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FOMENTO
Projeto viabilizado pela Lei Rouanet leva artesanato de fibra de bananeira de Santa Catarina à semana de Moda de Milão
Foto: Walter Bellonzi
O projeto sulista Museu da Banana: Valorização da Bananicultura Além do Campo, iniciado em abril de 2026, levou a cultura e economia criativa do interior catarinense para o centro da moda global. Duas bolsas artesanais, confeccionadas por integrantes do Coletivo Fibra Flor durante as oficinas da iniciativa, foram selecionadas para o desfile Brazilian Sustainable Fashion in Milan, realizado entre os dias 22 a 24 de setembro em Milão, na Itália. A apresentação das peças na capital italiana da moda ocorreu na mesma data em que se celebra o Dia Mundial da Banana, voltado ao reconhecimento da relevância econômica e cultural do cultivo da fruta.
A iniciativa conta com a aprovação e o fomento do Ministério da Cultura (MinC), que autorizou a captação de R$ 254,2 mil por meio do mecanismo de renúncia fiscal da Lei Rouanet. O financiamento viabilizou o desenvolvimento das pesquisas, a realização de oficinas gratuitas e a produção das peças artesanais no município de Corupá (SC).
A designer de moda e artesã Fabiana Bertoldi destaca que a união da fibra de bananeira com marcas de calçados e moda praia sustentáveis representou uma experiência de grande relevância prática. “Levar as bolsas criadas nas oficinas de Corupá para um evento internacional em Milão demonstra que a moda circular brasileira tem sofisticação, propósito e lugar garantido no mercado global”, destacou.
A presença no circuito europeu decorre da parceria com a marca catarinense de calçados sustentáveis Pacoa. A empresa recebeu convite da marca de moda praia consciente Celeste, selecionada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e pela ApexBrasil por meio do programa Texbrasil, para compor os desfiles e showrooms na Itália
Economia circular e valorização do patrimônio imaterial
O projeto cultural tem como objetivo a valorização da cultura da banana por meio de oficinas de artesanato e gastronomia, além do planejamento de um festival com desfile de moda focado na integração comunitária. Na agricultura tradicional, o pseudocaule da bananeira é considerado descarte do cultivo.
Nas oficinas do projeto, a matéria-prima ganha novo destino com a extração de até cinco tipos de fibras destinadas ao trabalho artesanal.
As aulas são ministradas na sala maker da Escola Estadual Teresa Ramos, local em que os participantes aprendem a história da bananicultura regional, a preservação do patrimônio imaterial, as técnicas de manejo da fibra e a confecção de cestos, bolsas e itens de decoração.
A mestra artesã e professora do curso, Elfi Minatti Mokwa, ressalta o significado do trabalho manual desenvolvido na comunidade ao pontuar a satisfação de ver o material antes descartado carregar a identidade de Corupá e preservar a memória artesanal do município. “Saber que a fibra que um dia foi descarte, hoje carrega a identidade de Corupá e preserva o nosso 'saber fazer' é a maior recompensa de uma vida dedicada ao artesanato”, afirmou.
De acordo com a artesã, a coleção desenvolvida para o desfile guarda vínculo direto com a memória afetiva local. O design das peças buscou inspiração nas orquídeas da região, em homenagem ao Orquidário Alvim Seidel, o segundo mais antigo do país, situado em Corupá e detentor de 120 anos de tradição.
Museu da Banana
A chegada das peças ao circuito europeu coincide com o aniversário de criação do Museu da Banana, fundado em 21 de agosto de 2019 pelo Instituto Catarina Brasilis. A instituição completa sete anos de atuação voltada ao resgate do patrimônio histórico da bananicultura por meio da arte, do cultivo e da gastronomia regional. Sob o conceito da Museologia Social, a entidade atua sem sede física fixa, promovendo memórias vivas, resgate de história oral e ações itinerantes junto à população.
A presidente do Instituto Catarina Brasilis, Roseli Siewert, afirma que manter as atividades do Museu da Banana em movimento significa honrar a trajetória de gerações de agricultores e artesãos locais. “Manter o Museu da Banana em movimento é honrar o trabalho de gerações de agricultores e artesãos de Corupá. Nosso trabalho é garantir que a nossa identidade cultural seja valorizada e continue gerando orgulho, inovação e desenvolvimento sustentável para toda a nossa região”, narrou.
O projeto Museu da Banana: valorização da bananicultura além do campo é realizado pelo Instituto Catarina Brasilis com aprovação da Lei Rouanet do Ministério da Cultura. A iniciativa conta com o apoio da Escola Estadual Teresa Ramos, da Prefeitura Municipal de Corupá e da Secretaria de Turismo de Santa Catarina.