O evento é realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil em parceria com a Presidência da COP30, a People's Palace Projects da Queen Mary University of London, a Julie's Bicycle, o Instituto de Inovação e Propósito Público (IIPP) da University College London (UCL), a Embaixada do Brasil em Londres, o Instituto Guimarães Rosa e a Volans.